A Fifa emitiu um comunicado após a reunião da entidade realizada em Rabat, capital do Marrocos, nesta quarta-feira, 5. O principal assunto do encontro foi a repercussão negativa do Fifa Forward Enterprise (FFE), o plano frustrado de Gianni Infantino para admitir investimentos privados em competições organizadas pela organização. A entidade reconheceu que erros foram cometidos em relação ao projeto apresentado e também manifestou apoio total à gestão do atual mandatário no cargo. "A reunião também abordou a proposta do Fifa Forward Enterprise (FFE), onde foram reconhecidos os erros cometidos. Ficou acordado que não era intenção do Conselho da Fifa e das Associações Membros da Fifa se sentirem excluídas do processo e que o processo deveria ter sido tratado de forma diferente. Reconheceu-se ainda que erros também foram cometidos depois que a proposta vazou para a mídia", diz um trecho da nota. A reunião desta quarta contou com a participação de membros do Conselho Gestor da Fifa, do presidente Gianni Infantino e do secretário-geral da entidade, Mattias Grafström, que teria enviado um memorando a funcionários a funcionários dizendo que ‘indivíduos, momentos de instabilidade e episódios infelizes vêm e vão’, segundo o site norte-americano The Athletic. A suposta ação de Grafström teria agravado ainda mais a pressão sobre o ítalo-suíço. Apesar disso, os dois estiveram presentes nesta quarta no jogo entre Malawi e Zâmbia, pela Copa Africana de Nações feminina, sediada em solo marroquino. No comunicado, a Fifa afirmou ainda que enviou uma carta com pedido de desculpas ao Conselho da entidade e às federações filiadas a ela pelos equívocos relacionados ao FFE e garantiu que essas falhas não serão repetidas. "Em uma carta separada ao Conselho da Fifa e às Associações Membros da Fifa, foi feito um pedido de desculpas por esses erros, juntamente com o compromisso de garantir que eles não se repitam. Uma revisão será agora conduzida e um relatório será apresentado ao Conselho da FIFA em sua próxima reunião programada." Na nota, o órgão que governa o futebol mundial também reiterou que o FFE "está fora de questão" e que não irá mais tolerar ataques direcionados à gestão de Infantino. "Conforme comunicado anteriormente, a proposta da FFE, que estaria sujeita à aprovação das Associações Membros da Fifa e do Conselho da Fifa, está agora fora de questão. Com a retirada do projeto, ficou acertado que a Fifa não tolerará mais nenhum ataque à sua integridade, boa governança e devido processo legal e tomará todas as medidas necessárias para proteger e salvaguardar seu nome e reputação. Há sempre lições a serem aprendidas, e a Fifa continuará melhorando seus processos diante dessa experiência. Neste caso, no entanto, é importante salientar que, embora tenham sido cometidos erros, tudo o que foi feito foi feito em total conformidade com o quadro regulamentar da Fifa." Com a repercussão negativa de seu projeto, Infantino teve de recuar. Depois de tornar público seu plano na última semana, a Uefa ameaçou boicotar as competições da Fifa e outras confederações continentais se posicionaram contra a ideia. Após o fracasso de sua controversa proposta, Infantino busca apoio para tentar a reeleição à presidência da Fifa. Segundo o jornal britânico The Times, o ítalo-suíço teria oferecido nesta quarta a decisão da Copa do Mundo 2030 ao Marrocos, uma das três sedes principais do próximo Mundial, para obter apoio em troca. A entidade negou que tenha prometido a decisão da competição ao país africano. Em março de 2027, Marrocos será a sede do 77º Congresso da Fifa, evento que receberá a eleição presidencial.