Leandro Silva e Fábio Carille podem estar vivendo as últimas semanas no Alvinegro (Raul Baretta/Santos FC) O “casamento” entre Santos e o técnico Fábio Carille, ao que tudo indica, tem prazo para acabar: dia 26 de novembro, data da última rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. A cada partida do Peixe na competição, fica mais claro o distanciamento entre o treinador e o clube. Seja pela postura apática do profissional no banco de reservas, as sonoras vaias da torcida dirigidas ao treinador ou numa certa impaciência dele nas entrevistas, que neste sábado (28) teve um novo capítulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No confronto contra o Operário-PR, na Vila, Carille não cumpriu o protocolo destinado aos técnicos, que ao chegar ao estádio do jogo, dão uma rápida entrevista para a emissora de televisão detentora dos direitos de transmissão. Ao final do duelo, vencido pelo Alvinegro por 1 a 0, o treinador também não concedeu a protocolar entrevista pós-jogo, alegando que, como fizera em outros clubes, cederia a vez ao seu auxiliar, Leandro Silva, o Cuquinha, para “valorizar o grupo de trabalho”. Se a motivação parece nobre, por outro lado, mostra que Carille tem cada vez menos disposição para ser questionado pelos profissionais de imprensa sobre o mau desempenho técnico da equipe na Série B. Nem a liderança do campeonato o exime das críticas. O previsível jogo do time e as partidas vencidas à base do pragmatismo do treinador, além de algum sofrimento, falam mais alto. Eficiente, mas nada vistoso Líder, com 53 pontos, dois a mais do que o Novorizontino, que joga nesta segunda (30), às 21 horas, contra a Ponte Preta, em Novo Horizonte, o Santos tem a melhor defesa e o segundo melhor ataque da Série B. São 60% de aproveitamento em 29 jogos disputados, com o maior número de vitórias no certame: 15. Dos 15 triunfos, o pragmático 1 a 0 é o placar predominante. Foram cinco, contra Chapecoense e Operário-PR (na Vila), além de Ceará, Brusque e Botafogo-SP (todos fora de casa). O Santos de Carille também venceu quatro jogos por 2 a 0: Paysandu, Ituano e Goiás (na Vila) e Avaí (fora). O placar de 2 a 1 foi registrado duas vezes, contra Ponte Preta (em Campinas) e América-MG (em casa). Somente em quatro dos 15 triunfos, o Santos venceu por três ou mais gols de diferença. Foi um único 3 a 0, diante do Paysandu em Belém do Pará, dois 4 a 0 contra Brusque e Coritiba, ambos na Vila, e um 4 a 1 sobre o Guarani, também em casa Por que a bronca da torcida? A trajetória santista na segunda divisão, em síntese, traduz o currículo que Carille construiu ao longo da carreira: um comandante que dirige times que jogam sem brilho e levam poucos gols, mas são eficientes. Se o que se vê do Santos em campo é essa tradução e a meta traçada é o acesso à Série A, cada vez mais próxima (o time precisa de 11 pontos em nove jogos para chegar aos 64 pontos que, matematicamente, garantem o objetivo), por que, então, a maior parte da torcida se mostra avessa ao técnico? As respostas variam. Pode ser o surrado mantra de que o técnico não tem o “DNA ofensivo”, discurso discutível, uma vez que nem sempre, em sua história, o clube primou por essa característica. Um argumento mais plausível é que, após um bom Campeonato Paulista, derrotando os três rivais da Capital e disputando uma final equilibrada contra o poderoso Palmeiras, o torcedor esperava mais. Até porque o Alvinegro ostenta a folha salarial mais pesada da Série B, com vários jogadores de nome, com destaque no futebol brasileiro e até no exterior. Esse combo, teoricamente, na cabeça do torcedor, seria suficiente para fazer o time "voar" na segunda divisão. Longe disso, a realidade é outra. A equipe vai fazendo, a cada rodada, o feijão com arroz. E ainda que tenha deixado o prato queimar em algumas jornadas, segue no caminho certeiro da Série A. Como lembrou o auxiliar Cuquinha, na entrevista de sábado (28), após a vitória sobre o Operário-PR: “A Série B é diferente, não é um jogo tão vistoso, é um jogo de força e contato. Pegamos muitos times com essa característica, você ganha, perde e acaba tendo essa visão”. Restando nove partidas, o melhor para todos, Santos, torcida e Carille, é desarmar os espíritos e focar no objetivo. Afinal, o acesso pode vir com mais quatro vitórias. Ou três vitórias e dois empates. E o dia 26 de novembro está logo aí.