Guilherme marcou 10 gols em 12 jogos pelo Santos na primeira fase do Paulistão (Alexsander Ferraz/AT) Artilheiro do Paulistão e jogador que mais fez gols neste início de temporada no Brasil, Guilherme vive a melhor fase da carreira. Destaque do Santos desde o ano passado, o atacante falou, em entrevista exclusiva para A Tribuna, sobre o confronto contra o Red Bull Bragantino, neste domingo (2), às 20h45, na Vila Belmiro, pelas quartas de final do Paulistão, o sonho de jogar na seleção brasileiro e as ambições do Peixe nesta temporada. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Guilheme, você marcou 10 gols em 12 jogos, artilheiro isolado do Paulistão. Você só não marcou em quatro jogos. A bola, às vezes, parece que te procura. Já dá pra mudar o apelido de Amado pra Iluminado? Não (risos), prefiro que continue Amado. Acredito que os gols são fruto de muito trabalho, com ajuda, obviamente, dos meus companheiros no dia a dia, que têm me ajudado muito, têm me dado moral e confiança. Isso a gente tem colocado em prática dentro dos jogos e fico feliz por estar vivendo esse momento espetacular. Tomara que ele se prolongue pro resto da temporada. Você não troca o Amado por nada. Desde quando você tem esse apelido? Desde 2017 eu tenho esse hábito de chamar as pessoas de amado ou amada. Agora virou praticamente um nome, né? Porque a galera nem me chama mais de Guilherme, só me chama de Amado, por isso que eu não troco. Acho que ficou um apelido muito carinhoso de ambas as partes. Eu gosto muito. Você vive o melhor momento da carreira e o Santos é o time pelo qual você mais fez gols. Ao que você credita essa fase? São muitas coisas. Claro que por onde eu passei, busquei fazer o meu melhor, mas como o pessoal brinca comigo nas ruas, parece que eu nasci pra jogar no Santos. Foi uma identificação gigantesca, desde o ano passado, pelas propostas que eu tive e acabei escolhendo o Santos, o Santos me escolheu também. Eu acho que foi um amor à primeira vista. Muita coisa pode influenciar, mas eu acho que o carinho, eu me senti em casa, estou apenas um ano e pouco no Santos, mas parece que estou há um bom tempo. E eu sempre tive essa troca, não só aqui dentro do CT com os funcionários e todo o estafe, mas com a torcida também. Me sinto bem aqui na Cidade, me sinto bem no Santos. Santos e Bragantino fizeram uma campanha muito parecida na primeira fase do Paulistão. Foram cinco vitórias cada e o Peixe terminou apenas um ponto à frente. Apesar disso, o fato de jogar em casa e ter o Neymar colocam o Santos como favorito no jogo deste domingo (2)? Respeito o trabalho que tem sido feito lá no Bragantino, que já é de alguns anos. Desde quando virou Red Bull Bragantino, o time tem feito campanhas muito boas, tem montado times competitivos. Vai ser um grande desafio, um jogo muito difícil, mas eu acredito que jogando dentro da nossa Vila, com a presença do nosso torcedor, fazendo a festa e nos apoiando, como eles têm feito, é uma energia que vem das arquibancadas direto pro campo. Domingo vai ser fundamental também pra nos empurrar em busca da vitória e da classificação. O técnico Pedro Caixinha ficou quase dois anos no Bragantino, conhece bem o time. Como ele trabalhou isso com vocês? A gente estudou o Bragantino desde o início da semana. Ele conhece muito bem os jogadores que lá estão e a gente está bem atento nas informações que o professor tem nos passado, pra cometer menos erros possíveis e acertar muito mais, pra ser feliz domingo e vencê-los. O Santos cumpriu as metas do ano passado, voltando à Copa do Brasil e à elite, com o título da Série B, mas o futebol não agradou o torcedor. O Santos 2025 tem jogado um futebol mais vistoso? Teve jogos que a gente, mesmo vencendo, não fizemos um jogo que deixasse o torcedor com brilho nos olhos, mas a gente estava dando prioridade pra vencer os jogos. E, se dentro disso, a gente conseguisse fazer um jogo brilhante, nós faríamos, mas a gente tinha um objetivo claro que era de