[[legacy_image_214704]] Reeleito para seu terceiro mandato consecutivo, o deputado estadual Caio França (PSB) diz que a palavra de ordem de sua atuação parlamentar é coerência. Pois seria ela a razão de descartar, de pronto, uma eventual candidatura a prefeito de São Vicente em 2024. Enquanto isso, se prepara para uma nova legislatura, com planos. Além disso, aposta na união com outros parlamentares da região para viabilizar projetos de interesse comum. Confira a entrevista: Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O sr. parte para seu terceiro mandato. Como analisa a sua votação neste ano?Estou muito feliz e muito grato às pessoas por me confiarem mais um mandato. Não posso ser vendido como uma novidade. Acredito que teve uma contaminação muito grande da eleição municipal na composição dela (da Assembleia Legislativa) e do Congresso Nacional. Procurei pautar minha campanha defendendo o meu mandato, sem entrar em grandes embates nacionais. Porque entendo que quem está com mandato deve defendê-lo. A discussão estadual (das eleições) foi afetada por essa ‘contaminação’?Acho que sim. A polarização que existe hoje acaba se sobrepondo, em muitos casos, às pessoas avaliarem quem tem projetos melhores ou se dedicou a essa ou àquela área. Quem gosta do (presidente Jair) Bolsonaro escolheu os candidatos que têm alinhamento com ele; quem tem mais apreço pelo (concorrente Luiz Inácio) Lula (da Silva) escolheu outros. No meu caso, a discussão principal é sobre orçamento estadual, as votações que tivemos ao longo dos quatro anos... O senhor e Solange Freitas (União) são dois eleitos oriundos de São Vicente. Como vai ser a atuação com ela, em que pesem caminhos políticos distintos?Minha relação com todos que estiveram comigo ao longo destes últimos oito anos foi muito respeitosa e sempre na tentativa de somar esforços para poder ajudar a região. Não terei nenhuma dificuldade em me relacionar, até porque conheço todos, já tive algum grau de contato. O que pode acontecer é que, em alguns projetos, tenhamos pensamentos diferentes. Mas isso é da democracia. Uma das pautas em que o sr. atua é na ampliação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) para a Área Continental de São Vicente. Como pretende trabalhar para que esse trecho da obra saia logo do papel?Precisamos garantir que a obra da terceira fase não precise aguardar o final da segunda fase para que seja iniciada. Até porque teve, na minha percepção, um erro de planejamento estratégico, no qual a Área Continental deveria ter sido priorizada, porque alimenta o sistema e ficou para outro momento. Vamos lutar por isso. Precisamos garantir agora, nesse orçamento que votaremos até dezembro, uma previsão orçamentária para garantir robustez a esse projeto, sem atrapalhar o avanço da segunda fase em Santos. E quanto à ligação seca, inclusa no programa de desestatização do Porto. Como pensa em atuar para tornar essa obra concreta o quanto antes?A Baixada está cansada de discutir esse tema. Precisamos ver é quando, como e quem vai pagar essa conta. Se é o Governo do Estado, o Governo Federal ou os dois entes associados. Com relação à desestatização, me preocupa a privatização da Autoridade Portuária. Até porque os terminas são privados, e a questão da desestatização vai ficar muito vinculada ao resultado da eleição. Não podemos ficar atrelados (a ela) só para fazer a ligação seca. Os dois projetos (ponte e túnel) têm prós e contras. Inclusive, podemos tentar modelar para que se façam as duas (obras), mas, se for o caso, começar com quem tem mais condição primeiro. Não precisa ficar escolhendo uma obra ou outra. O sr., no seu discurso após a eleição, destacou que uma das suas bandeiras é sobre as vagas hospitalares da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross). O que pretende atacar, como deputado, nesse sentido?Aprovei um projeto que dá transparência na regulação de vagas via Cross, o que não é fácil, e o (ex-governador João) Doria vetou, lamentavelmente. Vou ter a chance, agora no final do ano, de tentar derrubar esse veto. Porque não é justo com as pessoas que esse sistema Cross seja intocável e que ninguém possa conhecer, minimamente, qual a sua posição na fila. Por que não dar transparência? Tudo o que pode ser feito de forma transparente no serviço público é o ideal. Documento sigiloso pode servir na iniciativa privada, mas não no serviço público. É um problema ficar nesse limbo, sem informação real sobre o assunto. O sr. falou da falta de vagas. Como atuar para resolver essa questão?Também vamos trabalhar muito para garantir alguns programas e projetos de saúde, como a construção do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) em Guarujá e em Cubatão. Isso também é uma prioridade nossa, além da ampliação das estruturas regionais de saúde. Em São Vicente, temos a tarefa de garantir o custeio do novo Hospital do Vicentino e dar uma nova função ao antigo Crei, transformando num novo grande pronto-socorro. Além dos extremos da nossa região, Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Bertioga e Guarujá precisam de atenção, para aliviar a pressão sobre os hospitais de Santos. Ainda na questão de saúde, o sr. defende a inclusão dos medicamentos à base de Cannabis para o SUS. Como contornar essa questão?Respeito as pessoas que, por desconhecimento, não entendem o meu projeto. Agora, qualquer pessoa que tenha um tempinho para pesquisar a respeito do assunto vai entender que Cannabis medicinal já está autorizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), já está à venda em algumas farmácias ou sendo importada. Só que, dependendo da dosagem, pode chegar a custar R\$ 2 mil por mês. Você tem famílias de crianças autistas, de idosos com Parkinson, epilepsia ou doenças crônicas que podem usar esse medicamento e ter uma qualidade de vida muito melhor. Consegui avançar com todos esse projeto — inclusive, a fase de discussão já se encerrou na Assembleia — e só falta a votação. Estou trabalhando para aprovar isso até o final do ano. Tem uma frase que costumo dizer: “Não espere precisar para apoiar”. Sobre Educação: uma das suas pautas é a Educação em tempo integral. Como aplicá-la num cenário delicado, com professores desmotivados e problemas de alfabetização sérios?O ensino integral avançou nos últimos anos, mas observamos esse cenário de desmotivação, a estrutura não está atualizada. Além de valorizar a carreira dos professores, precisamos melhorar as estruturas e reformar, do ponto de vista pedagógico, o Ensino Médio. E, ao término dele, oferecer um curso profissionalizante junto. É uma tarefa que teremos. Segurança Pública é uma demanda urgente da região. Como pretende abordar esse aspecto?Temos uma defasagem de policiais na Baixada, tanto militares quanto civis. A tecnologia também deve ser mais utilizada. Precisamos monitorar todas as ruas, os principais pontos das cidades, para inibir um pouco o infrator de cometer um roubo, furto ou homicídio. A sucessão municipal em São Vicente é algo que o atrai? Existe a possibilidade de ser candidato em 2024?Sempre cumpri meus mandatos até o final. É uma marca que eu tenho e pretendo mantê-la. Portanto, não passa pela minha cabeça disputar a Prefeitura neste momento. Entendo que as pessoas confiaram em mim não são apenas de São Vicente, mas de outras cidades também. Nosso grupo político, claro, vai querer participar das eleições. É um grupo forte na Cidade. Uma palavra que uso muito é coerência, e é ela quem permite liberdade em votações, mas também na postura.