O coração espanhol pulsou mais forte em um endereço no bairro do Campo Grande, em Santos. Começou tingido de esperança roja e terminou festejando o bicampeonato da Copa do Mundo. O Centro Espanhol vibrou como não fazia desde 2010, ano da primeira conquista. Porém, não foi tranquilo, como nem poderia ser. Afinal, é Copa do Mundo, e, do outro lado, havia uma equipe que se acostumou a se superar. Mas a supremacia espanhola nos 120 minutos parecia indicar: o bi era possível. No enorme salão da entidade, de crianças a idosos, o grito de “Vamos, Espanha!” era uníssono. “Estive aqui em 2010 e comemorei esse título. Foi mais que justo”, afirmou o piloto de avião Eduardo Mariño Rial, de 47 anos. Mas, até consolidar a conquista, houve tensão. Buzinas e gritos também acompanhavam o ambiente. Até mesmo divididas eram saudadas. Enquanto a Espanha acumulava chances perdidas, a prorrogação se aproximava. A entrada de Nico Willians e Merino foi aplaudida, e um “quase gol” celebrado pelos torcedores espanhóis foi a expulsão de Enzo Fernández, aos 48 minutos do segundo tempo. Veio a prorrogação e a ansiedade na torcida espanhola aumentava. Se uns balançavam bandeiras, outros silenciavam. O grito de gol saiu da garganta aos 5 minutos, mas acabou anulado. Mas a festa já estava preparada. No primeiro minuto do segundo tempo da prorrogação, enfim, uma comemoração que valeu. O gol de Ferran Torres foi celebrado entre gritos e lágrimas. “Obrigado, só posso agradecer. É muito boa essa sensação”, descreveu o auxiliar técnico eletrônico Enzo Gabriel Ignácio Da Val, de 21 anos. Membro do Grupo Caminos de España, ele, com seu bumbo, prometia uma apresentação com vários sons do país ibérico, como as muiñeiras, caso o título viesse. E ele veio. A comunidade espanhola reforçou seu lado festivo com a conquista deste domingo (19). Quem observava tudo era o engenheiro e ex-presidente do Centro Espanhol de Santos, José Barral, de 80 anos. “É indescritível, esperamos muito por esse novo título”. Foi só esperar pelo momento em que Rodri ergueu a taça. Os gols de Iniesta, em 2010, e o de Ferran, neste domingo, enfim, uniram um povo que pôde, novamente, ser o dono do futebol mundial. -Em Santos, Centro Espanhol vibra com o bicampeonato mundial (1.522292)