Santista que trabalha no Palmeiras fala sobre a carreira e preparação física na base

Cyro Bueno é preparador físico da equipe sub-15 do Verdão. Antes, trabalhou na Portuguesa Santista e Desportivo Brasil

Por: Nathalia Perez & De A Tribuna On-line &  -  17/01/19  -  09:20
  Foto: Reprodução / Facebook

A prática esportiva sempre esteve presente na vida do preparador físico Cyro Bueno, de 29 anos. Natural de Santos, ele foi atleta de futsal durante a infância e na adolescência. A paixão pelo esporte era tanta que ele decidiu torná-la profissional se formando posteriormente em Educação Física. Com passagens pela Portuguesa Santista e Desportivo Brasil, ele hoje prepara os garotos do sub-15 do Palmeiras.


Em entrevista a A Tribuna Online, o profissional que está no clube alviverde desde 2017 comentou sobre sua carreira, relembrou seu trabalho na Briosa, falou sobre preparação física nas categorias de base, como a tecnologia auxilia o esporte e mais.


Portuguesa e Desportivo Brasil


“O futebol me abriu portas através da Portuguesa Santista, em 2014, e de lá pra cá as coisas vêm acontecendo”, contou Cyro, que passou três anos em Ulrico Mursa. “Todas as dificuldades e problemas estruturais - comuns em times pequenos -, foram encaradas e me deram uma capacidade de resiliência que eu considero essencial para um profissional do futebol. Fiz grandes amigos e fui muito feliz lá dentro. Hoje com certeza sou um torcedor da Briosa”.


Em 2016, ele foi para o Desportivo Brasil, clube de Porto Feliz que é gerenciado pelos chineses do Shandong Luneng. “Trabalhei na categoria sub-20 e disputei minha primeira Copa São Paulo de Futebol Júnior. É um clube que conta com uma grande estrutura e foi uma grande experiência na minha vida”, disse.


Chegada ao Palmeiras e conquistas


Um convite ilustre fez com que no ano seguinte, em 2017, ele fosse parar no Palmeiras: “Cheguei para o sub-15 depois de ser convidado pelo professor Paulo Victor, atualmente treinador da seleção brasileira da categoria. Foi um enorme salto na minha carreira, e pude considerar realizado um dos meus sonhos: trabalhar em um time grande. Ainda mais em um momento que o clube chegou a conquistas de alta representatividade na base nacional e internacional”.


Em sua primeira temporada no Verdão, sua categoria venceu o Torneio Brasil/Japão, a Nike Premier Cup, o Campeonato Paulista e a Paulista Cup. Já em 2018 os títulos foram uma Copa Brasil - Votorantim, o We Love Football, em Bologna, na Itália, e uma Dani Cup.


Preparação física na base


Perguntado sobre a maior dificuldade de preparar uma categoria de base, Cyro disse que lidar com pessoas, independentemente da idade, é o maior dos desafios. “Claro que existem as dificuldades logísticas e estruturais comuns no cotidiano mas, a gestão de pessoas tão diferentes, com anseios enormes e heterogêneos, com essências e criações muito diferentes, é um grande desafio diário”, afirmou.


Tecnologia no esporte


A tecnologia se faz cada vez mais presente e necessária no futebol. Não só quando o esporte está ‘valendo’, mas também nos bastidores dele. Na preparação física, ela auxilia diretamente no controle da carga de trabalho, conforme explicou Cyro.


“Hoje em dia, especialmente no cenário de futebol profissional, o calendário competitivo agrava o quadro de lesões e de possíveis lesões na temporada. Reduzir o tempo de inatividade do jogador é uma premissa dos departamentos de preparação física, fisioterapia, medicina e fisiologia. Nesse sentido, a tecnologia a cada ano vem auxiliando a conduzir esse processo, tanto no âmbito da carga externa, com uso do GPS, por exemplo, quanto na carga interna, usando frequencimetro, plataforma de salto e câmera termográfica”, falou.


Cyro destacou que o uso de recursos tecnológicos requer um grande aporte financeiro, mas não pode ser tratado como a única saída para um bom trabalho. “É importante dizer que é possível fazer preparação física sem uma alta demanda tecnológica”.


Categorias de base no Brasil


Inserido no meio do futebol de base desde o início de sua carreira, o preparador acredita que as categorias juvenis ainda estão muito longe do ideal no Brasil. “No entanto, penso que nunca estivemos tão perto. Interior, capital e litoral afora, é possível ver as grandes atividades de base no país”, opinou.


“Muitas vezes, inclusive, as categorias de base se encontram em pequenos, mas organizados e apaixonados clubes. Grandes jogadores e profissionais seguem despontando no Brasil e mundo afora, mão de obra brasileira”, disse ainda.


“Mas é evidente que, de modo geral, os grandes problemas seguem sendo de ordem estrutural e, principalmente, organizacional. Gestões descabidas e sem sentido seguem afundando vários clubes na lama, tanto no cenário profissional quanto de base”, concluiu.


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