[[legacy_image_233696]] Quando o Rei dava seus primeiros passos na Vila Belmiro, o Santos já tinha três títulos estaduais, conquistados em 1935, 1955 e 1956. Com ele, porém, o Peixe se tornou um time mundialmente icônico. Foram mais dez estaduais, além de dois Mundiais de Clubes, duas Libertadores da América, seis Campeonatos Brasileiros e quatro edições do Torneio Rio-São Paulo, entre vários outros torneios de menor expressão. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em 1957, Pelé deu início ao show sem limites. Campeão da Copa Rocca pela seleção brasileira, ele voltou para o Santos e marcou 36 gols no Campeonato Paulista. No ano seguinte, comemorou o primeiro Estadual com a camisa do Peixe marcando 58 gols, um recorde aé hoje. [[legacy_image_233697]] Daí em diante, o talento do Rei percorreu o mundo, tanto com os três títulos mundiais alcançados pela seleção brasileira como as Libertadores, os Mundiais e as excursões pelo Santos. Na primeira delas, em 1959, o Rei anotou 28 gols em 22 jogos. Na conquista do primeiro Mundial de Clubes, em 1962, contra o Benfica, o Santos fez aquela que, para muitos, é maior atuação de sua história. No segundo jogo, em Lisboa, o Peixe, que já havia vencido o adversário no Maracanã por 3 a 2, marcou 5 a 2, com direito a três gols do Rei – Coutinho e Pepe também marcaram. Nos anos 60, o Brasil era dono do melhor futebol do mundo, e o Santos figurava como o representante mais legítimo do país do futebol. Em 1964, outro momento inesquecível de Pelé foi quando o Santos goleou o Botafogo-SP por 11 a 0. O Rei anotou 8 gols. O Corinthians foi a maior vítima de Pelé. Ao longo de sua carreira, o atacante santista fez 50 gols no arquirrival. Nunca ninguém vazou tanto a meta corintiana como Pelé. [[legacy_image_233698]] O milésimo golNa noite do dia 19 de novembro de 1969, Pelé conquistou mais um título para sua carreira incomparável. O Santos vencia o Vasco no Maracanã, perante 65 mil pessoas, mas a vitória por 2 a 1 não foi o fato mais importante, a explosão maior do público se deu quando Pelé fez seu milésimo gol. O que se viu em seguida ao lance foi a emoção tomar conta de todos. Era gente chorando, gritando e aplaudindo. Repórteres fotográficos de todo o mundo se encontravam no estádio para registrar o importante fato da carreira de Pelé. Carregaram-no aos ombros, viram-no chorar e fazer um apelo às crianças pobres do Brasil, uma atitude julgada demagógica por alguns, mas aceita por aqueles que o conheciam e acreditavam na pureza de suas palavras. O gol de número 1.000, que a plateia tanto queria, não aconteceu no primeiro tempo. Santos e Vasco, já desclassificados da Taça de Prata, pouco produziram. Coube ao time carioca abrir o placar aos 16 minutos da etapa inicial, quando Benetti aproveitou cobrança de escanteio efetuada por Fidélis. O Vasco, conforme os registros, esteve melhor no começo da partida. O Santos, ou especificamente Pelé, desperdiçou ao menos três oportunidades de igualar o marcador. Havia o temor que ele não conseguisse fazer o gol consagrador. No segundo tempo, o time da Vila reencontrou seu futebol. Atacou mais, até que chegou ao empate, aos sete minutos. As reações foram de desespero e alívio, afinal era Pelé quem deveria ter marcado. Foi um gol contra. Aos 10 minutos, ao tentar impedir que uma bola, cruzada da esquerda, chegasse a Pelé, Renê cabeceou para suas próprias redes. O empate trouxe alívio, mas a missão estava incompleta. Finalmente, aos 34 minutos surgiu o gol de número 1.000. Pelé recebeu de Clodoaldo, pela direita, passou por Roberval, entrou na área, foi cercado por Renê e Fernando, que derrubou o Rei. Bola na marca, Pelé correu para a cobrança. O argentino Andrada, postado entre as traves, permanecia impassível. O camisa 10 do Santos confirmou o gol. Depois veio o delírio, com os jornalistas invadindo o gramado. Antes, Pelé correu e tirou a bola das redes, beijou-a, entregando-a ao técnico Antoninho, e pediu para sair. Nas entrevistas, pediu que os governantes cuidassem das crianças e olhassem pelo futuro do País. O jogo continuou e o Santos venceu, porém era o que menos interessava ao público, cativado por Pelé.