Ainda jovem, Eliziário se destacou na corrida por sua velocidade e resistência, recebendo o apelido de 'Motozinho' (Reprodução/ TV Tribuna) O paratleta Eliziário dos Santos morreu nesta terça-feira (4), aos 63 anos. Conhecido como ‘Motorzinho’, o ultramaratonista e atleta paradesportivo construiu uma trajetória inspiradora e marcou a história do esporte brasileiro no litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a assistência funerária Osan, de São Vicente, o paratleta teve seu velório realizado nesta quarta-feira (5) e foi sepultado no Cemitério Municipal Largo da Saudade, no Parque Bitaru. Nascido em 11 de agosto de 1961, em Itanhaém, Eliziário cresceu em uma família humilde e sempre ajudou os pais trabalhando como vendedor. O esporte entrou na sua vida como uma forma de lazer nos momentos livres. Após sair do trabalho, Motorzinho costumava ir direto para os seus treinos de corrida. Ainda jovem, Eliziário se destacou na corrida por sua velocidade e resistência. Ele chamava atenção não apenas pelo desempenho, mas também por sua incrível determinação. Em uma entrevista ao Tribuna Esporte, em 2024, o paratleta revelou que recebeu o apelido de ‘Motorzinho’ por falar e correr muito rápido. Eliziário viu no esporte uma maneira de mudar de vida. Ele recebeu uma proposta para correr em uma maratona e, caso ficasse no pódio dos três primeiros colocados, poderia competir de forma profissional. Assim, começou sua jornada e passou a competir. "Foi o atleta mais alto astral e de bem com a vida que já conheci. Tive o prazer de trabalhar diretamente na equipe com ele por 6 anos", conta o treinador Cláudio Diegues. Reinvenção Um dia, enquanto trabalhava como vendedor em uma loja de surfe, Eliziário foi vítima de um assalto por quatro criminosos. Em um episódio trágico, Motorzinho recebeu um tiro que o deixou paraplégico. O ocorrido deixou o atleta internado por sete meses, período em que aproveitou para aprender como se locomover e se adaptar à nova realidade. Apesar das adversidades, o atleta não abandonou o esporte. Ele se dedicou a modalidades adaptadas, como atletismo, corrida de rua, biatlo e travessias de mar aberto, competindo com pessoas sem deficiência. Eliziário se destacou como paratleta e participou de diversas competições, recebendo muitos prêmios e títulos. Entre seus feitos estão competições de biatlo com travessias, incluindo sete quilômetros entre Santos e São Vicente e uma prova de 22 km de Santos até a Base Aérea. Em 1997, Motorzinho participou dos 10 km Tribuna FM, a convite de Geraldo Pierotti, no grupo “Os Últimos Serão os Últimos”. A partir de 2005, tornou-se octacampeão do Ironman Brasil, participando de dez edições. Eliziário representou o Brasil no paraciclismo e em corridas de Ironman 70.3 nos Estados Unidos, Colômbia e México. Além de ser pioneiro no paratriatlo, natação em mar aberto e ciclismo adaptado. Aposentadoria Nos últimos anos, o paratleta enfrentou alguns problemas de saúde, como pedras nos rins e infecções no órgão. Aos 62 anos, se recusou a ficar parado e permaneceu fazendo fisioterapia e sessões de musculação. Ele passou por diversas internações devido a complicações renais até seu falecimento. Eliziário dos Santos deixa para a Baixada Santista um legado inestimável no esporte e de superação. Motorzinho foi um exemplo para a população, demonstrando resiliência e paixão pelo esporte.