O técnico Pedro Caixinha disse que jogadores de clube grande têm que saber lidar com a pressão (Raul Baretta/Santos FC) O torcedor santista que foi à Vila Belmiro não digeriu a derrota de virada para o Palmeiras, com gol nos acréscimos da etapa final, na noite desta quarta (22), pela terceira rodada do Paulistão. Cobranças, xingamentos dirigidos aos jogadores e gritos de “não é mole não, tem que honrar a camisa do Peixão” marcaram o final do jogo, mas o técnico Pedro Caixinha quer descontruir este ambiente hostil. “Não tenho varinha mágica, mas tenho muita vontade de vencer nesse projeto”, avisou. O treinador ressaltou que jogadores que atuam em grandes clubes precisam saber lidar com a pressão, mas já percebeu que a exigência dos torcedores no Brasil é ainda maior do que em outros países em que ele trabalhou. Para blindar o grupo, que mereceu do comandante elogios quanto à dedicação nos treinamentos, Caixinha pediu para que os torcedores apoiem o time durante os jogos e concentrem suas cobranças nele. “Temos que ter caráter para jogar em clube grande. Isso nota-se ainda mais no Brasil. É assim que tem que ser. Quem não consegue lidar (com a pressão), não pode estar em clube grande. Queremos que o torcedor seja um de nós, independentemente do resultado”, comentou. Para ter o respaldo das arquibancadas, Caixinha quer ver o time jogando com a aplicação tática que demonstrou no primeiro tempo da vitória sobre o Mirassol, por 2 a 1, na estreia do Estadual, na Vila. “Lutar por todas as bolas, ter comportamento competitivo. Tivemos no primeiro tempo contra o Mirassol, uma reação contra a Ponte Preta. Queremos prolongar o tempo e esse é meu trabalho. Estarei sempre aqui para defender nossos jogadores. Todos os jogadores que estão aqui querem defender o Santos, estando bem ou não tão bem. Todos representam o Santos. Peço mais uma vez, eu tenho condições. Todo o estádio pode meter pressão em mim, mas durante o jogo, que apoiem e que pressionem a mim. O trabalho desse grupo é fantástico”. “Clube muito maltratado” O treinador fez menção aos últimos anos de decepções da torcida, que sofreu com campanhas ruins em várias competições e o rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro, em 2023. Mas pediu um voto de confiança para que o clube volte ao período de conquistas. “Acreditem que esse clube, infelizmente, tem sido muito maltratado. Não tenho varinha mágica, mas tenho muita vontade de vencer nesse projeto. Não vai ser amanhã, uma semana, mas nunca vou desistir e vou precisar de todos. Conhecem mais o passado da instituição que eu e, se não estivermos todos juntos e não confiarem no trabalho, não vamos alcançar nada. Se alcançarmos, vamos conquistar. Minha energia está totalmente focada nessa reação”. Caixinha, sobre o atacante Soteldo: "Bom jogador, mas muito indisciplinado taticamente" (Raul Baretta/Santos FC) Lucas Braga visado e Soteldo “indisciplinado taticamente” Um dos jogadores mais visados pela torcida no clássico foi o atacante Lucas Braga, que entrou em lugar de Thaciano no primeiro tempo, após o meia-atacante sentir dores na região posterior da coxa esquerda. Na etapa final, porém, Braga foi sacado para a entrada de Tomás Rincón. Muito vaiado, ele teve o apoio do atacante Guilherme, que pediu palmas da torcida para o atacante. E foi correspondido. Caixinha justificou a substituição dizendo que precisava equilibrar o meio-campo, porque Soteldo também não vinha cumprindo as funções táticas pedidas. “Na primeira palestra eu disse (aos jogadores) que tinha histórico de substituição em 20 minutos. Podemos fazer cinco substituições em três pausas e não há regra sobre em quanto tempo podemos mexer. Ou que quem entra não pode sair. Vi que estava desequilibrado no meio-campo. Soteldo é muito bom jogador, mas é indisciplinado taticamente. Então temos que manter quem tem criatividade e equilibrar a equipe”, pontuou. Apesar da ira da torcida com Lucas Braga, que não teve boa jornada, o treinador não criticou a atuação do atacante. “Equilibrar foi colocar meio-campo a três, com mais presença. Não tem a ver com o Lucas (Braga), com nenhum jogador, mas com tomada de decisão do banco para ajudar a equipe. Equilibramos diante do desequilíbrio evidente no meio-campo. Fruto da nossa criatividade, mas também da indisciplina tática”.