Pesquisa de italiano mostra que bisavô de Messi, avô da mãe do jogador, Célia Maria Cuccittini (à direita), nasceu em Ribeirão Preto (Reprodução/ Instagram/ Lionel Messi) O trisavô materno de Lionel Messi chegou ao Brasil pelo Porto de Santos, no litoral de São Paulo, antes de a família morar no interior paulista e, posteriormente, seguir para a Argentina. É o que indica um levantamento feito por A Tribuna no acervo do Museu da Imigração do Estado de São Paulo, em conjunto com a pesquisa do italiano Fiorenzo Santini, que identificou que o bisavô do craque teria nascido em Ribeirão Preto antes de seguir para a Argentina. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Quem descobriu as raízes brasileiras da família de Messi foi Fiorenzo Santini, ex-bancário e sociólogo da região de Marche, na Itália. A investigação foi feita a partir de pesquisas genealógicas e da etimologia do sobrenome de Messi: Cuccittini. Foram três anos de pesquisas, de 2019 a 2022, montando a árvore genealógica da família materna do jogador. Em 2022, a pesquisa rendeu a Messi o título de cidadão de honra de San Severino Marche. O interesse pela história da família do jogador começou quando Messi ainda era jovem e começava a se destacar pelo Barcelona. Para A Tribuna, Fiorenzo contou que o sobrenome de Messi chamou sua atenção por suspeitar de que tivesse origem local. A partir daí, conseguiu contato com o pai do jogador, Jorge Messi, por meio de um aplicativo de mensagens e por e-mail. Por conta disso, Fiorenzo escreveu um e-mail para Jorge Messi dizendo que ele era originário de Macerata. O pai do craque teria respondido que tinha orgulho de ter as raízes daquela região. Fiorenzo Santini contou que Jorge Messi o convidou para ir a Barcelona, na Espanha, em 2019, onde se conheceriam pessoalmente. O italiano, então, comentou o assunto com outra pessoa, que acabou tornando a informação pública, o que desagradou o pai do craque da seleção argentina. Anos depois, os dois retomaram o contato. Segundo o sociólogo, Jorge Messi pediu ao italiano que o auxiliasse na tradução de documentos para obter a cidadania italiana de sua mãe, Célia Maria Cuccittini, e de seus filhos. "Percebi que eles já eram italianos. Jorge já estava inscrito no Registro de Italianos no Exterior (AIRE), em Recanati, mas a cidade não tinha notado. Estavam inscritos há nove anos, mas ninguém percebeu. Os trisavôs do Messi são de Recanati”, ressalta o pesquisador para A Tribuna. Dificuldades para identificar as raízes italianas de Messi Apesar disso, houve dificuldade para identificar as raízes italianas de Lionel Messi, porque o sobrenome “Cuccittini” não existia na Itália. Segundo Fiorenzo, o contato com Luis Cuccittini, padeiro e primo de primeiro grau do jogador, ajudou a desvendar o mistério. Embora não falassem o mesmo idioma, os dois conseguiram se entender. Fiorenzo Santini contou que recebeu documentos do padeiro, que é primo da mãe de Messi, que indicavam a mudança de nome e sobrenome na chegada ao Brasil. A partir da conversa, Fiorenzo descobriu que a família materna de Messi também tinha origem na região, a poucos quilômetros da família paterna, e localizou documentos de Raniero Coccettini e Ricquessa Rosa, trisavós do jogador, que emigraram em 1899. Ligação de Messi com Santos O sobrenome Cuccittini ajudou Fiorenzo a identificar a ligação do jogador com o Brasil. Segundo ele, não havia registros desse sobrenome na Itália, o que indicava uma possível alteração feita após a chegada da família à América do Sul. A pesquisa revelou que o craque tem raízes italianas por parte de pai e de mãe. O bisavô paterno de Messi, Ângelo Messi, nasceu em Recanati, na região de Marche, na província de