[[legacy_image_234529]] Numa época em que não existiam selfies ou outras modalidades de fotos, o autógrafo de Pelé, que morreu nesta quinta-feira (29), aos 82 anos, ganhava ares de uma joia preciosa. Porém, quando a assinatura do Rei era acompanhada de 'Edson Arantes', a peça ganha ainda mais valor pela raridade. Pois um fã de Santos, guarda essa relíquia há quase 60 anos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em entrevista para A Tribuna, o aposentado Manuel Carlos Martinez de Barros Lopes, de 71 anos, conta que acompanhava de perto o Atleta do Século 20 e o mítico time do Santos FC ao lado do pai, quando "batia ponto" na Vila Belmiro. Mas foi numa ida ao estádio ao lado do goleiro Cláudio que permitiu o acesso ao elenco estelar do Alvinegro, e aos autógrafos de todos, inclusive o do Rei. "Tinha uns 14 anos, em 1965, estudava no ginasial do Colégio Santista. O Cláudio era meu vizinho. A gente morava ali perto da Vila Belmiro, na Avenida Senador Pinheiro Machado (Canal 1). Fui a um treino com ele e peguei os autógrafos de todos os jogadores. Mas o Pelé fez questão de escrever em uma página separada, com uma dedicatória", conta. Na folha a que a Reportagem teve acesso, é possível ler: "Ao Manuel Carlos, com o meu muito obrigado, Edson Arantes- Pelé". "Ele era sensacional, extremamente humilde. Ele falava com todo mundo, era muito agradável. Depois foi ficando famoso e conheceu o mundo todo", acrescenta. [[legacy_image_234530]] Dentro de campo, em meio a jornadas memoráveis do time dos sonhos do torcedor santista, a ausência em uma partida inesquecível de Pelé ficou marcada. "Ia com meu pai a ver os jogos. Mas, por causa de um aniversário, não fui ver o jogo contra o Botafogo de Ribeirão Preto, em 1964, quando o Santos venceu por 11 a 0, com oito gols do Pelé. Ele sempre brincou comigo por causa disso". Corte de cabelo Lopes relembra outra passagem marcante com o maior jogador de todos os tempos. Foi na famosa Barbearia do Didi, em frente à Vila Belmiro, anos mais tarde. "Estava lá para cortar o meu cabelo e do meu filho mais velho. De repente, chega uma Mercedes, e o Didi vai recebê-la. Era o Pelé. Ele pediu que deixássemos o Rei passar na nossa frente, por estar com certa pressa. Deixamos, claro", relata. Didi fechou as portas do salão e Manoel e o filho puderam acompanhar o trato cuidadoso no cabelo do Rei. Em seguida, foi a vez deles, quando veio a surpresa. "Na época, não tinha celular para tirar uma foto (riso). Quando acabamos de cortar, fomos pagar e o Didi disse: 'Não, o Pelé já deixou pago'. Tive o corte do meu cabelo e o do meu filho mais velho pago pelo Pelé. São coisas que me emocionam muito", narra. As despedidas O aposentado conta que assistiu in loco a despedida de Pelé do Santos, em 1974, contra a Ponte Preta, quando o Rei se ajoelhou no centro do gramado da Vila e se virou para os quatro lados do estádio, em sinal de gratidão. "Foi triste perceber que ele não iria mais jogar pelo clube, porque Pelé e Santos são uma cosia só". Lopes também chorou a morte do ídolo, a quem definiu como maior embaixador do Brasil no mundo. "O Pelé está acima de qualquer outra coisa que existe no esporte. Dizer que é da terra do Pelé no Exterior abre muitas portas. É um nome gravado no mundo inteiro. Gostaria que ele fosse eterno, mas será na nossa lembrança", finaliza.