Oscar Schmidt em ação no Pan-Americano de 1979, contra a seleção de Ilhas Virgens (Claudine Petroli/ Estadão Conteúdo) Um dos grandes técnicos do basquete nacional, José Medalha conviveu durante muitos anos com Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história da modalidade, que faleceu nesta sexta (17), em Santana de Parnaíba, aos 68 anos. E foi testemunha de como a dedicação pode moldar o talento de um atleta. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Oscar sempre foi muito dedicado, superando até a ausência de talento para jogar basquete. Tinha uma estatura privilegiada, mas muita dedicação, se tornando um grande ídolo do nosso basquete, recordista da seleção e das Olimpíadas, e um dos maiores pontuadores do basquete mundial. Ele deixa um legado de muita vontade, esforço. Nunca cansava, achava que a perfeição só vinha com treinamento”, disse Medalha para A Tribuna. Assistente técnico de Ary Vidal na histórica final do Pan-Americano de 1987, Medalha frisou que, apesar de o time norte-americano não contar, à época, com jogadores que atuavam na NBA, quatro atletas daquela equipe migraram para a maior liga profissional do mundo após a competição. “Era uma seleção fortíssima. Foi uma vitória que surpreendeu a todos, ganhar dos Estados Unidos, nos Estados Unidos. Eles nunca haviam tomado mais de 100 pontos numa competição e tomaram 120 (o Brasil venceu por 120 a 115). E o Oscar foi o grande cestinha, fez quase metade dos pontos (46). Aquela vitória foi o maior turning point (ponto de virada) da história do basquete mundial”. Respeito do Dream Team No comando da seleção em 1992, nas Olimpíadas de Barcelona, Medalha também viu o respeito com que os norte-americanos tratavam o brasileiro. “No jogo contra o Dream Team, os astros americanos reverenciavam o Oscar, o viam como alguém a ser marcado, se não eles teriam um problema no jogo”. Mesmo com Oscar, os gringos venceram fácil, por 127 a 83. Destacando a inquietação de Oscar, que “não admitia que nenhum atleta ficasse descansando em treinamento”, e o fato dele sempre repetir que defender a seleção era seu maior orgulho, Medalha aponta o Mão Santa como exemplo. “Oscar deixa esse legado, de muita dedicação, esforço, amor à modalidade. Tivemos Wlamir, Ubiratan, Amaury e outros jogadores que foram campeões mundiais. Oscar foi o grande líder da geração que perdurou até 1996, nas Olimpíadas de Atlanta, um período muito favorável ao basquete brasileiro. Tive o privilégio e a sorte de participar como treinador nessa época”. "Oscar dormia com a bola" Magic Paula teve o privilégio de assistir, no Market Square Arena, a uma das maiores conquistas do basquete brasileiro: a inesquecível medalha de ouro conquistada pela seleção masculina, de Oscar e companhia, sobre os Estados Unidos, no Pan-Americano de 1987, em Indianápolis, nos Estados Unidos. “Foi um momento histórico, bater os Estados Unidos naquela final. Eu sempre falei que o Oscar poderia não ser o mais habilidoso ou o mais rápido, mas ele era o certeiro. Você podia botar a bola na mão dele, que era certeza de ganhar jogos”, comentou Paula. Uma das primeiras lembranças de Paula, de ver Oscar em ação, aconteceu oito anos antes. “Em 1979, no Pan-Americano de Porto Rico, eu tinha 17 anos. E os meninos (da seleção brasileira) diziam que o Oscar dormia com a bola. Era fominha (risos)”, lembra a lenda do basquete feminino. Segundo Paula, o talento do Mão Santa foi talhado pela dedicação. “Oscar sempre foi um cara muito treinado, obstinado. Eram horas e horas ali, dentro de quadra”. Para ela, definir um dos maiores jogadores da história do basquete mundial é repetir adjetivos. “Falar do Oscar é redundância, reverenciado até pelos caras que a gente sempre teve como farol, do basquete americano. O Oscar sempre foi muito reconhecido, às vezes, mais fora do que no Brasil, jogou na Itália também. Não tem como mensurar, quem acompanhou e viu sabe a importância do Oscar para o basquete brasileiro e mundial”. “Grande história” Paula recordou a última vez em que se encontrou pessoalmente com o Mão Santa. “Foi há uns quatro anos, em Recife, num campeonato masculino. Encontrei com ele e a esposa, a Cris (Maria Cristina Victorino Schmidt). Meus sentimentos à família, porque o Oscar era basquete e família”. Impactada pela perda de uma das maiores referências do esporte nacional, Paula disse que, apesar da tristeza, o legado do Mão Santa é eterno. “É um dia triste para nós, os amigos, as pessoas que conviveram com ele. A gente gostaria que os ídolos não morressem, mas acho que o Oscar deixa uma grande história para o basquete brasileiro e mundial. Um cara que foi muito importante para várias gerações, tem respeito internacional”.