[[legacy_image_166038]] Contratado no final do ano passado, após o fim do seu vínculo com o América-MG, o zagueiro Eduardo Bauermann chegou ao Santos e foi titular absoluto da equipe no Campeonato Paulista. Em razão da baixa média de idade do elenco santista, o defensor de 26 anos rapidamente virou uma das lideranças do time. Como uma das referências da equipe, o atleta, entre outros assuntos, faz um balanço do início de 2022 do Peixe e diz o que a torcida deve esperar do Alvinegro na sequência do ano. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na sua apresentação, você comentou que estar chegando ao Santos era a confirmação da sua volta por cima. Depois de deixar o Inter, teve medo de não voltar a um grande do futebol brasileiro? Sempre soube do meu potencial, mas quando deixei o Inter e passei a ser emprestado, é normal ter essa desconfiança. Na minha cabeça, eu sabia que só me restava trabalhar forte que, naturalmente, a oportunidade em um time de grande porte viria E ela veio. Por isso comentei. O início do Santos não foi dos melhores. A equipe não deslanchou, teve troca de treinadores, torcida preocupada e cobranças. Na sua visão, o que deu errado? Como alguém que chegou depois, talvez a minha opinião seja diferente da opinião dos demais jogadores. Creio que a pressão pelas campanhas no Campeonato Paulista e Campeonato Brasileiro de 2021 tenham pesado para esse início de 2022. Faltou recarregar bem as energias no final do ano para fazermos um Paulistão mais tranquilo. Significa que o Brasileirão será ainda mais pesado? Tenho certeza que não. Infelizmente, não conseguimos nos classificar para as quartas de final do Paulistão, mas estamos aproveitando essas semanas sem partidas para assimilar a ideia de jogo do Bustos. Os treinamentos têm sido bem intensos com esse objetivo. Antes do jogo contra o Água Santa, a torcida foi até o CT conversar com os jogadores, pois havia o receio de queda. Você teve medo de a equipe acabar rebaixada no Estadual? A gente sabia e pensamos sim no risco, mas nessas ocasiões, quando a água bate na bunda, vamos dizer assim (risos), temos que preparar bem a cabeça para fazermos o melhor. Não podemos deixar que o receio tome conte de nós para não nos intimidarmos durante o jogo. E fizemos isso. A maior prova é que conseguimos ter uma boa atuação em campo. O que dá para dizer do Fabián Bustos como treinador? Os treinamentos dele são mais intensos? É um treinador de trabalho muito intenso mesmo. Temos treinado todos os dias, em dois períodos, para que ele possa nos passar as suas ideias de jogo o mais rápido possível. É um treinador que quer ver a equipe jogando com bastante intensidade e de maneira mais vertical, e esses dias sem jogos estão sendo importantes para nos adaptarmos logo. Para o Brasileirão e a Sul-Americana, o Santos ainda estará se adaptando ao estilo de jogo do Bustos, que é diferente do que vinha sendo aplicado pelo Fábio Carille. O quanto essa mudança de estilo dos treinadores dificulta o trabalho dos atletas? Atrapalha, realmente. São treinadores com filosofias diferentes e nos primeiros jogos do Bustos ele pedia para fazermos algumas coisas em campo, mas não conseguíamos justamente por ser algo bastante diferente do que o Carille nos passava. Mas acredito que estamos entendendo bem o que o Bustos quer e já na próxima partida vamos ter uma postura melhor. Já é possível dizer que o Santos do segundo semestre terá uma postura mais ofensiva? Sim. O Bustos veio para fazer o Santos voltar a jogar como nos acostumamos a ver, que é com intensidade e de forma ofensiva. Não vai ser possível mostrar tudo de uma vez na próxima partida, mas ao longo do ano o torcedor vai perceber a nossa evolução. Por se tratar de um elenco jovem, você já é visto como um dos líderes do grupo. Essa rápida ascensão sobre os demais atletas te surpreendeu ou essa é uma das suas características? Isso me surpreendeu sim. Por vezes tiveram partidas em que o Kaiky, que é um jovem muito talentoso, vinha conversar comigo sobre uma tomada de decisão, tirar dúvidas, pedir conselhos e nunca tinha passado por isso. Principalmente com relação a um jogador que já estava no clube. Em alguns jogos, eu olhava para o time em campo e via que eu era um dos mais velhos da equipe. Mas é bacana poder estar ajudando. Apesar da expulsão na última rodada do Paulista, você é um jogador que leva pouco cartões. E isso ocorre desde antes da chegada ao Santos. Qual é o principal segredo para isso em campo? São 200 jogos e apenas dois cartões vermelhos. Não é mesmo uma característica minha levar muitos cartões. No ano passado, atuei por cerca de 12 jogos pendurado, com dois amarelos. O segredo é poder induzir o atacante adversário para a tomada de atitude que me favoreça e para a posição em que eu me sinta mais confortável. Nesse Paulistão, a torcida criticou bastante o Kaiky, que é um jovem promissor. Você tem conversado com ele sobre essa fase? Como você pode ajudá-lo a superar as críticas? O Kaiky é um menino de ouro, muito promissor e vi a torcida criticando-o de maneira pesada, o que eu, particularmente, achei injusto. Ele é um jovem que está crescendo e justamente por isso vai ter altos e baixos. E acho que a impaciência da torcida por conta das campanhas do ano passado deixaram o torcedor mais intolerante com tudo. O Fernando Diniz, quando esteve no Santos, dizia que o Kaiky seria um zagueiro de nível europeu e para algumas Copas do Mundo. Isso pode aumentar a pressão da torcida? Acho que sim, porque o torcedor fica com a expectativa muito alta e uma falha faz com que a frustração também seja muito alta. Eu falo para ele que a crítica é tão importante quanto o elogio. A gente não pode achar que está tudo maravilhoso quando recebemos um elogio e não devemos achar que está tudo errado quando vêm as críticas. É preciso separar bem as coisas para não se abalar.