conquistar os objetivos e foram conquistados. O trabalho do ano passado teve sucesso. Nós entendemos a filosofia do Santos e buscávamos isso também ano passado, mas a gente tinha dificuldade em alguns jogos, assim como a gente teve também no início do Campeonato Paulista (em 2025). E agora a gente está começando a ficar com um pouco mais a cara daquilo que o mister (Caixinha) tem nos pedido. Então é seguir o plano e alcançar os nossos objetivos. Chegaram muitos reforços, principalmente para o setor ofensivo. Como vai ser a concorrência por uma vaga no time titular? Na verdade isso faz com que eu cresça ainda mais, inclusive eu estava conversando com alguns deles sobre isso, que a gente tem, do meio pra frente, opções de qualidade. O Santos só tem a ganhar e cresce todo mundo, quando eu vejo isso acontecendo, vou buscar evoluir ainda mais pra continuar com o meu espaço no time titular. E todo mundo, creio eu, vai continuar fazendo. Esse problema vai ficar com o mister pra montar os onze iniciais. No jogo contra o Botafogo, no momento do pênalti, você deu a bola para o Tiquinho bater. Isso mostra um pouco do espírito desse time? No momento nem falei com o Tiquinho, mas no meu interior me deu vontade de chamá-lo pra bater o pênalti. E que bom que eu fiz isso, porque gerou uma confiança, a gente sabe que atacante precisa fazer gol. E o Tiquinho já estava buscando esse gol. Ele converteu e gerou de fato confiança. Tiquinho já fez mais três gols e vai fazer ainda muito mais. Que bom que foi uma atitude acertada da minha parte. Você já entrou na galeria histórica do Santos, com o gol 13 mil. Como é o sentimento de virar “peça” de museu? Eu brinco com os meus familiares que eles, torcedores, meus filhos, meus netos, lá na frente, vão poder ir ao Memorial e nunca mais vão esquecer do Amado. Está lá a marca do gol 13 mil, estou de fato enraizado na história do clube. Você disse que o jogo do rebaixamento do Santos, em dezembro de 2023, quando você jogava no Fortaleza, te impactou. Ainda tem esse sentimento? Não, já passou. Eu acredito que aquele jogo era pra eu estar lá, porque de fato Deus tinha um plano pra que eu estivesse do outro lado no ano seguinte. Então, viver tudo aquilo, mesmo do outro lado, mexeu comigo, porque não foi um dia feliz pra ninguém. Mas eu já virei essa chave, eu usei isso no ano passado pra me motivar, junto com os companheiros que estavam comigo, e trazer o Santos pro devido lugar. Estamos em outro momento, o Santos voltou à Série A, nosso torcedor voltou a sorrir e isso é o que importa. Além de lutar pra chegar a mais uma final paulista, dá pra imaginar o Santos brigando também pelos títulos da Copa do Brasil e do Brasileirão? Com toda certeza, Amado, nós temos três competições. Agora estamos disputando o Campeonato Paulista e vamos buscar sim o título, é o que o Neymar quer, é o que o Santos quer, o que todos nós queremos, o torcedor também, mas tem passos pra gente passar e o próximo passo é domingo. Eu tenho certeza que com o nosso elenco, a gente está em evolução, e tem tudo pra chegar nessa final e garantir o título. E, consequentemente também, a Copa do Brasil e o Brasileiro, tenho certeza que a gente está pronto pra fazer um grande ano e fazer três grandes competições. Um dos focos do Neymar nessa volta ao Santos é a seleção. Jogar ao lado dele, sendo também um protagonista do time, te dá esperança de ter uma chance com o Dorival Júnior? É um sonho, eu tenho esse sonho faz um tempo, mas confesso que esse ano tem aflorado dentro de mim com mais força. Hoje, se eu não me engano, não sou só artilheiro do Campeonato Paulista, mas artilheiro do País também. E isso, com o Neymar aqui perto, me dá essa esperança. O estafe do Dorival (Júnior) esteve aqui, ele próprio esteve no jogo contra o Noroeste. A gente trocou uma conversa breve, ele me parabenizou pelo meu trabalho. Estou esperançoso, orando a Deus, pra que se for da vontade dele, estou pronto pra realizar esse sonho e representar a seleção.