Bolsonaro e Lula trocam acusações e deixam propostas de lado no último debate antes do 2º turno

Confronto direto reforçou a temática agressiva da campanha, marcada pela prevalência das acusações mútuas

Por: Estadão Conteúdo  -  29/10/22  -  00:52
O presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fizeram o último debate antes do 2º turno na noite desta sexta-feira (28)
O presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fizeram o último debate antes do 2º turno na noite desta sexta-feira (28)   Foto: GABRIEL BASTOS MELLO/ONZEX PRESS E IMAGENS/ESTADÃO CONTEÚDO, e PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO

A pouco mais de 24 horas do início da votação em segundo turno, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fizeram na noite desta sexta-feira (28), o último debate da eleição, na TV Globo. O derradeiro confronto direto entre os presidenciáveis reforçou a temática agressiva da campanha, marcada pela prevalência das acusações mútuas e a carência de propostas. Planos para um futuro governo foram pontuais em discussões que em diversas oportunidades resultou em troca de ofensas.


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Os candidatos iniciaram o debate sem trocarem cumprimentos ou olhares e visivelmente tensos. No primeiro bloco, o candidato do PL levantou o tema salário mínimo, que causou desgaste à campanha do presidente no segundo turno. A informação de que o Ministério da Economia pretendia mudar a fórmula de reajuste do salário mínimo e dos benefícios previdenciários, reduzindo o índice de aumentos, foi bastante explorada pela campanha petista na reta final do segundo turno.


Lula acusou o presidente de não dar nenhum aumento real para o piso salarial no Brasil. Bolsonaro prometeu um valor de R$ 1,4 mil para o ano que vem se reeleito. Atualmente, o piso é de R$ 1,212 mil. "Ele fala para influenciar pessoas mais humildes, em especial algumas regiões do Brasil", disse Bolsonaro.


"Parece que meu adversário está descompensado. Ele é um samba de uma nota só", respondeu Lula, ao exaltar os programas de distribuição de renda criados durante os governos petistas. "É uma bobagem comparar o Bolsa Família com o Auxílio Brasil, porque era só um dos programas de distribuição de renda", disse, mencionando outros projetos petistas.


Corrupção

A discussão deslizou para o assunto corrupção, com troca de acusações muitas vezes desconexas e repetitivas. Bolsonaro chegou a chamar Lula de bandido, lembrou as condenações (depois anuladas) do petista na Lava Jato. Lula rebateu citando suspeitas que envolvem a família Bolsonaro na compra de imóveis com dinheiro vivo e rachadinhas.


O ex-presidente também dirigiu ataques ao ex-juiz e atual senador eleito Sérgio Moro (União Brasil), que acompanhava Bolsonaro no debate desta sexta-feira (28) e foi responsável por sua prisão. "Fui acusado para permitir que você disputasse as eleições, fui julgado por um juiz mentiroso."


O presidente ironizou a defesa de Lula sobre as condenações na Justiça. "Só foi absolvido se foi pelo (jornalista e mediador do debate) William Bonner", disse o chefe do Executivo. A citação gerou uma manifestação de Bonner, que lembrou que o teor de sua pergunta na sabatina no Jornal Nacional foi com base em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).


Antigos aliados

Em outro ponto de discussão sem propostas para o País, os dois candidatos citaram o episódio envolvendo o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), que no domingo passado recebeu agentes da Polícia Federal que foram cumprir mandados de prisão com tiros de fuzil e granadas.


Bolsonaro questionou onde estava José Genonio, José Dirceu, Antonio Palocci, ex-ministros e ex-dirigente do PT, que foram alvo do mensalão e Lava Jato. "Lula, cadê o (Antonio) Palocci, cadê o Zé Dirceu, cadê o (Pedro) Barusco, cadê o Paulo Cesar", questionou o atual presidente. Lula respondeu, citando Jefferson "Ele acabou de esconder Roberto Jefferson, o pistoleiro dele, o homem que atirou na PF", disse o petista.


"O Roberto Jefferson recebia mala de dinheiro para comprar apoio parlamentar. O Roberto Jefferson explodiu o seu governo com o mensalão. Mais de cem pessoas presas", rebateu Bolsonaro, fazendo referência à denúncia do ex-deputado que deflagrou o escândalo no primeiro mandato de Lula. O tema voltou à tona durante o terceiro bloco do debate, quando o petista voltou a mencionar Jefferson, depois de questionar a política de Bolsonaro sobre o aceso a armas de fogo.


