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Segunda-feira

20 de Maio de 2019

Ex-técnico do voleibol do Santos fala sobre carreira na Suíça e mira até seleção

Leonardo Portaleoni faz sua segunda passagem pelo vôlei suíço, no Volleyball Franches-Montagnes

Na Suíça há cinco anos, o ex-técnico do time feminino de voleibol do Santos, Leonardo Portaleoni, acumula funções e tem uma rotina um tanto agitada atuando no vôlei local. Fazendo sua segunda passagem pelo Volleyball Franches-Montagnes (VFM), da cidade de Saignelégier, ele tem sua carreira centrada no vôlei feminino: é assistente técnico da equipe principal do clube, treina o time B, coordena as categorias de base e ainda comanda a seleção regional da modalidade.

"O dia a dia é de muito trabalho, e, durante as fases de campeonato, minha folga é de segunda. Mas nem todo mês dá para ter esses quatro dias de descanso. Em compensação, quando não tem as competições, é bem tranquilo e os finais de semana são livres", comentou, em entrevista à Tribuna On-Line, o santista, que esteve no clube suíço, primeiramente, de 2006 e 2009, quando voltou para o Brasil e treinou o Santos, equipe composta por atletas sub-21.

Em 2014, o VFM entrou em contato com ele e o perguntou se não havia interesse em voltar. Ele não hesitou. Hoje, além de estar à frente de uma equipe que disputa a terceira divisão nacional, ele é responsável pela formação de jovens jogadoras do clube, auxilia as atletas do time principal e prepara a seleção feminina do Jura, seu cantão (equivalente aos estados no Brasil) para disputas com outras regiões.

O santista coleciona várias conquistas. Entre elas, estão um título nacional com a seleção do Jura, em 2009, um troféu do campeonato suíço sub-19 de 2016, dois vice-campeonatos suíços sub-19, em 2015 e 2018, uma medalha de bronze no torneio nacional com a equipe adulta, uma com a escolar, e três campeonatos nacionais escolares. 

Time B do VFM, que disputa a terceira divisão nacional (Foto: Divulgação/VFM)

No último fim de semana, Portaleoni finalizou a temporada com o time B na terceira divisão nacional e garantiu o terceiro lugar na tabela de classificação. "O objetivo era se manter nessa divisão, não ser rebaixado, e conseguimos algo bem melhor do que nossa meta inicial. Foi muito acima", falou. Ele também classificou a categoria sub-23 entre os oito finalistas do campeonato de base, disputado em forma de torneio.

Diferenças

Familiarizado com o voleibol suíço, o treinador vê muita diferença entre a modalidade praticada no país europeu e no Brasil. "O Brasil é um país formador de atletas de alto nível, indiscutivelmente. O nível de jogo e trabalho no Brasil é muito melhor. A Suíça aparece em 52 no ranking feminino, enquanto nós estamos em quarto. É uma diferença absurda", relatou.

Ele pontuou que na Suíça, atualmente, há pouquíssimas jogadoras que vivem do vôlei. "Só quatro ou cinco jogadoras são profissionais no país, apenas. Mas os suíços estão se desenvolvendo, profissionalizando", afirmou ainda.

Legenda:  Leonardo expõe a medalha de vice-campeão suíço sub-19 em 2018. Ao seu lado, sua filha Lara e sua esposa Fernanda (Foto: Divulgação/Leonardo Portaleoni)

Início de carreira

Portaleoni foi jogador de voleibol de 1996 a 2001. Em 2002, após se formar em Educação Física, virou técnico. O primeiro clube no qual trabalhou foi o Internacional de Regatas, em Santos. Lá, ele treinou equipes masculinas. "No entanto, percebi que eu preferia treinar times femininos, e, de lá para cá, só trabalhei com equipes formadas por mulheres".

Passagem pelo Santos

O profissional recordou com carinho a época em que esteve à frente do Santos: "Foi maravilhoso. O Santos é meu clube do coração. A gente começou o trabalho de 2010, disputando sempre quatro campeonatos: regionais, abertos, paulista e juventude. Em 2011, ganhamos uma medalha. No ano seguinte, três. Foi um período de uma evolução", relembrou.

Saudade de casa

"A saudade de Santos é muito grande. Da família, dos amigos, do pão cará, da praia. Mas não tem planos de voltar para o Brasil. A qualidade de vida é bem melhor aqui na Suíça, e eu penso no futuro da minha filha. Também penso nos meus objetivos aqui, dos quais o maior é chegar à seleção principal da Suíça", concluiu.