(Arquivo AT) O retorno da Copa do Mundo ao México, ainda que desta vez dividindo com Estados Unidos e Canadá, provoca lembranças também na Baixada Santista. Explica-se: há quatro décadas, no Mundial de 1986, o santista Romualdo Arppi Filho apitou a decisão entre Argentina e Alemanha, em 29 de junho, quando os sul-americanos venceram por 3 a 2. O palco foi o Estádio Azteca, na Cidade do México, que abriu a competição daquele ano. Coincidentemente, nesta quinta-feira (11), outro brasileiro, Wilton Pereira Sampaio, esteve à frente da arbitragem no confronto entre México e África do Sul. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “É o máximo que um árbitro espera, desde sua formação, quando tira o diploma, chegar a uma final de Copa do Mundo. E eu, graças a Deus, apitei várias decisões paulistas, brasileira, da América do Sul, Taça Libertadores, apitei uma final dessa (Copa) Toyota, mas acredito que essa (Copa do Mundo) foi a principal”, disse o ex-árbitro, em fevereiro de 2014, para A Tribuna. A presença de Romualdo na final foi a repetição do que havia ocorrido quatro anos antes, em 1982, na Copa da Espanha, quando outro brasileiro, Arnaldo Cézar Coelho, comandou a arbitragem nos 3 a 1 da Itália sobre a Alemanha, no Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid. O Brasil é o único país sul-americano a emplacar árbitros em duas decisões seguidas de Mundiais. A confirmação de que Romualdo estaria na decisão veio quatro dias antes, na noite de 25 de junho, em reunião realizada no hotel onde a arbitragem estava hospedada. O encontro ocorreu horas depois da Argentina garantir a classificação ao eliminar a Bélgica, vencendo por 2 a 0. "Mesmo tendo ido bem pelas notas nos jogos que comandei (França 1 x 1 União Soviética e México 2 x 0 Bulgária, constatado nos encontros após as partidas, para mim foi uma surpresa", relembrou Romualdo. "E saiu tudo bem, graças a Deus. Foi uma partida tranquila. Apesar da Alemanha ter empatado em 2 a 2, depois de estar perdendo por 2 a 0, não houve aquela tensão toda, pois logo a Argentina fez o terceiro", emendou. Nem a presença de Maradona o intimidou. Tanto que o craque argentino ganhou um cartão amarelo de Romualdo antes da metade do primeiro tempo. "Não houve problema algum. Já o conhecia e dei o cartão a ele. Quando o alemão foi bater uma falta, o Maradona saiu da barreira e corre para frente da bola", descreveu. Disputa pela bola O trabalho eficiente de Romualdo também se repetiu para ficar com a bola da decisão, ainda que mais complicado. Em campo, formou-se um autêntico - e involuntário - jogo de gato e rato. "Queria terminar, mas não conseguia. A bola foi jogada na ponta direita, no bico da área. Quando estava viajando, resolvi terminar porque não conseguiria pegar", relembrou. Para ficar com a valiosa lembrança, Romualdo contou com a ajuda de um dos auxiliares, o sueco Erik Fredrikisson. "Um jogador pegou e foram buscar no vestiário, como geralmente acontecia. Foram devolvidas as bolas dos outros jogos, mas fiquei com a da final", explicou. Muitos anos depois, a famosa bola foi leiloada. Romualdo Arppi Filho, que residia nos últimos anos em São Vicente, morreu na noite de 4 de março de 2023, aos 84 anos, em Santos, vítima de problemas renais.