[[legacy_image_26251]] Ela entra em campo, anima a torcida, brinca com as crianças, tira fotos com os torcedores e vibra com e pelo time. Dia de jogo da Portuguesa Santista é batata! Está lá a Cachopinha, mascote do clube, passeando por Ulrico Mursa. Mas quem está dentro da fantasia? Com vocês, Luiz Paulo Neves Nunes. Bisneto de portugueses, nascido em Santos há 39 anos, torcedor rubro-verde fervoroso, professor e morador de Guarujá. É ele quem, há mais de dois anos, virou a personagem-símbolo da Briosa. Tudo por amor, pois o trabalho é voluntário. Oriundo de uma família de santistas, Luiz Paulo, quando criança, ia com o avô assistir aos jogos do Santos na Vila Belmiro. Era a época das vacas magras, final dos anos de 1980 e início da década de 1990. “O Santos não tava ganhando nada, eu não gostei do ambiente, todo mundo bravo. Um dia meu avô me levou no Ulrico Mursa e me senti acolhido, senti que eu era Portuguesa. Tinha uns 12, 13 anos”, relembra. Frequentador da casa lusitana desde então, Luiz Paulo se “transformou” no mascote do clube em janeiro de 2018, quando “intimou” o então presidente Emerson Coelho no estádio: “Cadê a Cachopinha?”. Com a resposta de que o rapaz que incorporava o mascote havia ido embora, Luiz Paulo viu a bola na marca do pênalti. “O Emerson disse: ‘(A fantasia) Não vai caber, mas se couber vai lá e brinca’. Sou meio gordinho, ficou apertada, mas acabou entrando e fui ao gramado. Levei uma parte da fantasia pra fazer uns ajustes e desde então só perdi um jogo do time”. Rolês da Cachopinha A identificação com a personagem foi tamanha, que Luiz Paulo, ou melhor, a Cachopinha, passou a acompanhar o time em alguns jogos fora de Ulrico Mursa. “Eu estava na final da Série A3 contra o Atibaia, em Bragança Paulista, quando subimos para a A2. Fui nos jogos da Copa Rubro-Verde, no Canindé; e este ano, no jogo contra a Portuguesa de Desportos, teve o encontro da Cachopinha com o mascote da Lusa”, conta. A brincadeira ficou tão séria, que ele participou, em dezembro passado, de um encontro nacional de mascotes em Porto Alegre-RS. Uma reunião animada que contou com o Saci do Internacional-RS, o Vovô do Ceará, o Coelho do Joinville-SC, o Periquito do Goiás... E já tem outro encontro agendado para este ano, em setembro, durante uma feira que será promovida pela CBF em São Paulo. Apoio da esposa e da massa Desfilar pela casa portuguesa de Cachopinha, equilibrando-se com o peso da cabeça e suportando o calor da roupa, é como dar aulas de Geografia para Luiz Paulo: trabalho que ele faz com desenvoltura, com o apoio irrestrito da esposa. “Ela dá sugestões, como que tipo de meia calça usar e a postura que devo ter pra parecer uma mocinha e não um cara gordinho, baixinho e careca travestido (risos)”. A força da torcida é outro trunfo da Cachopinha. “É um carinho muito grande das crianças, que vêm falar com ela. O torcedor tá ali torcendo junto, sabe do peso da fantasia, do trabalho voluntário e me protege, pede pra eu ter cuidado por onde piso”. Pai de dois meninos, Luiz Paulo diz que o mais velho, de 10 anos, não liga para futebol. Mas o menor, de 3 anos, já segue os seus passos. “Ele gosta, já identifica a bandeira, fala ‘Briosa, Briosa!’. E sabe que o papai é a Cachopinha (risos)”.