Sob orientação de Rose Farias, Beth Gomes treina de forma intensa para chegar pronta na Paralimpíada (Eduardo Silva/ Especial para A Tribuna) A supercampeã Beth Gomes já seguiu para a França, onde vai disputar a terceira Paralimpíada, com início previsto para o próximo dia 28. A primeira foi com o basquete sobre rodas, em Pequim-2008. A segunda em Tóquio-2021, de onde voltou consagrada com a medalha de ouro e o recorde mundial, no lançamento do dardo. Agora, ela vai competir em Paris. Beth viajou cheia de sonhos e muita esperança para tentar subir no pódio mais uma vez. A Tribuna acompanhou o último treino dela, na semana passada, sob a orientação da competente técnica Rose Farias no tradicional Clube dos Ingleses & Caiçara, que acaba de completar 135 anos de história. E não poderia existir cenário melhor que o ambiente agradável e acolhedor, que passa muita tranquilidade e uma enorme paz de espírito, que combinam muito bem com o estilo de Beth e Rose. “Fui muito bem acolhida por todos aqui. Estou muito feliz”, diz a paratleta. Durante os treinos, Beth e Rose ainda contam com a companhia das jovens paratletas Ana Clara e Beatriz, que se inspiram na multicampeã. Depois do último treino, Beth e Rose contaram que, nos Jogos de Paris, as duas provas vão ser disputadas no mesmo dia: 2 de setembro. O arremesso de peso pela manhã, e a prova principal de Beth, o lançamento de dardo, no período da noite. Isso não é uma novidade para quem é campeã para-panamericana, paralímpica e bateu 41 recordes mundiais entre as três provas que disputa: lançamento de disco e dardo e arremesso de peso. “Nós já tivemos essa experiência no Mundial, é bem corrido ter duas provas no mesmo dia, desgastante até pela patologia dela (esclerose múltipla), mas a gente tenta amenizar o máximo possível, que ela descanse um pouquinho mais, se alimente bem e entre na segunda prova, o lançamento do disco, que é a prova principal dela, já recuperada”, comenta Rose Farias. Beth terminou a preparação com o mesmo otimismo de sempre. “Quero a torcida de todos, o calor de todos, para que eu possa fazer uma boa competição. Minha prova principal é o lançamento de disco, mas também tem o peso, que eu falo que é meu filhinho”. Rose também saiu feliz do treinamento final em Santos. “Foi um treino muito bom. A gente estava ajustando alguns posicionamentos para ela chegar bem focada nas provas em Paris”. Contudo, a preparação não terminou ali. “Estamos indo para a aclimatação em Troyes, na França. Ainda vai ter treino lá, um pouquinho mais de potência, para quando chegar perto da competição, possa fazer o polimento (descanso), para que ela entre bem no campeonato”. Beth fez 59 anos de idade, tem esclerose múltipla e nunca desanima. Quando olha para trás, relembra tudo que realizou. “É muito gratificante conquistar aquilo que sempre sonhei, quando ainda não deficiente e era jogadora de vôlei, mas Deus me deu a oportunidade de ir a duas Paralimpíadas, em duas modalidades diferentes. A primeira no basquete, e agora no atletismo”. Campeã de tudo que disputa, Beth ainda fica com aquele friozinho na barriga, na hora de embarcar para mais um desafio. “Com certeza. Minha terceira Paralimpíada, mas o friozinho dá aquela sensação boa, a adrenalina sobe, eu acho que a hora que passar esse friozinho, acho que estará chegando o tempo de se aposentar”. Parceria de sucesso Beth Gomes e Rose Farias trabalham juntas desde 2012. Beth só tem motivos para comemorar: “São 13 anos e eu digo que Deus me presenteou com uma treinadora, uma amiga, uma irmã, às vezes até mãe, né? Ela puxa as minhas orelhas, mas foi muito bom ela vir somar comigo, e eu digo sempre: um atleta nunca se faz sozinho. Ele sempre tem o seu treinador e eu tenho muita gratidão pelo trabalho dela, pela pessoa dela que ela é”. Rose complementa: “Estamos indo para 13 anos juntas. A Beth acredita em mim, confia no trabalho, confia na equipe, e estamos conseguindo almejar todos os títulos possíveis para ela, o que é muito gratificante”. Só não pense que com toda essa afinidade elas não enfrentam problemas. “Temos que estar sempre alinhadas no pensamento. Sempre que alguém foge da linha, tem que buscar para a realidade. E o dia a dia acaba desgastando. E nós estamos conseguindo nesses 13 anos uma parceira bem estável”. Rose vai para a segunda Paralimpíada. “Estive em Tóquio, lá foi muito tenso, muito difícil. Fui viver um sonho, mas também com muitas limitações por causa da pandemia. Agora vamos com outra perspectiva, um jogo mais aberto, mais feliz e festivo. A expectativa é grande”.