Bolsonaro volta a dizer que não tem controle sobre o orçamento secreto

Chefe do executivo disse que tivesse R$ 19 bilhões previstos para as emendas seria o "presidente mais feliz do mundo"

Por: Estadão Conteúdo  -  28/10/22  -  16:05
"Nós não temos controle disso", disse Bolsonaro, em relação ao orçamento secreto   Foto: Reprodução/TV Globo

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a dizer nesta sexta-feira (28) que não tem controle sobre o orçamento secreto. Em entrevista ao canal "O Primo Rico", de Thiago Nigro, o chefe do Executivo afirmou que, se tivesse "nas mãos" os R$ 19 bilhões previstos para as emendas de relator-geral no ano que vem, seria o "presidente mais feliz do mundo".


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No começo desta semana, o chefe do Executivo chegou a dizer que, se reeleito, poderia negociar o fim do orçamento secreto. Por meio do esquema, revelado pelo Estadão, o Palácio do Planalto negocia apoio no Congresso com a destinação de emendas, sem critérios e transparência, a parlamentares principalmente da base governista.


"Se eu tivesse R$ 19 bilhões nas mãos, eu seria o presidente mais feliz do mundo e saberia onde melhor aplicar esses recursos Não quero generalizar", afirmou o presidente, ao dizer que a decisão sobre a alocação das verbas do orçamento secreto é do relator-geral. "Nós não temos controle disso", emendou.


Adversário de Bolsonaro na disputa pelo Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já prometeu acabar com o esquema, se eleito. Na entrevista, contudo, o presidente afirmou que os petistas foram favoráveis ao orçamento secreto.


O chefe do Executivo ainda sugeriu que as emendas de relator-geral foram uma reação ao fato de ele ter supostamente negado em 2019 ao então presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a recriação do Ministério das Cidades. Segundo Bolsonaro, Maia queria "acomodar seu pessoal" na pasta.


O presidente disse também que vetou o orçamento secreto, sem mencionar que, depois disso, recuou e enviou um projeto próprio ao Congresso para criar o esquema, gestado no gabinete do então ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, no Palácio do Planalto.


Na segunda-feira (24), em entrevista ao site Metrópoles, Bolsonaro disse que pretende negociar o fim do orçamento secreto em um eventual segundo mandato. "O novo Parlamento ficou muito mais para a centro-direita e pretendo negociar no ano que vem, se eu for reeleito, obviamente, a extinção desse dito orçamento secreto", declarou o presidente.


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