[[legacy_image_29288]] Professora Lucélia Cidade: Bertioga Partido: PT Número: 13 Bertioga além do tijolo e do cimento Após quase 30 anos de emancipação política-administrativa, Bertioga é uma cidade rica com povo pobre. O terceiro metro quadrado mais caro do Brasil, localizado em áreas urbanizadas próximas da praia, convive com bairros inteiros carentes de infraestrutura, com esgoto a céu aberto. O modelo seguido por todas as administrações municipais até hoje é o de gerar valor pela construção de imóveis destinados a segunda residência para veranistas. Os condomínios erguidos de modo fragmentado ao longo da orla de 38 km de praias atraíram trabalhadores cujas famílias hoje carecem de condições dignas de vida sem qualificação profissional e baixa expectativa de projeto de vida. Os números assustam: 4 mil adultos analfabetos, 20 mil com ensino fundamental incompleto e mais da metade dos jovens sem concluir o ensino médio; segunda maior mortalidade infantil da Baixada Santista e um déficit habitacional que ultrapassa 10 mil moradias, num total de 63 mil habitantes. Para piorar, na edição de 16/9 de 2019 deste jornal, o atual prefeito pediu ao governo do Estado o desmonte da legislação ambiental que protege o município. Agora busca um segundo mandato para facilitar em Bertioga a devastação que se verifica no País e escandaliza o mundo. Não por acaso, à exceção da nossa candidatura, todos os demais postulantes à prefeitura são apoiadores do atual presidente da República e de suas políticas genocidas contra as populações mais vulneráveis. Outro modelo de desenvolvimento, entretanto, é possível, e deve surgir a partir do poder local. O potencial de Bertioga está na sua natureza e na cultura caiçara, enriquecida por imigrantes nordestinos. A gestão pública tem obrigação de traduzir a riqueza sócio ambiental – e histórica representada pelo Forte São João, o mais antigo do Brasil – em oportunidades de emprego e renda. Este conteúdo está alicerçado em nossa forma de fazer política, espelhada por candidaturas coletivas à Câmara Municipal, do coletivo Ubuntu de jovens negros e da Bancada Mulheres. Uma chapa com presença negra, feminina e de jovens, encabeçada por uma professora e um médico, que reflete a força e a diversidade do nosso povo. Uma cidade não se faz apenas com tijolo e cimento. Assim como o Brasil e o Mundo foram virados do avesso pela pandemia, também aqui a virada se anuncia: vamos nos organizar e tomar nosso destino nas mãos.