[[legacy_image_239045]] Ainda na infância, se aprende na escola que as três cores de um semáforo significam siga (verde), atenção (amarela) e pare (vermelha). Pois essa última parece predominar nos trajetos feitos por ruas e avenidas de Santos. Semáforos desinteligentes não permitem a fluidez do tráfego. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Essa é a percepção dos motoristas, profissionais ou não, ouvidos por A Tribuna. A sensação é de que, à medida que um sinal abre, o seguinte fecha. E um deslocamento que poderia ser mais rápido é retardado por uma descontinuidade na aparição das luzes semafóricas. PercursoA Reportagem percorreu algumas das principais vias de Santos, em trechos estabelecidos previamente. Além da aferição do tempo de percurso, foram verificados o número de sinais fechados e o tempo parado neles. Em resumo, a fluidez no trânsito é uma meta não alcançada em Santos. Na Avenida Conselheiro Nébias, por exemplo, entre a Rua Campos Salles e a Avenida Francisco Glicério, foram cinco paradas em sinais vermelhos, que totalizaram 56 segundos de um total de três minutos e 21 segundos (3min21s) do percurso feito. Na Avenida Ana Costa, entre a Avenida Francisco Glicério e a Rua Lucas Fortunato, o trajeto foi percorrido em 4min46s, com três paradas em sinais vermelhos, que somaram 1min39s. A Avenida Washington Luís foi percorrida nos dois sentidos. Em direção à praia, a partir da Francisco Glicério, foram 6min15s de percurso, com três sinais fechados e tempo de espera de 1min33s. No sentido Centro, até a Rua Brás Cubas, foram seis sinais fechados, que, juntos, somaram 3min12s em um trajeto de 9min30s. ImpressõesEm Santos, essa falta de sincronia é absurda. O lugar mais problemático é a Avenida Ana Costa. Mas, se começar a procurar, há muitas ruas na Cidade assim. Em um município onde cada esquina tem um, o semáforo inteligente já ajudaria”, afirma o taxista Tiago Aparecido da Silva. Com 15 anos de profissão, ele é categórico: “Em Santos, não se pode ter pressa para nada”. A taxista Alessandra Freire Castro, com 23 anos “de praça”, lembra que vários passageiros perderam compromissos, como consultas e exames médicos, em função de um trânsito prejudicado pela falta de sincronia semafórica. “Quando o passageiro fala para irmos rápido, digo que ele falou a palavra errada, porque tudo piora (risos). Em Santos, isso independe de horário. Mas, se chover, complica ainda mais”, resume. Mesmo quem não é profissional do volante sente os efeitos do “anda e para” por causa dos sinais vermelhos em sequência. É o caso do comerciante Luiz Carlos Gomes Cunha, de 50 anos. Morador do Bairro Aparecida, ele reforça que não é um caso específico de uma via da Cidade. “Moro no Canal 6 e utilizo muito a Avenida Pedro Lessa. Não consigo fluência no percurso, porque pego um semáforo fechado e, quando esse abre, o seguinte fecha. (A Pedro Lessa) É uma avenida comprida, mas, como tem muitos cruzamentos com semáforo, se para a todo instante. Dificilmente se consegue andar dois, três semáforos”, descreve. A professora Gisele Bovolenta, de 42 anos, que mora no Gonzaga, vai na mesma linha da necessidade de sincronização dos semáforos. “É uma temática necessária. Pensar na sincronização dos semáforos é pensar na fluidez do trânsito, com impacto no meio ambiente e na própria condução dos motoristas. Circulo muito pela Cidade, em carros de aplicativo, táxi, a pé ou de bicicleta e, quando sou passageira, vejo o estresse de alguns motoristas com isso. Mas a solução deve vir acompanhada de uma campanha de educação no trânsito, porque sinto falta de sintonia entre todos os atores das vias”, pondera. Solução até 2024A Prefeitura de Santos se manifestou por nota, segundo a qual a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) está modernizando o parque semafórico. O objetivo é ter, até o final do próximo ano, todos os equipamentos dotados de tecnologia para otimizar o funcionamento sincronizado. O processo custará em torno de R\$ 10 milhões. “O sincronismo dos semáforos é um dos grandes desafios para a melhoria da fluidez do tráfego na Cidade e requer investimento de alto custo”, diz a Administração. Segundo o Município, Santos tem 435 cruzamentos semaforizados, operados pela companhia, pela BR Mobilidade (em cruzamentos do Veículo Leve sobre Trilhos, VLT) e pela Autoridade Portuária (em pontos da malha viária no Porto). Do total, 46% são monitorados pela Central de Controle Semafórico, na sede da CET, na Vila Mathias. Ana CostaAinda de acordo com a Prefeitura, no caso específico da Avenida Ana Costa, está em andamento um modelo-teste de sistema semafórico integrado. A avenida pertence a duas redes de sincronismo. Uma, no trecho entre a Avenida Rangel Pestana e a Rua Lucas Fortunato. Outra, da Rua Almeida de Moraes à Praça Independência, incluindo cruzamentos adjacentes. “Ao longo da avenida, as controladoras semafóricas antigas que dependiam de cabos para comunicação entre si foram modernizadas para operar sem fio, por meio de rede móvel (celular). As vantagens desse processo vão de confiabilidade maior no sistema e redução do custo para manutenção à maior velocidade de comunicação”, menciona a Prefeitura. As controladoras estão ligadas à central semafórica, na sede da empresa, o que permite promover, remotamente, alterações quando se identifica um problema. A correção ocorre com agilidade, o que evita ou minimiza possíveis prejuízos à fluidez do tráfego, conforme a Administração. VLTA Prefeitura explica ainda que, em relação à Ana Costa, no momento, a principal dificuldade ocorre no cruzamento com a Avenida Francisco Glicério, pela qual circula o VLT e onde há cruzamentos operados pela BR Mobilidade (responsável pelo modal). Esses semáforos têm tecnologia diferente da utilizada nos equipamentos da CET. “A direção da companhia municipal e a administradora do sistema do VLT estão estudando solução definitiva para a falta de sincronia”, complementa a nota enviada pelo Município.