[[legacy_image_226523]] O time reserva do Brasil decepcionou. No último jogo da fase de grupos da Copa do Mundo, disputado nesta sexta-feira (2), a equipe do técnico Tite foi derrotada por Camarões, por 1 a 0, e perdeu a invencibilidade no Mundial do Catar. O tropeço, no entanto, não foi por falta de apoio dos torcedores da Seção de Acolhimento e Abrigo Provisório de Adultos, Idosos e Famílias (Seacolhe-AIF), na Vila Nova, em Santos. Apaixonados pela seleção brasileira e otimistas na conquista do hexacampeonato, eles, que se encontram em situação de rua e estão acolhidos no abrigo, se reuniram em frente à TV, mas ficaram com o grito de gol preso na garganta. A derrota, contudo, não tirou a confiança do título de Wesley Ferreira Evangelista, de 38 anos, que está em Santos e no espaço da prefeitura há pouco mais de um mês. Natural de Belo Horizonte, ele, que é motorista de caminhão, ainda acredita que o Brasil tem tudo para voltar do Catar com a sexta estrela no peito. "Vejo o Brasil com time para ser campeão. Só falta os jogadores darem o sangue em campo. Contra Camarões teve a questão de ser o time reserva e de eles não estarem acostumados a jogar juntos. Mas se eles se concentrarem, vamos ser campeões sim", diz Evangelista, que é o torcedor do Cruzeiro, mas sofre com vê a camisa amarelinha em ação. "A seleção em época de Copa é tudo pra mim. O futebol é a paixão do brasileiro. Quando estamos perdendo fico nervoso. Sofro mesmo. Toda derrota me deixa chateado", conta. [[legacy_image_226524]] À espera de exames para realizar uma cirurgia devido às pedras na vesícula, Evangelista quer se recuperar o mais rápido possível de todo esse processo para formalizar um trabalho e começar uma nova vida em Santos. Enquanto isso não acontece, ele segue se arriscando como comentarista. "A Copa está bem interessante. Tenho achado tudo bem embolado. Estou desconfiado de que o Japão continuará sendo uma surpresa bacana", avalia. Muito feliz Companheiro de abrigo de Evangelista, Dirceu Rodrigues da Silva, de 65 anos, também vê a seleção brasileira forte na busca pelo título da Copa do Catar. "Assisto à Copa do Mundo desde 1970. Sou um privilegiado por ter assistido Pelé, Jairzinho, Rivellino e Tostão. No começo não estava acreditando muito no hexa, mas agora estou mais confiante. Acho que a Argentina pode ser um problema para o Brasil, mas também não está bem. Então, acho que dá para ser campeão", fala Silva, que chegou em Santos há mais de 30 anos. "Sou de Apucarana, norte do Paraná. Sempre trabalhei com obras e, quando cheguei na Cidade, fiz amizade como estivadores, motorneiros de bonde e isso foi me ajudando a ficar", explica ele sem tirar os olhos da TV na esperança de interromper a conversa para gritar gol do Brasil. [[legacy_image_226525]] "Sofro por causa da seleção. Apesar de ser corintiano, sempre fico emocionado nos jogos do Brasil", continua. "Já morei na rua, mas depois que conheci o abrigo não saí mais. Tem quase um ano que estou aqui. Me tornei amigo dos operadores do abrigo, da faxina, da segurança e estou muito feliz", completa. E a felicidade de Silva se justifica ao tratamento no abrigo. Lá, ele, assim como os outros acolhidos, recebe quatro refeições diárias, desfruta de quartos, banheiro, TV, remédios e uma área para lavar as próprias roupas. Todos têm a liberdade de sair ao longo do dia. Porém, precisam respeitar os horários de retorno para passar a noite.