[[legacy_image_212402]] A deputada federal Rosana Valle (PL), reeleita no último domingo (2), se diz mais experiente para começar o segundo mandato. E sabe que, mesmo com o aumento na representatividade da região na Câmara dos Deputados — de dois para quatro —, terá o desafio de levar adiante pautas importantes, como Aeroporto de Guarujá e o túnel entre Santos e Guarujá. E conta com a eleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Governo do Estado e de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência. Ela conversou nesta terça (4) com A Tribuna. Confira trechos: Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A senhora obteve mais de 216 mil votos, a mais votada da região. Que balanço faz dessa campanha? Fiquei muito agradecida porque, na primeira eleição, eu sei que fui eleita pela minha história. Tinha trabalho como jornalista e as pessoas votaram em mim porque gostavam de mim, mas sem saber o que eu poderia fazer na política. Agora, a reeleição, é por meu trabalho. Elas viram meu empenho. Isso é motivo de gratidão. Reconhecimento não tem preço. Como a senhora vê o aumento da representatividade da nossa região em Brasília? Além disso, a Baixada Santista terá dois ex-prefeitos (Alberto Mourão, de Praia Grande, e Paulo Alexandre Barbosa, de Santos) na Câmara. Qual o peso dessa experiência? A região ganha em representatividade. Em 2018, isso não aconteceu porque, acho, hoje a população está mais consciente do trabalho de um deputado. Consegui mostrar para as pessoas o quanto o trabalho de um deputado é importante, o quanto podemos trazer um olhar, no meu caso, do Governo Federal, para cá. A senhora afirma que, para sua reeleição, há o peso do seu trabalho parlamentar. Mas não houve um movimento mais conservador, à direita? Dá para colocar isso como um fator que também contribuiu, já que a senhora é do partido do presidente Bolsonaro? Eu fui, nestes quatro anos, o que eu fui na vida. Sou uma profissional que trabalhou a vida inteira na iniciativa privada, estou casada há 25 anos, tenho dois filhos. Não mudei um milímetro do que eu sou. Fui assim durante todo o mandato. Sei que algumas pessoas falam de esquerda, direita, centro, querem colocar rótulos. Mas estamos vivendo um novo tempo na política, no qual as pessoas querem ver os seus representantes. No segundo mandato, qual o foco prioritário da sua atuação parlamentar?Tem projetos que são urgentes na nossa região. Um deles é o Aeroporto de Guarujá, e eu resolvi essa questão. As grandes dificuldades eram a autorização e o dinheiro. Resolvi os dois: a autorização, que conseguimos no Ministério da Infraestrutura. A Infraero é responsável pela implantação do aeroporto, uma empresa com know-how. E faltava o recurso. Eu, na bancada paulista, consegui R\$ 14 milhões para a implantação da primeira fase do aeroporto. O que falta, agora, é uma questão burocrática e política. A Cetesb é um órgão do Estado. Mas acredito que passou da hora de sair essa licença ambiental. Sobre a desestatização do Porto: o túnel entre Santos e Guarujá foi incluído entre as obrigações de quem vencer a licitação. Como garantir que as obras sejam iniciadas logo?O mais próximo que nós conseguimos da realização desse grandioso projeto foi obter o comprometimento do Ministério da Infraestrutura de que, nesse processo de desestatização, seria obrigação do grupo ou consórcio fazer a ligação seca por meio do túnel, aprovado pelo segmento portuário, pelos gestores de engenharia portuária. Fui ao ministro Tarcísio (Freitas, então titular da pasta da Infraestrutura) no início de 2019 e falei que essa é a principal obra da nossa região. Saiu dele esse compromisso de incluir o túnel no processo de desestatização. O que temos que fazer, agora, é marcar presença, para que seja estabelecido um prazo para a construção. Vamos falar sobre mobilidade. Temos a questão do VLT, da extensão das obras rumo ao Litoral Sul, por exemplo. Como pretende intervir nessas questões?Eu não concordei com a segunda fase do VLT em Santos. Para mim, a segunda fase deveria ser a expansão a partir da Esplanada dos Barreiros, para aproveitar o recurso que eu trouxe para a reforma da Ponte. A EMTU poderia recuperar aquela linha férrea e já dar sequência à segunda fase. Protestei muito à época. Tenho uma resposta da Secretaria Estadual de Transportes que ia começar junto, a fase 2 seria junto com a expansão do VLT para Área Continental e cidades do Litoral Sul, o que não foi feito. Os prefeitos do Litoral Sul pedem frequentemente mais recursos, por esta ser a região da Baixada Santista com menor orçamento. Como auxiliá-los, levando em conta que há obras importantes, como o Hospital de Peruíbe, por exemplo?Posso dizer que o Governo Federal atendeu muito a região. Desde a época das enchentes que nós tivemos, a tragédia em Guarujá, liberou muitos recursos para reconstrução das encostas. O problema é que muitas prefeituras do PSDB não falaram que era ação do Governo Federal, mas foi. Quase R\$ 100 milhões para reconstrução. Como atacar a questão das taxas de marinha, como o laudêmio? O que pode ser feito para sua extinção definitiva?Conseguimos muitos avanços na questão do laudêmio. Fiz muitas reuniões na Secretaria do Patrimônio da União (SPU), fazendo com que criasse o aplicativo SPU+ a nosso pedido. Uma das reclamações era sobre obter informações a respeito da regularização, do laudêmio, da taxa de ocupação. Conseguimos o financiamento e a possibilidade de utilização do FGTS para quitação das dívidas do laudêmio; que o imóvel possa ter a gratuidade para alguns casos, como pessoas que ganham até uma faixa de salário mínimo. Também aprovamos um projeto de lei que está tramitando no Senado — a Câmara já aprovou — que prevê o fim do laudêmio. São dezenas de projetos para isso, mas eles, muitas vezes, esbarram na inconstitucionalidade, porque a pessoa não é dona do imóvel. Essa proposta ainda tem alguns problemas, como um prazo de dois anos para que a pessoa seja obrigada a comprar a parte da União. Isso não pode ser obrigatório, porque muita gente não teria essa condição. A questão das emendas do relator, o chamado orçamento secreto, foi muito debatida durante a campanha. O que a senhora pensa disso? É um instrumento válido?Em 2019, a Câmara aprovou. Falaram que é “orçamento secreto” só depois de um tempo. A Câmara toda, oposição e situação, aprovou. Isso aconteceu quando o presidente da Câmara era o Rodrigo Maia (PSDB), que tinha um posicionamento mais de centro-esquerda. Depois, quando o Arthur Lira (PP-AL) assumiu a Casa, fez a mesma coisa, indicando para seus aliados. Tanto que, quando começaram a divulgar o que era, começou a aparecer um monte de gente de esquerda que recebeu, PSOL, PT... Ninguém chamou isso de orçamento secreto na época do Maia. Então, são narrativas. O cenário está aberto, tanto na Presidência como no Governo do Estado. A senhora aceitaria ser secretária de Estado num eventual governo Tarcísio, caso seja convidada?Não penso nisso. Faço parte do Plano de Governo dele, ajudei bastante, temos tido diversas reuniões. Mas estou contente com meu trabalho e o reconhecimento dele. Tenho posição, tomei uma posição. Estou trabalhando fortemente para a eleição do ministro Tarcísio e a reeleição do presidente Bolsonaro. Para fechar: o que a Rosana Valle eleita em 2018 poderia dar de dicas ou ensinamentos à Rosana reeleita agora?Aprendi muito, sofri bastante. Para as mulheres é muito pesado. Mas eu entrei com coragem. Sofri, aprendi rápido, mas não jogo esse jogo deles