[[legacy_image_234013]] Imagine encontrar Pelé chegando de carro, a pé e até no elevador. As cenas eram comuns no Residencial Dondinho, na Avenida Almirante Cochrane, o Canal 5, no Embaré. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O nome do edifício de 12 andares, com dois apartamentos em cada, ser o apelido do pai do Rei do Futebol não é obra do acaso. Antes, o local era ocupado por uma casa, bem na esquina com a Rua Ministro João Mendes, em que o Atleta do Século 20 chegou a residir nos anos 1960. A placa afixada em uma das paredes não deixa mentir: 1964. [[legacy_image_234014]] Algumas das moradias eram dele, incluindo as da cobertura. Logo abaixo, estava o apartamento do administrador Almir Roberto Botelho dos Santos, de 67 anos, em que residia com a família - ele também morou no segundo andar. Foram 10 anos - de meados de 2000 até julho de 2010 - de convivência com o Rei, que não residia no edifício, mas aparecia com frequência, assim como outros integrantes do clã Arantes do Nascimento. "Toda vez em que nos encontrávamos no prédio sempre ele era humilde. Ele mesmo tomava a iniciativa de conversar com os moradores dentro do elevador, por exemplo", relembra. A filha, a jornalista Lyne Pereira dos Santos, foi uma das que viram o Rei, digamos, "tentar uma tabelinha de conversa", em um espaço que nem sempre é propício para isso, mas ele sempre fez isso com maestria. "Na primeira vez em que eu o encontrei, ele estava com uma boina que ele usava. Foi na época em que eu morava no 11º andar. Entrei e dei boa tarde normalmente. Mas não gosto nem entendo de futebol e ainda sou envergonhada. Ele é que veio falar comigo, dizendo: 'Por que as pessoas, sempre quando entram no elevador, ficam olhando para os botões?' E foi isso o que aconteceu: fiquei sem graça olhando para os botões, pensando em chegar no térreo para descer. Até hoje me zoam por causa disso", recorda. Em outra ocasião, Lyne estava passeando com o cachorro, que queria fazer xixi no portão e ela não deixava. Foi quando Pelé desceu a pé do carro para entrar no prédio e chegou brincando: "Ele falou: 'Menininha, deixa ele fazer xixi'". [[legacy_image_234015]] Autógrafos e prêmioComo sempre solícito, Pelé nunca se furtou a dar autógrafos aos outros moradores que assim desejassem. Mas havia um "esquema tático" para que tudo isso acontecesse da forma mais ordeira possível. "Ele autografou, inclusive, uma do Santos para mim e uma do Cosmos para meu filho. Mas nunca foi diretamente com ele: a gente deixava na portaria, o porteiro entregava para ele, que assinava e deixava na portaria novamente para ser entregue a quem solicitou", conta Almir. A camisa foi emoldurada e pendurada na casa da família em Serra Negra, no interior de São Paulo. Se o manto sagrado do Peixe com o autógrafo do Rei mereceu esse tratamento de gala, não foi diferente a conduta de Pelé com o mesmo porteiro que ajudava a organizar esse tour de assinaturas. "Certa vez, ele foi entrar no prédio e o porteiro não abriu, por não ter reconhecido o carro dele. Em seguida, ele deu um prêmio de R\$ 100,00 para o profissional, em agradecimento por ele estar correto em não abrir o portão para qualquer um", relembra Almir. LEIA MAISÚnico e lendário: Pelé morre aos 82 anos em São PauloSantos FC decreta sete dias de luto em homenagem a PeléAnúncio da morte de Pelé fez torcedores e visitantes correrem à Vila Belmiro