Carlos Cordeiro, um dos principais conselheiros da Fifa, que representava a organização no grupo de trabalho da Casa Branca sobre a Copa do Mundo, renunciou nesta sexta-feira em protesto contra o plano de investimento privado da entidade. "Não posso ficar de braços cruzados enquanto a Fifa considera vender uma participação na Copa do Mundo", disse Cordeiro, ex-banqueiro do Goldman Sachs, em um comunicado anunciando sua renúncia como conselheiro do presidente da entidade, Gianni Infantino. Ele também instou outros altos funcionários da entidade máxima do futebol mundial a se manifestarem. Nos últimos anos, Cordeiro frequentemente acompanhava Infantino em visitas de trabalho para se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. "Deixe-me ser claro. Não participei desta proposta e me oponho a ela inequivocamente", acrescentou o ex-presidente da Federação de Futebol dos EUA. Cordeiro também classificou a subsidiária comercial de US\$ 20 bilhões como "um mau negócio para o futebol". "O futebol tem sido fundamental na minha vida e, depois de mais de 35 anos no setor bancário, compreendo tanto o valor deste ativo quanto as consequências de abrir mão de uma parte dele", disse ele. "É por isso que esta proposta deve ser rejeitada." Infantino propôs a separação dos negócios comerciais da Fifa - incluindo as Copas do Mundo Masculina e Feminina e o Mundial de Clubes - em uma subsidiária de US\$ 20 bilhões, com 20% detidos por investidores privados. O "investidor âncora", como descrito pela Fifa, é uma empresa sediada em Nova York, fundada por Joshua Kushner, irmão mais novo de Jared Kushner, genro de Trump. "A Fifa já tem acesso a recursos financeiros extraordinários. A organização possui bilhões de dólares em reservas e nenhuma dívida", observou Cordeiro, mencionando os US\$ 15 bilhões que a organização arrecadou nos últimos quatro anos com a recente Copa do Mundo Masculina. "Nesse contexto, vender uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol para arrecadar US\$ 4,2 bilhões faz pouco sentido. É hipotecar o futuro do futebol sem qualquer justificativa convincente", acrescentou. Cordeiro indicou que compartilhou cinco anos trabalhando para a Fifa ao lado de Infantino com "pessoas comprometidas e íntegras que se importam profundamente com o esporte". "Espero que eles também se manifestem", escreveu ele, "porque decisões dessa magnitude devem ser tomadas no interesse do futebol, não daqueles que buscam lucrar com ele".