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Segunda-feira

24 de Fevereiro de 2020

Superada a frustração, Beth Gomes quer subir ao pódio em Tóquio

Recordista mundial no lançamento de disco, santista que ficou fora dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, sonha em ir à forra no Japão

A frustração de não disputar os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, é coisa do passado. Para Beth Gomes, o momento é de celebração às conquistas de 2019 e foco nas Paralimpíadas de Tóquio, entre agosto e setembro deste ano. Competição em que ela não só tem vaga garantida, como é uma das favoritas a ganhar a medalha de ouro no lançamento de disco.

“Ninguém mexe na minha classificação!”, diz ela, escaldada com a experiência que teve no ciclo paralímpico passado. “Passei por uma reclassificação no Open Internacional, o evento teste no Rio, e a classificadora me jogou na classe mais alta. Ela não entendeu a minha patologia e me prejudicou”, diz Beth, que sofre de esclerose múltipla. 

Com a mudança de classe (de F54 para F55, que difere os competidores de acordo com o grau de deficiências e limitações físicas), Beth ficou fora dos Jogos do Rio. Hoje na classe F52, (quanto menor o número, maior o grau da deficiência), ela está prestes a realizar o sonho de competir em Tóquio. 

A santista de 54 anos teve uma experiência em Pequim-2008, mas em outro esporte: o basquete sobre cadeira de rodas. Agora, recordista mundial no lançamento de disco, Beth quer subir ao alto do pódio no Japão. 

“Tô muito confiante, junto com a minha treinadora, a Roseane Farias. Minha perspectiva tá muito boa pra Tóquio, focando nos treinamentos pra que eu possa trazer a medalha tão sonhada pro nosso Brasil, pra nossa Santos”.

Superação através do esporte

Em 1993, a guarda municipal Elizabeth Gomes sofreu uma queda e fraturou a tíbia. Era o prenúncio de que algo estava errado. “A doença estava se manifestando, fui perdendo o equilíbrio e a sensibilidade dos membros inferiores. Investigando descobriram a esclerose múltipla”, conta. 

De 1993 a 2000, Beth andava com o auxílio de bengala, mas em 2000, ela ficou paraplégica. Outros surtos da doença se sucederam com o passar dos anos. O último, em 2017, deixou sequelas nos membros superiores. Para controlar a evolução da esclerose, a paratleta faz tratamento contínuo. 

Nesta luta diária, o esporte cumpre papel fundamental. Além de promover a auto-estima, os exercícios evitam a atrofia dos membros e ampliam os horizontes de Beth Gomes. 

“Você sabe que pode, vai buscar, competir, mesmo dentro de suas limitações. Você é capaz de mostrar pra sociedade que não é porque tem uma deficiência que o mundo vai parar”. 

Quebrando recordes

E não parou mesmo para ela, que a cada ano acumula recordes mundiais e medalhas de ouro. Em 2019, ela foi ouro nos Jogos Parapan-Americanos de Lima e no Mundial de Dubai. Quebrou três vezes a marca no lançamento de disco. A última, em novembro, no Mundial, quando fez 16,89m. 

O resultado a credencia a subir ao pódio em Tóquio, mas Beth sabe que a tarefa não será fácil. E aponta paratletas da Ucrânia, México e Estados Unidos como as suas maiores rivais na briga por uma medalha. 

Apoio, porém, não vai faltar. Ela cita o incentivo dos familiares, dos amigos e da equipe que a acompanha há anos na Fundação Pró-Esportes de Santos (Fupes) para alcançar o seu objetivo. “É muito gratificante saber que você não está sozinha”. 

Temporada premiada 

O reconhecimento à grande temporada de Beth Gomes veio com a eleição no Prêmio Paralímpicos 2019, promovido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro, no dia 17 de dezembro passado, ao lado do paratleta paraibano Petrúcio Pereira. 

“Foi maravilhoso sair de casa e ser contemplada como a melhor atleta do ano, uma emoção muito grande. Veio pra coroar a minha vida no esporte”, destaca a santista. 

No dia 21 de dezembro, a homenagem aconteceu em Santos. No Teatro Guarany, Beth Gomes recebeu da Fupes o prêmio Melhores do Esporte 2019, além de ser homenageada pela Guarda Municipal, da qual ela é membro da reserva.

 

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