No reencontro com a torcida na Vila, enfim, uma vitória, que teve gol do zagueiro Zé Ivaldo (à direita) (Vanessa Rodrigues/AT) A vitória sobre o Atlético-MG por 2 a 0, na noite desta quarta (16), na Vila Belmiro, tirou um peso dos ombros do elenco do Santos. E deixou o técnico interino César Sampaio confiante no início de uma nova fase do time no Brasileirão. Fora da zona de rebaixamento, agora em 12º lugar na tabela, o Peixe tem como próximo compromisso o clássico contra o São Paulo, neste domingo (20), às 16 horas, no MorumBis. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Após a folga nesta quinta (17), o elenco retoma o trabalho nesta sexta (18), no CT Rei Pelé, visando o duelo contra o Tricolor, quando Sampaio terá o desfalque de Neymar, que saiu lesionado contra o Galo, ainda no primeiro tempo. O atacante voltou a sentir dores na coxa esquerda, a mesma do edema que o afastou dos campos por 42 dias. Apesar de ter auxiliado, desde o início do ano, a comissão técnica de Pedro Caixinha, César Sampaio vai aos poucos se inteirando mais com o elenco, agora que está com a missão, em princípio provisória, de comandar o time. Auxiliar de Tite na seleção brasileira e no Flamengo, o ex-volante formado no Peixe falou sobre as diferenças entre os trabalhos do técnico brasileiro e de Caixinha. “Estou aqui para servir ao Santos, vou reiterar: me sinto importante aqui. Aos poucos os atletas vão me conhecendo também. Mesmo tendo essa história, nem todos me conhecem como atleta e agora como treinador. Eu, como auxiliar, em nenhum momento quis passar por cima dos meus superiores. A comissão do Caixinha me tratou muito bem. É um momento oportuno para agradecer. O futebol não tem certo ou errado, vim mais de um modelo na seleção com o Tite e no Flamengo, mais convencional, mais zonal. E eles (portugueses) tinham um modelo um pouco mais de referência individual, de marcação individual em modelo mais agressivo”. De interino a efetivo? Na terça (15), em entrevista coletiva na Vila Belmiro, o diretor-executivo Pedro Martins disse que o clube não cogitava efetivar César Sampaio como técnico, mesmo que ele tivesse bons resultados nos jogos contra Atlético-MG e São Paulo. "O César, tenho que agradecer porque assumiu o desafio. É o auxiliar da casa e faz a integração com as categorias de base. Tem sido importante. Ele assume como a figura para tocar essa próxima partida (contra o Atlético-MG). Ele está ciente que o Santos conduz um processo de seleção (do novo técnico). Estamos no mercado e conversando com algumas pessoas. Isso está claro. Ele e os jogadores sabem que o Santos busca um treinador. Não tomaremos a decisão de maneira abrupta". A vitória com boa atuação sobre o Galo e a dificuldade de fechar um acordo com um dos técnicos sondados, Tite, Dorival Júnior, Luís Castro e Jorge Sampaoli, pode fazer com que a permanência de Sampaio se prolongue além do jogo de domingo, no MorumBis. Afirmando estar à disposição do clube, independentemente da função, Sampaio deixou o futuro em aberto. “No dia a dia, o trabalho meu e da comissão é analisar as forças e as fraquezas de quem a gente vai enfrentar e desenvolver mecanismos para neutralizar as forças e explorar as fraquezas. E é um jogo de xadrez mesmo, como foi hoje (contra o Galo). Vamos ver quanto dura isso. Estou muito feliz com o que aconteceu hoje. Vamos preparar bem o amanhã para eu atender às exigências do elenco”. Preocupação defensiva Falando sobre a preparação para o jogo contra o Galo, que também faz uma campanha ruim no Brasileirão, Sampaio destacou o foco no trabalho defensivo. Sem confiança e com duas derrotas em três jogos, o time não podia, na visão do técnico, sofrer gol. “O gol pesa muito nesse momento emocional nosso, nas estratégias todas. Confesso que a prioridade era sustentar, estar organizado, ocupando os espaços de forma correta. É impossível neutralizar o ataque do Atlético com essa qualidade. Scarpa conectado com Rony e Hulk, tem que respeitar. Brazão fez duas defesas importantes. Em um geral estivemos bem estruturados, defendendo de forma organizada, e isso gerou confiança aos atletas”. “É só o começo de algo grande” A vitória, a primeira no campeonato, tira um fardo das costas do elenco e comissão técnica. E pode ser o início da retomada do Peixe no Brasileirão. Mas isso, frisou Sampaio aos jogadores, vai exigir dedicação e profissionalismo, para que a equipe possa crescer e encarar adversários tecnicamente superiores no decorrer da competição. “Agradeço ao torcedor. Eles foram importantes em tudo isso. É só o começo de algo grande. Passa por a gente comemorar, sim, temos que desfrutar. Eu disse aos atletas que precisam ter uma vida de atleta dentro e fora de campo, para que possam performar. A excelência é hábito, principalmente nessa sequência de jogos. Um dia não bem estruturado vai pesar, vai faltar no momento da execução. É muita renúncia. Tenho renunciado algumas coisas para estar aqui desde que o Pedro (Martins) me ligou. As noites ficaram mais curtas, nesses dois dias acordei na madrugada algumas vezes. Mas não tem mistério. Se você quer algo diferente na vida, tem que renunciar, abrir mão de algo. Tenho plantado isso para eles. Não temos uma equipe tecnicamente acima do que o campeonato vem apresentando, então vamos precisar do máximo de cada um”.