[[legacy_image_338528]] Considerado o primeiro fenômeno midiático do futebol brasileiro, Leônidas da Silva virou marca e garoto-propaganda de cigarros, de relógio, de goiabada, de pasta de dente e de chocolate (o Diamante Negro, da Lacta, comercializado até hoje e é seu eterno apelido). O enorme sucesso na Copa de 1938, na França, provocou, de vez, esse fenômeno. Ele foi artilheiro, com 7 gols, na campanha que levou o Brasil ao terceiro lugar na competição. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O craque, responsável por dar fama definitiva ao lance de bicicleta, morreu em 24 de janeiro de 2004, aos 90 anos, e deixou um acervo que era cuidado - desde antes disso - por Albertina Pereira dos Santos, companheira de Leônidas por cerca de 40 anos. Nascida em Santos, mas radicada na Capital há muitas décadas, ela faleceu em julho do ano passado. O testamento deixado por Albertina – feito uma década antes, em 2013 – foi lido e cumprido em outubro: os itens teriam como destino seu sobrinho-neto, o analista de gestão da Usiminas José Roberto Brandi dos Santos, santista de cidade e time, além de apaixonado pela história, com uma coleção que ultrapassa três mil jornais e revistas sobre o Peixe. “Sabia da existência, mas não tinha contato com 90% desse acervo. Ela sabia da minha paixão pelo assunto, mas ainda assim não imaginava que ficaria para mim. Fiquei absolutamente surpreso”, conta Brandi. Os direitos de imagem do craque também estão incluídos. O herdeiro vem catalogando todos os objetos, trazidos em quatro viagens para Santos. Até o momento, são 891, porém ultrapassam mil. “Minha tia guardou da melhor forma que podia, do jeito que entendia que deveria ser guardado. Como dizem meus amigos e minha família, que me apoiam, veio parar nas mãos da pessoa certa. Virei, além de Santos, Leônidas Futebol Clube”, comenta. [[legacy_image_338529]] Há fotos das décadas de 1930 e 1940, documentos, medalhas, placas de prata e variadas honrarias recebidas por Leônidas da Silva ao longo de seu período no futebol – pendurou as chuteiras em 1950 – e fora dos campos, como boinas usadas por ele. “É um patrimônio nacional”, resume o herdeiro. Além do arquivamento, também está sendo feito processo de recuperação e registro das peças em cartório e no Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), com a ajuda do museólogo João Pedro Rodrigues e a esposa. “Vamos dizer que um item suma do acervo por algum motivo. Se ele for encontrado na França, por exemplo, é crime internacional e inafiançável. O registro permite isso”, explica. A medalha recebida pela artilharia na Copa de 1938, um passaporte e uma carta da mesma época, além de um agasalho presenteado por Garrincha na Copa de 1962, estão na Fifa. Os artigos foram entregues pessoalmente por Albertina na sede da entidade que comanda o futebol mundial, em Zurique, na Suíça. O atacante faturou títulos cariocas por Vasco, Botafogo e Flamengo, foi vice-campeão uruguaio pelo Peñarol, além de cinco vezes vencedor do Paulistão pelo São Paulo nos anos 1940, tri brasileiro de seleções pelo Rio de Janeiro e uma vez por São Paulo, além de outros títulos pela equipe canarinho e uma longeva carreira como comentarista esportivo de rádio e TV, ramo em que é pioneiro e virou referência. “Ele também ajudou a popularizar Flamengo e São Paulo, como atestam os próprios historiadores desses clubes”, completa Brandi. Exposições itinerantes O trabalho de Brandi vai além da simples guarda dos materiais, mas também cumprir um ideal da própria tia-avó nos tantos contatos que tiveram, em Santos e na Capital: perpetuar a trajetória e o legado de Leônidas da Silva. “Ela sempre me disse que gostaria que ele fosse lembrado para sempre. Leônidas abriu caminho para todos”, lembra. A intenção é realizar exposições itinerantes, que serão elaboradas em breve, a partir do momento em que as peças e os direitos estejam devidamente registrados no cartório. O São Paulo foi o primeiro clube a procurá-lo. Com o Flamengo houve troca de e-mails. O próprio Brandi iniciou conversações com o Museu do Futebol. A CBF ainda não entrou em contato. “Leônidas não é deste ou daquele clube. É do Brasil, é do mundo”, sentencia.