Tarcísio e Haddad nacionalizam último debate antes do segundo turno

Realizado pela TV Globo, evento abordou vários temas, com espaço para conversa aberta entre os candidatos

Por: Estadão Conteúdo  -  28/10/22  -  01:38
Atualizado em 28/10/22 - 14:17
Debate foi realizado na Tv Globo, em São Paulo, na noite desta quinta-feira (27)
Debate foi realizado na Tv Globo, em São Paulo, na noite desta quinta-feira (27)   Foto: Reprodução/Globoplay

No último debate antes do segundo turno, os candidatos ao governo do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), voltaram a nacionalizar a discussão, assim como já havia ocorrido em outros encontros, inclusive no primeiro turno. Nesta quinta-feira (27), na TV Globo, logo no primeiro bloco, os dois candidatos debateram temas como pandemia e salário mínimo.


Clique, assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios!


A estratégia de levar para o debate a polarização nacional foi puxada principalmente por Haddad. Tarcísio, por sua vez, iniciou o confronto mais na defensiva, criticando os ataques feitos pelo petista em sua propaganda eleitoral. O ex-ministro da Infraestrutura disse que não vai aumentar a conta de água com a possível privatização da Sabesp, nem transportar o modelo de segurança pública do Rio de Janeiro para São Paulo. O candidato também disse que o presidente Jair Bolsonaro (PL), se eleito, dará aumento real sobre o salário mínimo, pensões e aposentadorias.


Haddad usou a obrigatoriedade de vacinação de crianças para voltar a atacar Tarcísio. "Está na lei, você tem que acompanhar a vacinação de crianças, você tem que acompanhar a frequência escolar", afirmou o petista.


O petista ainda afirmou que outras acusações feitas pelo candidato, classificadas por ele como fake news, eram, todas verdadeiras. "Você está querendo estudar (a venda da Sabesp), como está querendo estudar as câmeras (dos policiais). Não funciona assim", disse Haddad.


Haddad insistiu na estratégia de apontar falhas do governo Bolsonaro, apostando na alta rejeição do presidente. Já o candidato do Republicanos destacou o aumento do valor do Auxílio Brasil, antigo Bolsa Família, feito durante a gestão do atual presidente, que classificou como "grande alívio", que impulsionou a economia, preservou empregos e garantiu a sobrevivência da população mais vulnerável.


Questionado sobre salário mínimo, Tarcísio enfatizou que é preciso "promover o emprego, movendo as alavancas corretas".


Haddad questionou Tarcísio sobre Habitação
Haddad questionou Tarcísio sobre Habitação   Foto: Reprodução/Globoplay

Habitação

Segundo o candidato do PT, o governo Bolsonaro, ao descontinuar o Minha Casa Minha Vida, agravou o problema, enquanto Tarcísio defendeu o Casa Verde Amarela é suficiente para lidar com a questão.


Tarcísio disse, também, que pretende triplicar o valor destinado aos programas de habitação de interesse social, além criar de um "amplo programa" de aluguel social.


Saúde

Haddad, mais uma vez, nacionalizou o debate, questionando como o adversário resolveria os problemas da Saúde no Estado, diante do congelamento da tabela do SUS. "Você tem fixação de falar do governo federal, do presidente Bolsonaro, que eu acho que você deveria disputar de novo a Presidência da República. Você disputou em 2018, não foi bem sucedido, perdeu para o presidente Bolsonaro, mas me parece que não se acostumou", provocou Tarcísio.


Em mais uma tentativa de exaltar o governo de Bolsonaro, seu aliado, Tarcísio citou medidas aprovadas pela atual gestão em prol do Estado, como redução de dívidas da prefeitura de São Paulo.


Obras

Em nova tentativa de associar o PT aos governos de esquerda de Venezuela e Cuba, Tarcísio afirmou que a sigla deixou "um cemitério de obras paralisadas" e só concluiu projetos nos países vizinhos. "Metade delas nós concluímos no último período. Mas seria uma injustiça eu dizer que PT é ruim de obra. PT é bom de obra, afinal, terminou o Porto de Mariel, só que ele fica em Cuba. Não fez o metrô de Belo Horizonte, mas fez o metrô de Caracas", provocou.


Tarcísio voltou a receber críticas quando Haddad disse que ele "já está nomeando secretário" sem ao menos ter sido eleito. O ex-ministro já sinalizou que se vencer, Eleuses Paiva e o ex-vice-governador de São Paulo Guilherme Afif Domingos, ambos do PSD, devem integrar o seu secretariado.


Paraisópolis

Haddad deixou como "carta na manga" para o último bloco o episódio envolvendo seu adversário, em que um auxiliar de campanha pediu para que um cinegrafista apagasse imagens do tiroteio no bairro de Paraisópolis que interromperam a agenda do ex-ministro na região.


O candidato do PT guardou para o final o assunto 'Paraisópolis'
O candidato do PT guardou para o final o assunto 'Paraisópolis'   Foto: Reprodução/Globoplay

Ele acusou o ex-ministro de não ser transparente e afirmou que a atitude gera "suspeição". "Não se destrói provas, evidências, se confia na autoridade policial", disse o petista, durante debate. Ele declarou que as imagens poderiam ser úteis para investigação, e que não deveriam ser apagadas.


Em resposta, Tarcísio afirmou que "lamenta" que o adversário faça "sensacionalismo com uma coisa séria". "Primeira coisa: você sabe onde foi feito esse pedido? Foi feito dentro do nosso escritório na Vila Mariana. E sabe por que a gente estava lá com o cinegrafista? Porque a gente não deixou ninguém ficar pra trás", disse Tarcísio ao se defender sobre o tema.


Segundo o ex-ministro, foi pedido para que as imagens fossem apagadas foram feitas por preocupação com pessoas.


Lula

Tarcísio também aproveitou o debate para atacar nacionalmente o PT, dizendo que a sigla ficou para trás. "Se Lula tivesse sido bom presidente lá atrás, seria ruim ele voltar, porque as ideias ficaram velhas, ultrapassadas, o mundo mudou muito nesses últimos anos, mas não houve da parte do PT a reinvenção, mea-culpa, formação de lideranças. Tempo passou, e a turma ficou para trás, ficou ultrapassada".


Ele aproveitou o discurso para fazer comparações das gestões petistas sob comando do Executivo Federal e o atual governo. "Nenhuma mudança estrutural foi feita mesmo com boom das commodities. Nos condenaram ao subdesenvolvimento e à pobreza. Com todo vento soprando contra, nós aprovamos uma série de reformas estruturais", disse Tarcísio, ao citar a privatização da Eletrobras, a sanção da Lei de Liberdade Econômica e a autonomia do Banco Central. "Essa é a diferença de uma linha que foi bem sucedida e uma linha que foi mal sucedida"


Logo A Tribuna
Newsletter