Tradicionalíssima nos Estados Unidos, a centenária NFL vem expandindo fronteiras ano após ano (Reprodução) Arquibancadas lotadas, torcedores de todos os cantos do País e do exterior a caminho de São Paulo, transmissão ao vivo para todos os continentes, 42 mil ingressos vendidos em pouco mais de uma hora e promessa de festa inesquecível na Neo Química Arena. A descrição poderia ser de um jogo da Copa do Mundo ou da seleção brasileira em solo paulistano, mas se trata da primeira partida da NFL, a principal liga de futebol americano do planeta, a ser realizada no Brasil. Nesta sexta-feira (6), às 21h15, Philadelphia Eagles e Green Bay Packers entram em campo em Itaquera para um jogo que já entrou para a história antes mesmo do chute inicial. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Tradicionalíssima nos Estados Unidos, a centenária NFL vem expandindo fronteiras ano após ano, de olho nos lucros que uma presença massiva no exterior pode trazer à liga e aos 32 times que a compõem, com novos mercados a serem explorados, além de fãs apaixonados e acostumados a expressões como touchdown, fumble, tackle, quarterback, Hail Mary, kicker e kickoff, entre outras. Nesta noite, o Brasil se tornará o sexto país a receber um jogo de temporada regular, se juntando a Canadá, Inglaterra, México, Alemanha e Estados Unidos, é claro, onde o esporte nasceu na segunda metade do século 19. O esporte ganhou popularidade em terras brasileiras em uma longa jornada. Exibição de reprises na TV Tupi, transmissões ao vivo do Super Bowl, que é a final da NFL, acompanhamento da temporada regular na TV a cabo, surgimento da internet, aproximação proporcionada pelas redes sociais e o trabalho de profissionais da comunicação que se dedicaram a explicar as diversas regras e peculiaridades do esporte ao público ajudam a entender o fato de, atualmente, haver 36 milhões de brasileiros consumindo futebol americano no País, de acordo com dados da própria liga. "Era difícil imaginar há 30 anos, quando eu comecei a transmitir NFL, um jogo no Brasil. Lembro que, em 1992, fizemos a transmissão do Super Bowl lá em Pasadena, na Califórnia, mas não pensava nisso. Nos anos 2000, começamos a ver times surgindo no Brasil, campeonatos, percebia-se o crescimento, mas mesmo assim não vislumbrava jogos da temporada regular fora dos EUA. De 2010 em diante, isso mudou. A NFL quis propagar o esporte, levou jogos para México, Inglaterra, Alemanha, aí o cenário mudou e o futebol americano cresceu muito", relembra o narrador Ivan Zimmermann, que transmitiu a NFL por décadas na ESPN, BandSports e Band. O jornalista Paulo Mancha, especializado em futebol americano, destaca o poder do mercado brasileiro como fator decisivo para a bola oval, as traves em formato de Y e as linhas demarcatórias de jardas tomarem conta do estádio do Corinthians na noite desta sexta-feira. "É a primeira vez que a NFL faz um jogo no Hemisfério Sul. Isso mostra que o mercado brasileiro é muito importante para eles. Em termos de consumo, só o México está na frente em mercado estrangeiro da NFL. Isso é muito bom, pois mostra que esse esporte está reverberando e pode trazer mais jogos ao Brasil". Um detalhe que deve chamar atenção do público que for à Neo Química Arena é a organização que a NFL faz questão de manter em seus eventos, um diferencial de décadas destacado por Zimmermann e que ajuda a explicar a presença do futebol americano em países conhecidos pelo amor ao bom e velho futebol jogado com os pés. "Cada equipe tem um proprietário, eles criam um comitê, têm um executivo que comanda a liga... A organização realmente chama atenção, com calendário fixo, o mesmo regulamento por anos". O jogo Dois pontos chamam atenção em relação à partida desta noite. O primeiro é que a liga aceitou tirar dos Estados Unidos um jogo da semana de abertura do campeonato, uma das mais importantes do