[[legacy_image_283642]] O judoca cubatense Marcus Vinicius Mota, de 14 anos, conquistou a medalha de prata no Panamericano de Judô na categoria +64kg, disputado em Lima, no Peru, no último dia 15. Para subir ao pódio, Marcus precisou vencer não só os adversários, mas também os obstáculos financeiros e o próprio corpo. Correndo contra o tempo, a família conseguiu reunir o dinheiro necessário a partir de empréstimos bancários para inscrever o garoto no torneio e embarcar para o Peru, no que foi a primeira viagem de avião da família. “Até que achei a viagem tranquila”, diz Marcus, que embarcou com a mãe no dia 11 de julho e retornou ao Brasil no dia 17. Ao chegar no Peru, no entanto, a tranquilidade sentida pelo judoca no voo deu lugar ao nervosismo. “Foi a primeira vez que peguei no quimono de um estrangeiro”, conta. Além do clima de novidade, que naturalmente desperta ansiedade, as questões financeiras e uma lesão no dedo preocupavam Marcus. O judoca disputou o torneio com uma luxação no dedo anelar da mão direita, o que prejudicou seu desempenho e alterou toda a rotina de treinos. “Atrapalhou nos treinos, tivemos que adaptar o treinamento para o campeonato, essa foi uma das maiores dificuldades”, revela Alexsander Guedes, sensei de Marcus. Mesmo lesionado, ele venceu um equatoriano e outros dois brasileiro antes de chegar à decisão, disputada contra outro compatriota, o judoca Ramon Hsieh. Mais experiente e com um grau superior no judô - Hsieh é faixa marrom, enquanto Marcus é faixa verde -, ele conseguiu vencer o cubatense e tornar-se bicampeão Panamericano. “A luta foi bastante acirrada. Eu não conseguia fechar a mão (devido à lesão), aí ele conseguiu entrar um golpe e me imobilizar”, conta Marcus. “Pela lesão, dificuldades no treinamento e o estresse por não saber se ia conseguir o dinheiro (para viajar), a medalha foi até acima do esperado”, diz o sensei. “A nossa ideia era que ele chegasse ao menos no pódio, e ele já disputou a final, contra um garoto que está sempre disputando”, complementa. [[legacy_image_283643]] ProdígioMarcus deu seus primeiros passos no tatame aos 7 anos de idade, no Centro Esportivo Armando Cunha, no Jardim Casqueiro, bairro de Cubatão onde vive. Desde pequeno, ele demonstra aptidão para o esporte. “Logo no começo percebemos que ele era um ponto fora da curva”, diz Guedes, que começou a treiná-lo no Centro Esportivo Armando Cunha, no Casqueiro. Assim que foi possível, o sensei o inscreveu na federação paulista, para que ele pudesse disputar os campeonatos. Em sua estreia em competições, o judoca foi Campeão Paulista sub-11, em 2019, aos 10 anos de idade. Após o título, veio a pandemia, que paralisou os treinos, mas não o desenvolvimento físico do atleta. “Ele cresceu, ficou mais forte e, quando retornamos aos treinos, rapidamente ele pegou condicionamento físico; ele tem um talento para atividades físicas”, diz o sensei. Daí em diante, Marcus continuou progredindo no esporte, até que, neste ano, ele conquistou o primeiro lugar no Campeonato Nacional de Judô na categoria sub-15 super pesado (+81kg), no Rio de Janeiro. O feito o credenciou a disputar o Panamericano. SonhoDe volta ao Brasil após conquistar a prata, Marcus está focado agora nas disputas dos campeonatos Paulista e Brasileiro que acontecem ainda neste ano, mas o garoto já sonha com seu futuro. “Meu sonho é me tornar um atleta profissional e disputar os principais campeonatos, como o Mundial e as Olimpíadas”, conta. VaquinhaEm junho, A Tribuna publicou uma reportagem contando sobre a vaquinha feita pela mãe de Marcus, Sandra Mota, para que o atleta conseguisse participar do campeonato. De acordo com ela, a Prefeitura de Cubatão não conseguiu ajudar com os custos da viagem. Além disso, ela precisou prorrogar até o final do mês o prazo do sorteio da rifa de um Pix de R\$ 500 que a família está vendendo. Ao todo, a viagem do judoca custou cerca de R\$ 14 mil, e, segundo Sandra, o embarque só foi possível graças ao auxílio de amigos, incluindo o sensei e pais de outros judocas . “Quando um atleta alcança esse patamar, a ansiedade deles é muito grande para poder ir (para as competições). Seria um balde de água gelada puxar o freio de mão dele, então pensei: ‘quando voltar, a gente se vira para custear esse valor”, diz a mãe.