[[legacy_image_27418]] A Tribuna decidiu cancelar a divulgação dos resultados da primeira e única pesquisa eleitoral deste ano na cidade de Itanhaém, feita pelo Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT) para avaliar a preferência dos moradores daquela cidade para o pleito do próximo dia 15. A publicação dos resultados estava originalmente marcada para a edição deste sábado (7). Clique aqui e assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90. Ganhe, na hora, acesso completo ao nosso Portal, dois meses de Globoplay grátis e, também, dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A decisão, inédita no histórico de 15 anos do IPAT, foi tomada pela diretoria do Grupo Tribuna. Pelo cronograma do IPAT, os pesquisadores foram a campo na última quarta-feira, seguindo o rigor técnico que orienta qualquer pesquisa científica. No entanto, houve intenso assédio aos pesquisadores por parte de candidatos e cabos eleitorais, que cercavam as equipes em todos os bairros programados para a coleta de dados, colocando-se na frente das equipes para serem chamados a responder os questionários. A prática foi constante durante todas as horas em que o IPAT permaneceu em Itanhaém. “Diante desses fatos, o IPAT, por uma questão de responsabilidade e seriedade, entende que a coleta de dados, elemento fundamental que garante a fidedignidade dos resultados, foi comprometida”, diz o coordenador do instituto, o cientista político Alcindo Gonçalves. “Uma pesquisa de opinião exige equipe treinada, metolodogia científica e lisura, características inerentes ao IPAT, mas há um elemento fundamental que são as entrevistas. Se elas correm o risco de terem sido contaminadas, nossa decisão enquanto instituto de pesquisa que tem 15 anos é por não divulgar os resultados”. Alcindo lamenta os episódios, especialmente por privarem a população de receber os dados, analisá-los e tê-los como parâmetro para o processo democrático. Será o único município da Região Metropolitana da Baixada Santista a não ter pesquisa eleitoral feita pelo IPAT este ano. A pesquisa estava devidamente registrada junto ao TSE sob número SP-01038/2020. Crime Parte dos episódios verificados durante a coleta de dados foi fotografada e filmada pelas próprias equipes de pesquisadores e supervisores do IPAT, e servirão de material para eventual medida judicial por parte do departamento jurídico do Grupo Tribuna . As imagens e vídeos mostram, claramente, cabos eleitorais descendo de veículos adesivados de candidatos para cercar os pesquisadores. Mostram, também, candidatos se deslocando atrás das equipes para serem abordados na pesquisa. O IPAT também recebeu trocas de mensagens por WhatsApp, em que assessores orientam as equipes dos candidatos a seguirem os pesquisadores. Segundo Maurício Cury, do departamento jurídico do Grupo Tribuna, esse tipo de postura pode ser enquadrada nos artigos 146 do Código Penal (constrangimento) ou 147 (ameaça). “Vamos estudar o material e analisar as medidas judiciais cabíveis nesse e em outros casos que vierem a ocorrer”, disse Cury.