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Segunda-feira

20 de Janeiro de 2020

Multiatleta que descobriu paralisia muito nova expõe dificuldades de continuar no esporte

Aos 16 anos, a paratleta Karina Becker se destaca no atletismo e no tênis de mesa, e ainda pratica natação. Ela, porém, não sabe até quando treinará

Aos 16 anos, a santista Karina Becker poderia estar fazendo planos para o restante de sua carreira no esporte paralímpico. Contudo, as dificuldades a fazem cogitar interromper a buscar pelos seus sonhos no atletismo, tênis de mesa e natação, mesmo que muito nova.

Diagnosticada cedo com paralisia cerebral e epilepsia, Karina diz ter tido sua vida salva graças ao esporte. Hoje em dia, ela se dedica quase que integralmente às modalidades que pratica.

Três vezes por semana, ela sobe a Serra para treinar nas pistas do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, localizado na Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo. Mas não sabe até quando estará no time mais cobiçado do País. 

"Hoje eu encerro o ano de treinos e não sei se voltarei ano que vem justamente por não ter suporte. Tudo sai do bolso da minha avó, que tem 77 anos e me cria. Ela tem que fazer empréstimos para me manter no esporte e chora muito com nossas dificuldades", desabafa Karina.

No atletismo, seu esporte favorito, a multiatleta é velocista e compete pela classe T37. Já no tênis de mesa, ela pertence à classe 8 e treina no Saldanha da Gama, em Santos. Seu desempenho em sua "segunda" modalidade é tão bom que ela é tricampeã das Paralimpíadas Escolares, o principal torneio de base do esporte paralímpico brasileiro.

Inclusive, foi por conta de suas performances no tênis de mesa que ela conquistou uma bolsa para atletas em um colégio de Santos. Já a natação aparece em terceiro na lista de prioridades da santista. 

Mesmo morando e representando Santos nas competições, Karina afirma não receber apoio da cidade. "O meu problema hoje e meu maior desgosto é não termos condições de nada. Várias pessoas prometeram ajuda e sumiram", conta ela.

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