calendário, que teve início ontem e vai até 9 de fevereiro de 2025. O outro é que as duas equipes que vêm ao Brasil são consideradas candidatas ao título. Um jogaço com alguns dos melhores jogadores da NFL desfilando seu talento em São Paulo. "São dois times ótimos, que chegaram aos últimos playoffs. O Green Bay Packers só foi eliminado pelo San Francisco 49ers, que foi ao último Super Bowl. Tem um elenco jovem, em renovação, com talentos como o quarterback Jordan Love e uma torcida empolgada. Os Eagles também vêm fortes para esse ano, com um quarterback excelente, Jalen Hurts. Na temporada passada, o time de Filadélfia começou muito bem, com 10 vitórias em 11 jogos, mas caiu demais na reta final e foi eliminado rapidamente nos playoffs. São dois times que estão entre os dez melhores", analisa Mancha. E o futuro? O Brasil faz parte do plano de expansão da NFL, que decidiu aumentar o número de jogos no exterior e, em um primeiro momento, definiu que haveria um rodízio entre São Paulo e Madri, com nosso país recebendo uma partida em 2024 e a capital espanhola ficando com outra em 2025. Contudo, a expectativa é que o Brasil conquiste um espaço antes inimaginável e o sucesso já observado fora de campo faça a liga retornar anualmente à América do Sul. "Se tudo correr bem dentro e fora do estádio, como foi na Copa do Mundo e na Olimpíada, a NFL pode seguir no Brasil, pois eles sabem que o mercado é bom. Poderemos ter jogos no ano que vem, o Rio de Janeiro quer se candidatar para receber jogos. O Brasil precisa vencer dificuldades, como a questão da segurança, que é o que mais preocupa quem mora nos EUA e no Canadá, onde moro atualmente. Os norte-americanos e canadenses temem os assaltos", resume Mancha. Curiosidades O palco: a Neo Química Arena foi escolhida para o jogo por ter vantagens como estação próxima de metrô e um estacionamento amplo, que permite a manutenção de tradições antes de jogos, como o tailgate – festa com churrasco e música. Ciente da rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, o Philadelphia Eagles, que tem o verde como cor principal e é o mandante da partida desta sexta-feira, jogará com camisa branca e calções e capacetes pretos, similar ao uniforme corintiano. A estrutura: 45 toneladas de equipamentos vieram dos EUA nos últimos dias para o jogo em São Paulo. São uniformes, capacetes, traves, equipamentos de som, iluminação e materiais gráficos O jogo: 15 minutos é o tempo de cada quarto em uma partida de futebol americano. Cada jogo tem quatro quartos. Mas, como o cronômetro é interrompido em diversas situações, um jogo costuma durar três horas. A música: a cantora Anitta fará um show no intervalo do jogo de hoje à noite na Neo Química Arena. Atrações musicais costumam ocorrer na NFL somente no Super Bowl, que é a final da liga, mas uma exceção foi aberta para o primeiro jogo no Brasil. Antes do jogo, a cantora Luísa Sonza cantará o Hino Nacional. A bola oval: o formato da bola utilizada no futebol americano é similar ao equipamento utilizado no rúgbi, que inspirou a criação da modalidade. O formato permite que a bola seja lançada e agarrada com maior precisão pelos atletas. Pesa 200g e mede 30em x 18cm. Os maiores campeões: os times que venceram mais vezes o Super Bowl, jogo realizado pela primeira vez em 1967 para definir o campeão de futebol americano, foram o Pittsburgh Steelers e o New England Patriots, com seis troféus cada. O troféu se chama Vince Lombardi em homenagem ao histórico técnico do Green Bay Packers, vencedor do 1º Super Bowl. A referência: o jogador mais importante e vitorioso da história do futebol americano é o ex-quarterback Tom Brady, que se aposentou no ano passado e hoje está com 47 anos. Com a icônica camisa 12, ele possui sete títulos de Super Bowl, mais que qualquer equipe da NFL, sendo seis pelo New England Patriots e um pelo Tampa Bay Buccaneers.