Macerata, e deixou a Itália em 1893 com a esposa rumo a Rosário, na Argentina. Já a linhagem materna do jogador passa pelo Brasil. O trisavô materno de Lionel Messi, Raniero Coccettini, nasceu em San Severino Marche, na mesma província italiana. Ele se casou com Rosa Ricchezza e teve dois filhos na Itália, Giulia e Francesco. A família embarcou no navio Washington e chegou ao Porto de Santos em 20 de setembro de 1899, conforme registros de matrículas do Museu da Imigração. Segundo Fiorenzo Santini, ao chegar ao Brasil, o nome de Raniero Coccettini foi alterado nos registros para Ramiero Concenttini. Registro de Matrícula encontrado no acervo do Museu da Imigração de São Paulo mostra que Ramiero chegou ao Brasil através do Porto de Santos com o objetivo de ir até Rincão (Reprodução/ Acervo do Museu da Imigração de São Paulo) O imigrante foi registrado como agricultor e contratado para trabalhar em uma das fazendas de Martinho Prado Júnior, em Rincão, no interior de São Paulo, a pouco mais de 70 quilômetros de Ribeirão Preto. Isso mostra a ligação do craque com a cidade da Baixada Santista. Prado Júnior também era proprietário de grandes casas de exportação, localizadas principalmente perto do Porto de Santos, executando o transporte, armazenamento e comercialização do café. A família de Concenttini permaneceu no Estado de São Paulo. Em Ribeirão Preto, Ramiero e Rosa tiveram outros dois filhos: Ermínia, em 1900, e Arderigo, em 1904, segundo documentos e informações repassadas ao pesquisador pela Província de San Severino Marche. Sobrenome alterado Por meio de Arderigo, ocorreu outra alteração na linhagem da família de Messi. No Brasil, ele passou a ser registrado como Federico, enquanto Coccettini foi transformado em Cuccittini. “O Federico é o bisavô do Messi”, destaca Fiorenzo Santini. A família deixou o Brasil e seguiu para a Argentina, um ano após o nascimento de Federico. O desembarque ocorreu em 27 de setembro de 1905. Documento da cidade italiana mostra que Arderigo (posteriormente Federico), bisavô de Messi, nasceu em Ribeirão Preto (Arquivo pessoal/ Fiorenzo Santini) O grupo se estabeleceu na região de Rosário, onde nasceu o avô do jogador, Antônio Cuccittini, e posteriormente, a mãe de Messi, Célia Maria Cuccittini. A linhagem chegou ao jogador Lionel Andrés Messi Cuccittini, nascido em 24 de junho de 1987. Em relação ao estudo, Fiorenzo Santini afirmou que fez a pesquisa por filantropia e que não pretende ganhar nenhum dinheiro com isso. Genealogia Segundo o jornalista e geneologista especialista em genealogia italiana, Leonardo Vantini, a passagem de imigrantes italianos pelo Brasil antes de seguirem para outros países da América do Sul era comum no fim do século 19 e início do século 20. Naquele período, o governo brasileiro subsidiava a viagem de imigrantes para atender à demanda por mão de obra nas fazendas, especialmente após o fim da escravidão. Famílias eram recrutadas na Itália por agências de imigração e colonização e recebiam contratos temporários para trabalhar no Brasil. "Provavelmente, a família do Messi veio primeiramente para o Brasil, ficou os primeiros anos e tinha um contrato com o objetivo de depois ir para a Argentina. Isso era muito comum", explicou Leonardo Vantini. A mudança no sobrenome também não seria incomum. Segundo o genealogista, muitos imigrantes eram analfabetos e falavam dialetos locais, enquanto os registros eram feitos de forma declaratória por cartorários e religiosos. Assim, os nomes eram frequentemente escritos conforme a interpretação fonética de quem fazia o registro. No caso da família de Messi, Coccettini teria sido registrado como Cuccittini, enquanto Arderigo passou a ser Federico.