Luxemburgo: "Peço todo dia pra que o Neymar possa voltar pra seleção para ajudar o Dorival, porque o talento do Neymar pode ajudar numa Copa do Mundo" (Vitor Silva/CBF) Um dos problemas que aflige a seleção, que fracassou nas últimas Copas do Mundo e vem penando nas Eliminatórias para o Mundial de 2026, é a falta de empatia dos jogadores com o torcedor. Essa é a opinião do técnico Vanderlei Luxemburgo, que também vê os problemas na gestão do futebol nacional e a chegada de muitos estrangeiros, técnicos e jogadores, como fatores que dificultam o resgate da identidade brasileira. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! "Que jogador dessa seleção (atual) tem empatia com o povo brasileiro? O Rivaldo ficou quanto tempo no Palmeiras? O Cafu ficou quanto tempo no São Paulo e no Palmeiras? Roberto Carlos ficou quanto tempo no Palmeiras? Jogadores criaram uma empatia com a seleção e com a população brasileira. Eu, que sou do ramo do futebol, tem jogador que eu desconheço e, de repente, é convocado", pondera Luxemburgo. Para o treinador, a crise da seleção também reflete a perda da identidade nacional, que sempre se diferenciou pelo talento dos jogadores. "Hoje é transição ofensiva, defensiva, reativa, extremo desequilibrante. E jogar futebol? Nós ganhamos as Copas do Mundo com o talento do jogador brasileiro. Por isso que eu peço todo dia pra que o Neymar possa voltar pra seleção pra ajudar o Dorival, porque o talento do Neymar pode ajudar numa Copa do Mundo. Todos aqueles jogadores que estão lá vão melhorar muito com a chegada do Neymar. Tem bons jogadores, mas na hora que o Neymar chegar, chama a responsabilidade pra ele". Técnicos gringos Luxemburgo disse não ser contra os treinadores estrangeiros trabalharem no Brasil, mas considera alta a quantidade de profissionais que chegam ao País. "Que fique bem claro: eu não sou contra os treinadores estrangeiros, porque fui estrangeiro no Real Madrid. Mas será que todos os treinadores que estão aqui, que estão ocupando espaço de alguns brasileiros, são competentes pra dirigir os grandes clubes? O Artur Jorge é bom, o Jorge Jesus é bom, o Abel (Ferreira) é bom, mas será que todos os 14 ou 15 que estão aí são bons?" Neste aspecto, Luxemburgo também criticou a CBF, que abriu espaço para os profissionais estrangeiros em seus cursos de formação. "Não existe mais formação, sabe por quê? Porque os cursos da CBF não são mais feitos pelos treinadores brasileiros, são feitos por portugueses, que vêm dar aula no Brasil. É o futebol formado no Brasil hoje pra jogar no futebol europeu. Por isso nós estamos vendo o futebol hoje totalmente diferente".