[[legacy_image_152355]] Há cerca de uma década, ninguém imaginaria que uma garota de 16 anos poderia se tornar um fenômeno por ser dona da conta mais seguida do TikTok, rede social criada em 2016 para o compartilhamento de vídeos curtos, com mais de 120 milhões de seguidores. Em 2019, ano de sua estreia na plataforma, Charli D’Amelio ganhou mais de R\$ 15 milhões com seus inúmeros contratos de patrocínio, de acordo com a Forbes. A ideia de celebridade vem mudando rapidamente. Hoje, o fato de alguém postar ‘dancinhas’ na internet, ou estar em um reality show como o Big Brother Brasil, por exemplo, já confere esse posto; diferentemente de gerações anteriores, que vinculavam a imagem de celebridade àqueles que teriam passado previamente pela indústria; como músicos, escritores e atores. “Música clássica, grandes obras de pintura, espetáculos de balé, por exemplo, sempre foram restritos a um percentual muito pequeno de pessoas. A capacidade de apreciação do que é erudito é muito complexa, não é algo que consegue atingir as massas. Agora, quando falamos de uma dança no TikTok que viraliza, falamos de algo que não existe complexidade para apreciação. Grande parte das pessoas consegue absorver”, explica o psicanalista, jornalista e pesquisador, Maycow Montemor. Identificação O psicanalista também afirma que tudo isso é um processo de identificação. “Não tem como a gente falar que antigamente as pessoas apreciavam obras de arte e que hoje elas apreciam uma dancinha de TikTok. A verdade é que sempre foi assim; a diferença é que antes o não erudito não tinha voz e quando ele começa a ter voz, ele gera identificação com um maior número de pessoas”. De acordo com Montemor, as pessoas podem até não apreciar o que esses artistas que surgiram tão rapidamente têm a oferecer mas, decerto, elas apreciam o patamar social e financeiro que está sendo alcançado. Um exemplo de celebridades que conquistam rapidamente seu espaço, além dos ‘ex-BBB’ e ‘TikTokers’, são os influenciadores digitais. Por definição, o influenciador digital busca atingir públicos específicos através de sua posição de prestígio, mudar o comportamento e as decisões de compra de seus seguidores. Processo cultural O especialista em Ciências Sociais, Rafael Moreira, afirma que atualmente há uma cultura estimulando as pessoas a querer se tornar celebridades, independentemente do que fazem. “As redes sociais são atalhos para as carreiras. Hoje em dia, já não é preciso uma carreira hollywoodiana de anos para ganhar uma maior projeção e, aí sim, tornar-se uma celebridade”, diz Moreira. “As pessoas, muitas vezes, reverenciam tanto essa vida de ostentação que as celebridades possuem, que acabam surgindo pessoas almejando a fama de qualquer forma, independentemente do que se elas fazem tem alguma relevância”. Sociedade do consumo Segundo Montemor, a sociedade contemporânea é definida pelo consumo, se desenvolvendo a partir dos interesses comerciais. A sociedade, nesses termos, ao dar voz ou levantar bandeiras, o fará agregando valores a marcas. “Quando vemos alguém nas redes tendo voz, que muitas vezes ganharam apenas através das redes sociais, é porque a massa quer consumir isso. Nesse momento, a sociedade compreende que essas falas dão audiência e, consequencialmente, rentabilidade”, explica o psicanalista. Dessa forma, ele crê, as pessoas são “manipuladas por um sistema que busca só vender”. Independência O diretor da FR Midia, especialista em marketing, Carlos Honorato explica porque hoje em dia muitas pessoas buscam se tornar influenciadoras na internet. “O que mais atrai é a promessa de ganhos (diretos ou indiretos) sem um investimento muito alto, apenas com um celular e alguns aplicativos de edição. Um canal no YouTube, uma conta no Instagram ou TikTok já bastam. Em alguns casos, é a forma que o profissional tem de levar a sua mensagem para um público maior, sem depender das mídias tradicionais”.