Enquanto o mundo volta suas atenções para a Copa do Mundo de 2026, que terá seu jogo de abertura protagonizado pela seleção do México, uma lembrança especial permanece viva em Santos. Há 12 anos, os astecas escolheram a Cidade como sua casa durante a primeira fase do Mundial realizado no Brasil e transformaram o município em um dos principais centros de atenção fora das sedes oficiais da competição. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mesmo sem receber partidas da Copa do Mundo de 2014, Santos viveu intensamente o clima do torneio ao hospedar duas seleções: México e Costa Rica. A presença das delegações movimentou a economia, o turismo e o cotidiano da Cidade, que recebeu cerca de 12 mil turistas estrangeiros ao longo do evento, segundo dados da Prefeitura. A escolha não aconteceu por acaso. A proximidade com a capital paulista e a estrutura esportiva oferecida pelo Santos Futebol Clube foram fatores decisivos. Enquanto os mexicanos utilizaram o CT Rei Pelé como base de treinamentos, os costarriquenhos fizeram sua preparação na Vila Belmiro. A seleção mexicana chegou cercada de expectativa. Integrante do grupo do Brasil, era uma das equipes mais acompanhadas da competição e atraiu uma legião de torcedores, jornalistas e profissionais da imprensa internacional para Santos. Gonzaga virou território mexicano Hospedada no Parque Balneário Hotel, no Gonzaga, a delegação mexicana transformou o bairro em uma extensão de seu país durante o Mundial. Bandeiras verdes, brancas e vermelhas passaram a decorar bares e restaurantes, enquanto comerciantes adaptaram cardápios para atender aos visitantes. O movimento era intenso. A cada partida da seleção mexicana, quiosques da orla e estabelecimentos da região ficavam lotados de torcedores vestidos com as cores da equipe. A preparação para receber a delegação exigiu adaptações especiais. Como determina o protocolo da Fifa, andares inteiros do hotel foram isolados para garantir privacidade aos atletas. A equipe também trouxe seus próprios chefs e nutricionistas, além de solicitar ingredientes típicos da culinária mexicana, como diferentes variedades de pimentas e itens utilizados na preparação de tortillas. A movimentação das delegações também chamava atenção dos moradores. Era comum ver os ônibus das seleções sendo escoltados por batedores da Polícia Federal e do Exército nos trajetos entre os hotéis e os locais de treinamento. A tranquilidade da Cidade foi um dos pontos mais elogiados pelas delegações (Rogério Soares / AT) Cidade respirou a cultura mexicana A presença dos astecas foi tão marcante que Santos promoveu uma programação cultural dedicada ao México antes mesmo do início da competição. Por meio da Oficina Cultural Pagu, a Cidade realizou o projeto "Arriba, Arriba, Pagu!", que apresentou oficinas, exposições e atividades voltadas à história, à arte e à cultura mexicana. Entre as atrações estavam ações inspiradas na artista Frida Kahlo, oficinas de histórias em quadrinhos e debates sobre a influência da televisão mexicana no Brasil, com destaque para fenômenos populares como "Chaves" e "Maria do Bairro". A iniciativa buscava aproximar moradores e visitantes da cultura do país que faria de Santos sua base durante o Mundial. Estrutura elogiada por seleções A tranquilidade da Cidade foi um dos pontos mais elogiados pelas delegações. O técnico da Costa Rica, Jorge Luis Pinto, destacou publicamente a hospitalidade dos moradores e afirmou que Santos oferecia o ambiente ideal para concentração. O reconhecimento não veio apenas das equipes que ficaram na Cidade. Antes da definição das bases oficiais da Copa, representantes de seleções como Inglaterra, Alemanha, Bélgica, Grécia e Coreia do Sul também visitaram Santos e avaliaram suas instalações. A combinação entre estrutura esportiva, rede hoteleira e localização estratégica ajudou a consolidar a imagem da Cidade como um destino apto a receber grandes eventos internacionais. Seleção do México chegou a treinar no CT do Santos FC em 2014 (Rogério Soares/ Arquivo AT) Festa nos treinos Mesmo sem acesso direto aos jogadores, torcedores faziam questão de acompanhar a rotina das seleções. As imediações do CT Rei Pelé e dos hotéis ficavam movimentadas diariamente por fãs em busca de fotos, autógrafos ou simplesmente para ver a passagem dos ônibus das delegações. O clima era de festa. Quando os veículos apareciam, a recepção muitas vezes lembrava a que seria feita à própria seleção brasileira. A gratidão dos visitantes também ficou registrada. Um dos destaques da histórica campanha da Costa Rica, que chegou às quartas de final daquele Mundial, o atacante Joel Campbell afirmou à imprensa internacional que a recepção em Santos havia sido "incrível" e que a equipe se sentia em casa. Agora, às vésperas de mais uma Copa do Mundo e com o México novamente em evidência por disputar o jogo de abertura do torneio, a lembrança daquele junho de 2014 segue viva. Durante algumas semanas, Santos se transformou em uma pequena capital do futebol mundial e mostrou que, mesmo sem sediar partidas, também soube fazer parte da história da Copa.