"Porque se fosse um negro de uma favela, você tinha mandado matar. Mas agora, como foi o seu amigo Roberto Jefferson, você fez questão de ficar nervoso e dizer 'ele é bandido', mas você sabia que ele era, porque era seu amigo", disse o petista, mencionando o ministro da Justiça Anderson Torres, escalado para interceder em meio às negociações para rendição de Jefferson no domingo.


Em determinado, Lula voltou a chamar o ex-presidente Michel Temer (MDB) de "golpista", ao comentar que Bolsonaro herdou do emedebista o último governo. "Ele se esquece que herdou a Presidência do Brasil de um golpista, que foi dado o golpe junto com ele. Não foi da presidente Dilma", afirmou Lula. Temer faz parte do partido da senadora e candidata derrotada no primeiro turno Simone Tebet (MDB), que declarou apoio e se engajou na campanha petista durante as últimas semanas.


Invasões

No segundo bloco, quando o tema passou a ser respeito pela Constituição, Bolsonaro acusou Lula de apoiar invasões de terra. Depois, de ter apoiado a censura à mídia - ele citou o caso da Jovem Pan, que foi alvo de decisão do Tribunal Superior Eleitoral em razão de ações movidas pela campanha petista. Lula negou a censura. Afirmou que busca a isonomia.


Ao responder à acusação de que incentivava a invasões de terra, Lula disse que defendia a agricultura familiar. O petista, na sequência, leu um trecho de um discurso de Bolsonaro no qual o então deputado defendia pílula de aborto. "O Lula, você é abortista. E defendeu a ideologia de gênero."


No bloco seguinte, o petista criticou a condução da pandemia durante o governo Bolsonaro. "Quando ele foi comprar vacina, São Paulo e vários países do mundo já estavam dando a vacina", mencionou o petista. O chefe do Executivo rebateu a fala criticando os gastos do governo Lula em infraestrutura para a Copa do Mundo. "Médicos pelo Brasil, Connect SUS, incorporamos o Farmácia Popular, ampliamos o teste do pezinho", destacou Bolsonaro, exaltando medidas tomadas pelo governo na área da saúde.


Lula ainda criticou a gestão do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, durante a crise da covid. Bolsonaro se esquivou, afirmando que Pazuello foi o deputado mais votado no Rio de Janeiro. "Então, isso é passado", declarou o chefe do Executivo


Economia e meio ambiente

No quarto bloco, Bolsonaro rebateu dados de sua gestão na Economia e afirmou que, caso reeleito, o Brasil deve ter crescimento maior do que o da China. "Tudo acertado para decolarmos e a Economia está sendo carro-chefe. Uma das melhores Economia do mundo. Vamos crescer mais do que a China. Temos a inflação menor do que a Europa e Estados Unidos", disse o atual presidente.


Na sequência, Lula afirmou que, caso eleito, irá trabalhar junto de prefeitos e governadores para estabelecer propostas e obras prioritárias de desenvolvimento nas áreas da Saúde e Educação. "Esse é o papel de um Presidente da República. É harmonizar a sociedade, fazer o pacto federativo e trabalhar junto", afirmou. Ao falar sobre o meio ambiente, o ex-presidente questionou Bolsonaro sobre os índices de desmatamento durante o atual governo e foi rebatido pelo candidato do PL , que comparou os números atuais em relação ao do período petista. Lula ainda exaltou medidas de incentivo a energias renováveis durante os governos de seu partido.


No mesmo bloco, o ex-presidente voltou a administrar mal o tempo de resposta e deixou dois minutos para o presidente Jair Bolsonaro falar sozinho.


Durante as considerações finais, o candidato petista destacou feitos das gestões do partido e pediu para que os eleitores compareçam às urnas. "Eu espero que tenha merecido a sua consideração e peço para você votar no 13", afirmou, fazendo um aceno a eleitores indecisos e possíveis abstenções, que podem decidir o resultado do pleito no próximo domingo.


Já Bolsonaro mencionou temas ideológicos, como liberdade, aborto e liberação de drogas, além de mencionar o atentado que sofreu durante a disputa à Presidência em 2018. "Tenho certeza que no próximo domingo venceremos as eleições, vamos lá, o Brasil é nosso, até a vitória", afirmou, sem mencionar o número 22, sigla do partido.


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