[[legacy_image_212843]] O candidato a deputado federal pelo PSDB mais votado no País promete independência nas decisões tomadas no Congresso Nacional, seja qual for o presidente eleito. Paulo Alexandre Barbosa vai para a Câmara pela primeira vez, mas, com 22 anos de vida pública, acumula experiências como deputado estadual, prefeito de Santos e secretário de Estado. Entre os elementos em foco no seu futuro mandato, estarão obras de infraestrutura, mais debate sobre a desestatização do Porto de Santos e a revisão do Pacto Federativo. Confira trechos da entrevista para A Tribuna. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O senhor é o deputado mais votado do seu partido no País. Esperava algo desse porte?É uma eleição difícil, porque foi polarizada. Eu escolhi um caminho de independência, não ter vinculação com nenhum dos dois candidatos à Presidência. Foi uma votação de quem acreditou no nosso trabalho, conhece minha trajetória política destes 22 anos. Não peguei carona em nenhum candidato a presidente, não sentei na garupa de ninguém para ter essa votação. Qual vai ser sua prioridade quando chegar a Brasília?Minha prioridade, voltado a Santos, é o projeto Santos Mais, que significa macrodrenagem, acessibilidade, inclusão e sustentabilidade. É um projeto que iniciamos quando estávamos na Prefeitura, pleiteando um financiamento de US\$ 127 milhões (cerca de R\$ 700 milhões) para fazer as obras de macrodrenagem para acabar com as enchentes na Zona Noroeste. Fazer oito estações elevatórias, conjuntos habitacionais... É um grande programa e vai ser o foco prioritário do meu mandato liberar esses recursos internacionais. O deputado (federal eleito) Alberto Mourão (MDB) lembrou que, pelo fato de terem saído do Executivo há pouco tempo, o sr. e ele têm de memória as demandas das cidades e o que cabe a cada esfera governamental. Como vê isso?É muito importante o fato de ter experiência dos dois lados. Tive a oportunidade de ser (dos poderes) Legislativo (deputado estadual), Executivo estadual (secretário) e municipal (prefeito). É importante porque o Executivo realiza as políticas públicas. A gente vive uma equação no País em que a União concentra a arrecadação; os municípios, as obrigações; e a população, as carências. Essa conta não fecha. Então, ter esse olhar do município, do prefeito, que faz as coisas acontecerem, é importante e vai contribuir na execução do mandato. Vou trabalhar com todos os prefeitos, independentemente do partido político. Além do discurso, precisamos do recurso, e não apenas de emendas parlamentares. Não podemos nos limitar a isso. Vou para Brasília com esse objetivo: fazer o Governo Federal, seja quem for eleito presidente, ter um olhar diferenciado para a Baixada, que não teve nos últimos anos. Uma das suas pautas é a revisão do Pacto Federativo. Como pretende atuar sobre essa questão?Sou um municipalista por natureza. Acredito que as coisas acontecem no município e a União e o Estado são figuras jurídicas. As pessoas vivem nos municípios, onde estão os problemas e para onde devem seguir as soluções. Temos que ter uma descentralização de recursos. Há muito Brasília e pouco Brasil. Tudo fica muito concentrado lá. Por isso, essa distribuição deve ser mais justa, mais equânime. Que Congresso é este de que o senhor fará parte a partir de 2023? A composição com viés predominantemente de direita, conservador, deve estimular as pautas de costumes. Como irá lidar com isso?Espero que o Congresso possa se concentrar nas pautas que interessam à população. Muitas vezes, as pautas ideológicas que são debatidas servem para desviar a atenção de problemas que afligem a população. Saúde, Educação... As pessoas querem resposta sobre como gerar emprego, renda, como ter uma estabilidade econômica que permita às pessoas ter uma vida melhor. Esse é o objetivo. Acima da esquerda e da direita, o azul e o vermelho, é o resultado para a população. E sobre a desestatização do Porto de Santos? O processo está em curso, com previsão de leilão em dezembro. O que pensa disso?O Governo, com relação à desestatização, precisa discutir com a Baixada Santista. Não podemos ser subservientes e concordar com tudo aquilo que está colocado. Sou a favor da participação do privado na gestão do Porto. Agora, quando se vai discutir a desestatização do maior porto da América Latina, tem que pensar que ele não está nem na União e nem no Estado. Está nas cidades de Santos, Guarujá e Cubatão. Precisa ouvir os prefeitos, que foram alijados do processo. Os trabalhadores também precisam ter voz nessa discussão. E quanto à ligação seca entre Santos e Guarujá, incluída nesse processo?A ligação não precisa depender da desestatização. O Governo tem caixa para isso. O Porto gera bilhões e bilhões de taxas, no valor de concessão... Há dinheiro suficiente para assumir a responsabilidade e executar uma obra dessas. Aliás, já passou da hora. Não podemos concordar em fazer essa ligação daqui a dez, 15 ou 30 anos, que vai durar essa concessão, sem ter um prazo fixado. Outra pauta bastante destacada pelo senhor é o Aeroporto Metropolitano de Guarujá.A gente não quer papel para um lado, papel para o outro. Queremos avião pousando e decolando, passageiros embarcando e gastando. Precisamos avançar, de forma pragmática, para que possa operar. Segurança pública é outra demanda importante.A gente tem uma tarefa de apoio do Governo Federal com recursos. Sabemos que o investimento em tecnologia é importante. O parque de monitoramento das cidades ampliado, mais recursos para a Atividade Delegada, a contratação dos policiais nos horários de folga, são desafios também importantes. Vamos buscar recursos da União para que a gente possa ter mais segurança. E quanto às pessoas que vivem em condições de vulnerabilidade social: como pretende trabalhar em Brasília essa questão?A Baixada Santista tem uma rede de proteção social muito efetiva. Vamos destinar recursos das emendas parlamentares, para que as entidades possam desenvolver seu trabalho. E quanto à Saúde? Há demandas por vagas, a construção de hospitais, filas na rede... Como o senhor pretende atuar, para além das emendas?Precisamos de equipamentos. Na Baixada, a questão de ampliar a oferta de leitos no (Hospital) Santo Amaro (em Guarujá) é algo importante que, para isso, exige despesas para custeio. Cubatão vai ser uma prioridade, ampliando o número de leitos no Hospital Municipal, e a gente tem que levar o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) para Cubatão. Sobre as emendas de relator, o chamado “orçamento secreto”: o que pensa a respeito?Em pleno século 21, transparência não é um diferencial, mas uma obrigação. Essa é uma premissa essencial na gestão pública, para qualquer gestor. Como observa o aumento da representatividade da região? Como pensa o trabalho em conjunto com os demais deputados da Baixada?É fundamental esse aumento de representatividade. Ganha a Baixada Santista. Vou procurar trabalhar junto com os colegas nos temas de interesse regional. Temos que somar esforços. A eleição passou. O senhor sempre enalteceu a figura do seu pai, o ex-prefeito Paulo Gomes Barbosa. O que ele diria ao ver o filho deputado federal?Quando vou tomar uma decisão importante, penso em como ele poderia fazer. Minha referência, não só como homem público, mas como homem. (Estou) Muito feliz de poder seguir essa trajetória dele.