O futebol feminino brasileiro passa a ter diretrizes legais permanentes para o desenvolvimento da modalidade no país. A nova lei, publicada no Diário Oficial da União, reconhece a modalidade como prioridade da política pública esportiva nacional. Além disso, o texto define ações para ampliar a participação de mulheres no esporte, fortalecer a profissionalização das competições e combater diferentes formas de discriminação. A legislação prevê ainda a promoção da equidade de oportunidades no futebol feminino, ao considerar desigualdades territoriais, socioeconômicas, raciais, etárias e relacionadas às pessoas com deficiência. Também determina a adoção de medidas para garantir a segurança, a integridade física e psicológica das atletas, além da proteção dos direitos ligados à gravidez e à maternidade. Diretrizes Entre os objetivos da nova lei estão: Garantia do direito ao esporte para meninas e mulheres; Promoção da igualdade de oportunidades no futebol feminino; Incentivo à igualdade salarial entre homens e mulheres no esporte; Combate à discriminação, ao racismo, à intolerância e à violência contra as mulheres; Ampliação da participação feminina em cargos de gestão, direção técnica e arbitragem; Proteção dos direitos relacionados à gravidez e à maternidade; Cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios para fortalecer a modalidade. Atribuições A lei atribui ao Ministério do Esporte a responsabilidade de promover condições favoráveis para o desenvolvimento do futebol feminino profissional e amador. Entre as medidas previstas estão o estímulo à inclusão da modalidade em programas de formação esportiva, o apoio a competições de base e o incentivo à criação de calendários organizados com antecedência para clubes, atletas e demais profissionais do setor. O texto também prevê ações voltadas à capacitação e à empregabilidade de mulheres em diferentes funções ligadas ao futebol, como arbitragem, treinamento, gestão e educação física. Além disso, o governo poderá fomentar parcerias entre escolas, universidades e clubes para a identificação e o desenvolvimento de talentos. A norma estabelece limites para inscrição de atletas não profissionais em competições oficiais femininas, como forma de incentivar a profissionalização gradual da modalidade. Os parâmetros iniciais são: Principal divisão nacional : Até 4 atletas por equipe Demais divisões nacionais e principal divisão estadual: Até 6 atletas por equipe Outras competições profissionais: Até 8 atletas por equipe De acordo com a lei, o governo federal deverá definir cronograma para reduzir progressivamente esses limites até que as competições sejam totalmente profissionalizadas. Combate à discriminação A nova lei determina que o Ministério do Esporte – em conjunto com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), federações e clubes – elabore protocolos de prevenção e enfrentamento à discriminação, intolerância e violência contra as mulheres no futebol. As medidas deverão abranger atletas, árbitras, treinadoras, torcedoras, gestoras, profissionais de educação física e outras trabalhadoras da modalidade. Lei Geral do Esporte A nova legislação altera dispositivos da Lei Geral do Esporte e passa a exigir das entidades esportivas: Programas permanentes de prevenção e combate à violência contra a mulher; Protocolos contra discriminação e intolerância; Estruturas equivalentes para atletas mulheres e homens em formação esportiva; Manutenção obrigatória de equipes femininas de futebol para obtenção de determinadas certificações esportivas. Essa última exigência entrará em vigor em 180 dias, prazo que poderá ser prorrogado por igual período. A lei também determina a elaboração de um plano de legado da Copa do Mundo Feminina da Fifa 2027. A competição ocorrerá no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. O texto deve estar alinhado às estratégias nacionais de desenvolvimento do futebol feminino. A expectativa do governo é que o torneio internacional funcione como instrumento para ampliar a participação das mulheres no esporte, aumentar a profissionalização da modalidade e fortalecer sua sustentabilidade econômica no país.