[[legacy_image_229776]] Ele conheceu o jiu-jitsu em 2015 e hoje é campeão sul-americano da modalidade. Mas, até chegar no tatame, Juan Pablo Pino Cruz, de 21 anos, precisou enfrentar problemas familiares: os pais dele estavam se separando e isso o deixou psicologicamente abalado. No esporte, o atleta, que é de Praia Grande, encontrou apoio para superar o drama familiar, mudar as perspectivas de vida e hoje diz que o tatame é o seu “lugar de paz”. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “O jiu-jitsu é o único lugar onde consigo esquecer os problemas e ocupar minha mente. A modalidade me trouxe disciplina é isso foi fundamental para a minha superação”, admite o atleta. Como tudo começou A história do faixa roxa no esporte começou quando a mãe dele passou a trazer o então adolescente para Santos, para treinar em um projeto social do Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil de Santos (Sinpolsan) em parceria com o campeão de jiu-jitsu e mestre Raul Faconti.“Eu gostava muito de passar meu tempo livre na rua e minha mãe sabia que não era um bom lugar e que eu não iria aprender coisas boas. Então eu saía de Praia Grande todos os dias e vinha para Santos treinar jiu-jitsu”, explica Juan Pablo. Dedicado, com 17 anos o atleta conquistou títulos importantes na categoria faixa azul, como os campeonatos Mercosul, pan-americano e mundial de 2018. Mas quando iniciou na modalidade, nunca tinha imaginado que essas conquistas seriam possíveis.“Não entrei no jiu jitsu querendo ser um lutador profissional, mas aos poucos fui pegando gosto pela modalidade e crescendo no esporte”. “Também nunca imaginei em fazer uma viagem internacional, até porque os custos são bem altos. Mas o jiu jitsu me proporcionou isso e hoje vivo o Jiu-Jitsu todos os dias, é o meu trabalho”, diz. Destinado Apesar dos resultados positivos no esporte, o atleta decidiu abandonar o tatame por um período. “A separação dos meus pais me abalou bastante. Era muito difícil para eu aceitar, então procurei a felicidade em baladas e amizades que acabaram me afastando do esporte e da minha família”. Porém, o destino sabia que não era o momento para Juan Pablo se despedir dos tatames e, para se reconectar com a modalidade, foi morar em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes para tentar fugir das amizades e voltar a ser o Juan Pablo, lutador de jiu-jitsu. Lá ele conheceu campeões de jiu-jitsu e voltou a lutar. Logo quando retornou ao Brasil, contou com o apoio do antigo mestre, Raul Faconti, que lhe convidou para integrar uma equipe profissional. “Após eu voltar por motivos de depressão e saudades da família, o meu mestre ofereceu a oportunidade de fazer parte do time da sua nova academia, a Litoral Grappling, e sou muito grato por essa oportunidade. Se hoje vivo do jiu jitsu, ele foi essencial para eu estar onde estou”, admite. O mestre O projeto que apresentou Juan Pablo ao esporte foi idealizado há mais de uma década, em Santos, pelo mestre e campeão de jiu-jitsu Raul Faconti. A iniciativa atende crianças e jovens da Baixada Santista, com aulas gratuitas da modalidade. “Eu idealizei esse projeto e sempre tive essa missão de mostrar quanto o esporte é importante na vida dos jovens. São inúmeras as histórias de superação que já presenciei e uma delas é de um menino de 11 anos que estourou o ligamento do pescoço em um ataque de fúria. Hoje ele é vice-campeão brasileiro, vem para a aula sozinho de bicicleta”, relata Faconti, ao explicar que a modalidade interfere positivamente na vida dos jovens. Ano que vem, Raul Faconti pretende abrir 20 vagas em sua academia para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade que não possuem acesso ao esporte.