Rogério Sampaio vai chefiar missão brasileira nos Jogos Olímpicos de Paris (Alexandre Loureiro/COB) Com a experiência de quem ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, o ex-judoca Rogério Sampaio, nomeado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) como chefe da missão brasileira nos Jogos de Paris-2024, pensou em tudo para que os atletas tenham as facilidades necessárias na capital francesa, que será palco da Olimpíada a partir do dia 26. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “Montamos um centro de treinamento a 500 metros da Vila Olímpica. Planejamos tudo para que a nossa delegação tenha privacidade e tranquilidade para pensar apenas na competição”, destacou Sampaio. Em 2021, dias antes de embarcar para Tóquio, como diretor técnico do COB, Rogério declarou para A Tribuna que aquele era o maior desafio da carreira. Agora, repetimos a pergunta antes da viagem para Paris. “Agora, o desafio é maior ainda, porque o nosso ciclo olímpico foi o menor da história”, comentou, em referência aos três anos entre os Jogos de Tóquio e de Paris, devido à pandemia de covid-19 que adiou as competições em terras japonesas. Rogério Sampaio está confiante na participação brasileira. Em 2016, no Rio de Janeiro, a delegação nacional ganhou 19 medalhas (7 de ouro, 6 de prata e 6 de bronze). Já em 2021, em Tóquio, foram 21 (7 de ouro, 6 de prata e 8 de bronze). “O sarrafo subiu e a gente quer fazer um amanhã melhor do que fizemos ontem. Tivemos atletas no pódio em 12 modalidades no Rio e em 13 em Tóquio. Esperamos que mais modalidades mostrem a sua força e assim conseguiremos cada vez mais medalhas”. O chefe da missão brasileira aposta na conquista de medalhas, em Paris, por atletas de modalidades que nunca subiram ao pódio. “Posso citar o tiro com arco, com o Marcos D’Almeida. Temos muita esperança na nossa equipe de ginástica rítmica e muita confiança no Hugo Calderano, que está entre os melhores do mundo no tênis de mesa”. Com toda bagagem que adquiriu no esporte, como atleta e dirigente, Sampaio acompanha todas as modalidades e enxerga grandes chances com vários atletas de ponta que já estão na história olímpica, como a maratonista aquática Ana Marcela Cunha e, claro, o judô, esporte que ganhou mais medalhas para o Brasil. “Temos judocas experientes e consagradas na equipe feminina, com novos talentos prontos para brilhar. Entre os homens, também há bons atletas”. Se o judô do Brasil confirmar essa tradição, serão 40 anos seguidos subindo ao pódio. Desde 1984, em Los Angeles, com o meio-pesado Douglas Vieira (prata), o leve Luiz Onmura (bronze) e o peso médio Walter Carmona (bronze). Em Paris, Sampaio vai voltar a frequentar a Vila Olímpica depois de 32 anos, quando ganhou o ouro em Barcelona. “O ambiente na Vila é contagiante com os melhores atletas do momento, também com 206 chefes de missão. Ainda não parei para pensar, mas vai ser uma emoção forte”. Na entrevista, o campeão olímpico voltou no tempo e se emocionou. “Eu me lembro como foi em 1992. Cheguei dois dias antes em Barcelona. Descansei no primeiro e já começaram os treinos. Preocupado em perder peso, os meus dias foram puxados, só saía pra treinar e competir”. Passados 32 anos do momento histórico na Espanha, todos sabem que o sacrifício valeu a pena. Curiosamente, Sampaio já acompanhou outros Jogos Olímpicos, mas sempre ficou longe da Vila. Foi comentarista em Atlanta-1996, Pequim-2008, Londres-2012 e Rio-2016, quando também teve papel importante trabalhando na área antidoping. Já em 2004, só viajou para torcer, ao lado do amigo Ivo Nascimento, por Leandro Guilheiro e Danielle Zangrando. Na época, os dois judocas de Santos representavam o Brasil em Atenas. Neste ano, o Brasil vai levar cerca de 275 atletas para a França. A delegação será menor do que em Tóquio-2021 porque as equipes do futebol e handebol masculino não se classificaram, mas Sampaio não desanima. “É um misto de ansiedade, entusiasmo e confiança. Eu gosto muito desse trabalho, desse processo de entrega para tudo sair perfeito”.