No ano passado, André conheceu Neymar no CT Rei Pelé em Santos; na última terça, comemorou em Oslo com uma das filhas a classificação norueguesa diante da Costa do Marfim (Arquivo pessoal) O cinegrafista André Østgaard, de 33 anos, verá neste domingo (5) um encontro de duas grandes paixões: seu país, a Noruega, e o Brasil, que se enfrentam pelas oitavas de final da Copa do Mundo, às 17 horas (de Brasília), no MetLife Stadium, em East Rutherford, nos Estados Unidos. O norueguês é torcedor do Santos por causa de Neymar. Embora esteja dividido, ele encara facilmente a situação. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! "Para mim, a escolha está fácil, porque eu amo muito a Noruega, o Brasil e o Neymar. Por outro lado, o maior problema, para mim, é que Neymar provavelmente jogará a sua última Copa e ele merece muito ganhar. Mas o Brasil já tem cinco e a Noruega, nenhum título e não jogava um Mundial desde 1998 (quando venceu o próprio Brasil por 2 a 1, na fase de grupos, na França). Então, a Noruega merece mais, porém o Neymar também merece. Torço muito para que ele comece a partida e jogue os 90 minutos. Se ele marcar gol, vou celebrar, porque ele merece, mas a Noruega tem que marcar mais. Se o Brasil ganhar, vou seguir na torcida para conquistar o hexa", comenta. Morador de Askim, de 15 mil habitantes, André acompanhou a classificação da Noruega, que bateu a Costa do Marfim por 2 a 1 na última terça (30), no Estádio Ullevaal, em Oslo, capital do país. A distância entre as duas cidades é de 59 quilômetros. E teve a remada viking, consagrada comemoração da torcida norueguesa nas arquibancadas do Mundial e repetida pelos jogadores após as partidas. "Tinham 36 mil pessoas (no estádio em Oslo). Levei uma das minhas filhas e gostei muito. Um clima incrível. Fizeram a remada no estádio, e, depois, em frente ao Palácio do Rei (residência oficial da família real norueguesa). Eu não sabia e não fui lá, mas vi os vídeos depois", conta. "Parece que o Brasil está gostando bastante também dessa comemoração. Espero que, no domingo, a gente possa fazer, porém com jogadores da seleção brasileira muito tristes assistindo", emenda, pedindo desculpas, com bom humor. O clima da Copa, na visão de André, está fazendo bem para a Noruega como um todo. "Aqui é muito frio e as pessoas não fazem muitas coisas juntas. Então, essa glória na Copa está juntando pessoas, mudando a nossa história e não só no futebol, mas a alma dos noruegueses. O próprio Haaland (destaque da Noruega no Mundial) falou isso em entrevistas, do quanto essa situação é especial para o país", argumenta. Razão da vida A paixão do norueguês pelo Santos começou em 2011 em razão de Neymar e do restante do time que disputou - e venceu - a Libertadores daquele ano. Acompanhou partidas de longe e de perto, incluindo a Vila Belmiro, em várias ocasiões, sempre com uma bandeira que une os símbolos do Peixe e da Noruega. "Fui para o Brasil três vezes adulto e duas quando criança. Tinha um tio norueguês que morava em Itu (no interior de São Paulo). Em 2025, conheci o Neymar, o que foi a realização de um sonho", relembra, referindo-se ao encontro em abril do ano passado, no CT Rei Pelé. "Ele é a razão da minha vida e de minha família. Devo tudo a ele. Conhecê-lo e contar minha história para ele foi uma experiência que guardo para sempre. Ele é muito humilde, gente boa". Não se trata de exagero quando André diz isso. Pelo Santos e pelo atacante, ele aprendeu português e conheceu, em 2020, a podóloga brasileira Karoline, de 26 anos, com quem se casou três anos depois. Eles têm duas filhas: Sunniya, de 2 anos, e Selena, de 7. "Encontrei a Karoline na Noruega. Ela era recém-chegada sem falar norueguês e foi por causa do meu português que tive chance", relembra, aos risos. A família toda estava presente no encontro com Neymar. André não vê a hora de voltar ao Brasil, mas as condições financeiras têm impedido. Na verdade, ele quer algo mais. "Amo o Brasil e quero viver aí. Me sinto bem em Santos. Mudo quando estou em Santos. Parece que estou em casa, mas infelizmente está complicado e caro. Por isso, não consigo ir com frequência", revela. "Temos três pessoas que a gente idolatra em casa: Pelé, Neymar e Haaland. Eles estão acima de tudo", finaliza.