Das quadras ao jogo da vida, Buru se dedica à formação de jovens no basquete santista

Nome emblemático do esporte regional, ele está há 40 anos só no Clube Internacional criando vínculos e afetos

Por: Régis Querino  -  02/12/18  -  13:56
Há mais de 50 anos no basquete, Buru orgulha-se de sua carreira no esporte
Há mais de 50 anos no basquete, Buru orgulha-se de sua carreira no esporte   Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Experimente chegar ao Clube Internacional de Regatas, em Santos, e perguntar pelo técnico Dirceu Leal. Dificilmente alguém saberá quem você procura, mas bastará dizer o apelido, “Buru”, para que lhe encaminhem ao ginásio poliesportivo ao encontro do treinador das categorias de base de basquete.


Com 40 anos de casa, completados em outubro, Buru continua se dedicando ao trabalho de formação dos meninos. E a maioria nem sabe o nome real do professor. “Fiquei sabendo porque vi no Facebook”, diz um dos garotos da equipe sub-14, que treinava quando da visita da Reportagem de A Tribuna.

Aos 72 anos, mais de 50 deles dedicados ao esporte, Buru tem duas versões para o apelido que ganhou na adolescência. “Uma é porque meu irmão mais velho morava em Bauru e, do nome da cidade, virou Buru. A outra é que quando eu tinha uns 15 anos, era briguento, fui moleque de rua. E tinha um bandidão do Macuco que tinha esse apelido (risos)”.


Esse aspecto do passado foi importante quando Buru trabalhou por três anos e meio em uma unidade da antiga Febem (hoje Fundação Casa), em São Vicente. “Eu adorava trabalhar lá, mas no começo, se eu não tivesse a vivência da rua na juventude, eu dançava. Eles (os internos) ficavam me testando, depois pegaram confiança e quando saí, os moleques pediam pra eu ficar”, conta.


Idealista, Buru disseminou sua paixão pelo basquete para gerações de alunos. Além do Inter e da antiga Febem, o técnico perdeu as contas de quantos comandados teve no Clube de Regatas Santista, no Colégio do Carmo e na Escola Estadual Azevedo Júnior.


Buru completou 40 anos de Clube Internacional de Regatas
Buru completou 40 anos de Clube Internacional de Regatas   Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Sem contar os 40 anos na Faculdade de Educação Física de Santos (Fefis). “Comecei lá como aluno, virei professor e fiquei durante 15 anos na direção do curso. Antes eu corria de um emprego a outro, mas aí fui soltando. Aposentei no Estado, no INSS, fiquei só no Inter e na faculdade, mas faz uns três anos que deixei a Fefis”.


Formando para a vida


A dedicação de Buru vai além do trabalho na base. “Antes de técnico, sou educador. Sempre falei pros meus atletas que pode ser que não saia nenhum jogador (naquele grupo), mas vou ficar muito feliz se todos saírem pessoas do bem, com um futuro pela frente. A formação é meu principal objetivo com esses garotos”.


Para estimular a garotada, Buru faz analogias entre a modalidade e o cotidiano. “O basquete é a vida, você vai aprender pra competir. Na vida você vai estudar pra competir. Aqui (na quadra) vai competir contra um clube, na vida vai ser num vestibular, num processo seletivo de emprego. O mundo é competitivo, se você não competir, você sobra”, aponta.


Após décadas de ensinamentos, dentro e fora das quadras e ginásios, o maior prêmio para o treinador é quando algum ex-aluno faz contato. Nas ruas ou através das redes sociais.


“Às vezes eles entram no meu Facebook. Nem sei quem são, mas aí falam: ‘fui seu aluno no Inter, no Carmo...’. Essa é a coisa mais gostosa que tem, o reconhecimento que a gente tem perante eles. O maior salário é esse”, decreta.


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