O técnico Fábio Carille dificilmente permanecerá no comando do Santos em 2025 (Raul Baretta/Santos FC) A cinco rodadas do final, o torcedor do Santos não vê a hora da Série B do Campeonato Brasileiro acabar. Saturado pelo mau desempenho da equipe ao longo da competição, nem a liderança isolada e a distância de cinco pontos do acesso matemático (calculada pelo técnico Fábio Carille) consolam o torcedor. Nos jogos na Vila Viva Sorte, o apito final do árbitro gera sempre uma sensação de alívio na torcida, diante das vitórias sofridas e o sufoco imposto pelos adversários. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O enredo foi o mesmo nos últimos cinco jogos do Alvinegro em casa, com quatro vitórias suadas e um empate. Partidas em que o time flertou com a derrota, mas se safou de resultados ruins, que poderiam deixá-lo em situação difícil na tabela. No dia 15 de setembro, pela 26ª rodada, o Peixe derrotou o América-MG por 2 a 1, num jogo equilibrado. Na 28ª rodada, no dia 23 de setembro, empate em 1 a 1 com o Novorizontino, que foi melhor na etapa final e poderia deixado a Vila com os três pontos. Na rodada seguinte, a 29ª, no dia 28 de setembro, triunfo suado, por 1 a 0, diante do Operário-PR. Contra o Mirassol, na 31ª rodada, no dia 12 de outubro, outro confronto complicado. Apesar da vitória por 3 a 2, o Peixe poderia ter saído de campo com apenas um ponto. Ou até mesmo derrotado. Na noite desta terça (22), pela 33ª rodada, outra vitória magra, por 1 a 0, contra o Ceará. Num jogo em que Gabriel Brazão voltou a fazer defesas decisivas. Menção honrosa também para o atacante Erick Pulga, do Ceará, que perdeu gol inacreditável, aos 26 minutos da etapa final. Com o gol vazio, ele, dentro da pequena área, cabeceou para fora a bola que valeria o empate do Vovô. Queda de público A falta de ânimo da torcida também pode ser confirmada na queda do público na Vila. Pela lógica, quanto mais perto do acesso, o Santos deveria atrair mais torcedores ao estádio. Mas o que acontece é o contrário. Dos últimos cinco jogos como mandante, o pior público foi o da vitória sobre o Ceará. Contra o América-MG, 10.160 torcedores estiveram na Vila. Diante do Novorizontino foram 11.119. Na partida contra o Operário-PR, 9.938; enquanto na vitória sobre o Mirassol, 11.816 prestigiaram o Peixe. Diante do Ceará, uma queda drástica de público no Alçapão. Apenas 8.548 torcedores pagaram ingresso para assistir mais um sofrido triunfo alvinegro. Falta de sintonia O futuro de Fábio Carille, que há tempos parece ser longe da Vila, fica cada vez mais evidente a cada entrevista do técnico. Questionado sobre a permanência no clube, já que o contrato prevê uma renovação automática em caso de acesso, o treinador desconversou após a vitória sobre o Ceará. “O planejamento já começou e eu faço parte do planejamento, independente de eu ficar ou não. Não tem nada definido, temos que sentar com os meus empresários, esperar definir (o acesso), tem contratos (de jogadores) que terminam por aí. Estou participando, mas isso não quer dizer nada em relação à permanência do ano que vem, tem a ver porque sou o técnico”. O discurso contrasta com as falas de Carille quando do seu retorno ao Santos, em dezembro passado, quando se mostrou empolgado com a volta ao Alvinegro. A postura atual deixa claro que o próprio treinador não se sente mais confortável na Vila. Apesar da torcida ter dado uma trégua no duelo contra o Ceará, sem perseguir o técnico com xingamentos e vaias, como em jogos recentes, Carille demonstra que, cumprida a missão, o seu destino estará selado. E ele será fora de Santos. A diretoria, que bancou o treinador em momentos críticos, quando a pressão pela demissão era grande, mantém compasso de espera. Mas, nos bastidores, o trabalho de Carille também não agrada a maioria. Diante de tantas insatisfações, a melhor solução, ao que parece, é uma rescisão amigável. O que deve satisfazer, ao que parece, a todos os envolvidos.