[[legacy_image_284899]] Com a primeira prancha adaptada em 2006 na Escola de Surfe de Santos por uma necessidade de um aluno, a Cidade tem se tornado referência, com novos modelos, usados para as mais abrangentes necessidades. O coordenador da escola, Cisco Araña, destaca que, até hoje, mais de 80 pranchas já foram feitas e estão por todo o Brasil, além de países como Portugal, Espanha, Estados Unidos e Peru. No século passado, Santos saiu na frente, e começou a fabricação de pranchas e a prática do esporte no País, e hoje continua sendo referência quando se fala de inclusão na modalidade, com um projeto inovador e inclusivo. [[legacy_image_284900]] InícioA ideia surgiu em 1996, quando a Escola de Surfe recebeu um aluno cego. Com a falta de didática dos professores e de equipamentos especiais para pessoas com deficiência, Cisco, começou a desenvolver uma prancha para atender da melhor forma possível esse aluno para que ele pudesse surfar. “Ao longo de 10 anos, eu desenhei essa prancha com as suas especificidades e ela foi lançada no final de 2006. Era bem simples, mas super eficiente. Com o desenho permanente, com um deck tátil sobre o equipamento, ficou uma leitura fácil. Fizemos cerca de dez adaptações que melhoravam a didática do professor e também a autonomia do aluno”, conta. Com a procura crescendo, ele viu a necessidade de se pensar em um modelo multifuncional, que pudesse atender outros tipos de deficiência e, em 2014, surgiu uma prancha que se adaptava a várias necessidades e podia, por exemplo, atender cadeirantes ou pessoas com paralisia cerebral. A prancha, com cores fortes que ajudam quem tem algum grau leve de deficiência visual, côncava, entre outras coisas, conta com velcro para adaptar várias peças, frisos laterais e guizos para orientar as pessoas. “São infinitas variantes que nos permitem adequar o equipamento a qualquer corpo”, explica o desenvolvedor. Sem nenhum equipamento similar no mundo, o protótipo feito em Santos acabou se tornando referência. “Trabalhamos em cima de relatórios por conta do impacto da prática na melhoria da qualidade de vida dos alunos e estamos sempre aprimorando o desenvolvimento das pranchas no nosso laboratório”, afirma. [[legacy_image_284901]] Doadas“Desde o início, a ideia já era de fazê-las e doar. Esse projeto chama-se ‘Sonhando sobre as Ondas’, onde o desenvolvimento é gratuito, distribuímos as pranchas, ensinamos e eles vão embora. Com detalhe que ela nunca é vendida, sempre doamos”, reforça ele. Da prancha para a escolaCom a popularização do surfe adaptado por conta das pranchas, Cisco começou outro projeto e, em 2020, foi inaugurada, no Posto 3, a ‘Escola Radical de Surf Adaptado’, que hoje tem mais de 170 alunos e também se tornou a primeira do mundo a atender a tais especificidades. “Essa prática é muito importante e acompanhamos o desenvolvimento e melhoria dos alunos. Isso impacta na redução dos gastos públicos com terapias e comprova a qualidade que o nosso oceano traz para a saúde das pessoas”, avalia o coordenador.