[[legacy_image_313082]] Nesta segunda-feira (20), a Portuguesa Santista completa 106 anos de muita história vivendo um momento especial. Ganhou a Copa Paulista no mês passado e voltou ao cenário nacional com a vaga para a próxima Copa do Brasil. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A reta final do torneio foi de muita emoção, a Cidade toda abraçou a Briosa. Os jogos decisivos reuniram os tradicionais torcedores e simpatizantes do futebol e também atraíram um público jovem. As arquibancadas e o alambrado de Ulrico Mursa receberam muitas crianças e adolescentes, como a Lara, a Bia e a Clara, que fizeram questão de tirar fotos com a Cachopinha, mascote rubro-verde. Virou programa dos colegas da escola e do prédio ir ao jogo da Portuguesa. E todos uniformizados. Essa garotada pode não saber ainda, mas a Associação Atlética Portuguesa é fundadora da Federação Paulista de Futebol, teve os jogadores Tim e Argemiro convocados para a seleção brasileira ainda na década de 1930 e foi Fita Azul do futebol brasileiro em 1959, depois de uma excursão de 15 jogos e 15 vitórias na África do Sul. Nessa viagem, os guerreiros da Briosa não derrotaram apenas os times locais, mas golearam o racismo quando se recusaram a jogar caso os negros do time santista não pudessem entrar em campo. Mais do que um estádio de futebol, Ulrico Mursa era um celeiro de craques. Muita gente boa de bola saiu da Avenida Pinheiro Machado para fazer fama. Alguém já ouviu falar da fábrica de grandes zagueiros? Os saudosos Clóvis Queiroz, Osmar, João Carlos Rodrigues, Marçal, Arouca e Ailton Silva estão aí para contar histórias. Todos foram parceiros ou herdeiros do bom futebol, da dedicação e da raça do capitão Adelson, um símbolo de jogador de defesa. O grande zagueiro Marçal, que a Briosa revelou para o Santos, sempre enalteceu a qualidade do capitão Adelson e a capacidade dele de incentivar os mais jovens. “O Adelson foi fundamental na carreira de todos os zagueiros que jogaram com ele. Grande jogador, com uma humildade enorme para ajudar a todos”. Adelson estava na Fita Azul, mas também estava na batalha de Campinas, onde a Portuguesa Santista derrotou a Ponte Preta e subiu para a elite do futebol paulista em 1965, no estádio Moisés Lucarelli. Lá em Campinas a equipe foi heroica porque o ambiente era muito hostil para receber os jogadores e torcedores que saíram do litoral. O saudoso técnico Agenor Gomes, o Manga, escalou Cláudio; Alberto, Osmar, Adelson e Dé; Norberto e Pereirinha; Lio, Samarone, Valdir Teixeira e Baba. No time bem montado por Manga, coube a Samarone decidir a partida depois do toque de Baba. Samarone é outro que merece um destaque especial. O jogador revelado no Flamenguinho, do bairro Campo Grande, disputou dois campeonatos pela Portuguesa e logo despertou o interesse do Fluminense, e depois jogou no Flamengo, Corinthians e Portuguesa de Desportos. O time enfrentou muitas dificuldades, chegou a cair novamente e se reergueu outra vez. Em 1996, o capitão Fernando Matos foi decisivo para o retorno à primeira divisão, e em 2003 foi a vez de José Macia, Pepe, ele mesmo, o Canhão da Vila, comandar uma campanha vitoriosa, que levou a Portuguesa ao terceiro lugar do Campeonato Paulista com Souza e Rico. São muitas recordações de times mais recentes ou mais distantes, de jogadores inesquecíveis, como Gonçalo, Beristein, Serginho Paes de Melo, Lio, Baba, Zico. O tempo passou e a Briosa resiste ao tempo e às adversidades. O título da Copa Paulista, com o time muito bem comandado por Sérgio Guedes, com o bom goleiro Wagner Coradin e o artilheiro Franco, só confirma toda a tradição de um clube que pode até enfrentar problemas, mas nunca desiste de lutar. A classificação para a Copa do Brasil mostrou a força dessa camisa e como ela ainda é capaz de lotar um estádio. Que todos os caminhos continuem levando à Ulrico Mursa.