[[legacy_image_170225]] Desconfiar, refletir e pesquisar. Essas atitudes serão fundamentais para lidar com informações falsas relacionadas às eleições deste ano, que definirão deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente. Especialistas alertam que a desinformação pode ser difundida em diferentes meios de comunicação por eleitores ou candidatos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O analista judiciário Vitor de Andrade Monteiro, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), observa que as mentiras e distorções mexem com as emoções de eleitores. Por isso, ele ressalta a importância de visualizar totalmente o conteúdo e pesquisar sua veracidade antes de repassá-lo. “As desordens informativas podem contaminar a vontade livre do eleitor, que irá basear a escolha do candidato em premissas falsas. Precisamos ficar atentos a notícias que trazem reações fortes, que não têm fonte ou que a fonte é duvidosa, além de títulos muito chamativos que não batem com o conteúdo”. Observar se a conta responsável pela publicação do conteúdo tem verificação (tarja azul) é um ponto destacado pela coordenadora de comunicação social do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Eliana Passarelli. “Muitas vezes, a pessoa repassa aquela informação porque condiz com o que ela pensa e, outras vezes, por não ter informação suficiente para contrapor o que está recebendo. É importante diferenciar opinião de informação, além de desconfiar sempre”. Paixões políticasA preferência por um político pode estimular o eleitor a acreditar em notícias falsas, sejam elas favoráveis ao candidato que apoia ou contrárias à oposição. Assim aponta, com preocupação, o cientista político e coordenador do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), Alcindo Gonçalves. “As pessoas envolvidas e engajadas querem acreditar nas fake news. Esse é o drama. Quem é apaixonado por um lado ou outro acredita na mais estapafúrdia notícia espalhada. O fato de você preferir candidato A ou B é legítimo na democracia, mas não pode ser algo irracional ou criminoso. Não há razão para isso”. O também cientista político Rafael Moreira cita a importância de os eleitores conferirem as datas das publicações que estiverem lendo, pois podem estar reproduzindo uma informação antiga em um contexto distinto. “Esse conteúdo falso tem chegado, sobretudo, em grupos de família, onde há um debate menor sobre temas como a política, o que é preocupante. Cabe ao eleitorado pesquisar a qual fato aquela notícia se refere e ver se há algum veículo de comunicação noticiando aquela mesma coisa. O segundo passo é usar as agências de checagem para ver se aquela notícia já foi desmentida antes”, explica. Processo eleitoralA chefe da 118ª Zona Eleitoral em Santos, Michelle Lapa Molarino, explica que a desinformação sobre o processo eleitoral pode estar ligada a suposições sobre cancelamento de títulos de eleitor, recadastramento biométrico, fraude nas urnas e manipulação do sistema de totalização. Ela recomenda que os eleitores se informem em sites oficiais, como os do TSE e do TRE. “A melhor estratégia é desconfiar, refletir sobre as informações que estão sendo transmitidas, principalmente nas redes sociais, e buscar informações sobre o assunto em fontes seguras e em sites de verificação de conteúdo. Normalmente, (as distorções ou mentiras) trazem conteúdo que têm semelhança com uma notícia ou norma, com alerta de grande prejuízo para o eleitor, vinculado a outro fato verdadeiro”. Propaganda eleitoralAlém das informações recebidas por aplicativos de mensagem, é importante refletir sobre o que é apresentado na propaganda eleitoral gratuita na televisão. Assim sugere o cientista político do Instituto de Planejamento Estratégico (Ibespe), Marcelo Di Giuseppe. Ele afirma que, nesse formato, o eleitor pode absorver mais do que o candidato já fez ou propõe como político, em comparação com postagens na linha do tempo de redes sociais. “O horário eleitoral gratuito é forte. A pessoa vai assistir a um jornal e (no intervalo) vai aparecer um spot de 30 segundos. Ali, o cara vai ver (a proposta). Nas redes sociais, vai passar pelo feed de notícias, e o eleitor pode não ver. As fake news no horário eleitoral gratuito têm um impacto muito maior do que nas redes sociais. Precisamos ter esse cuidado”, alerta. PesquisasConstantemente veiculadas na mídia, as pesquisas de intenção de voto podem ser interpretadas de diferentes formas pelos eleitores e postulantes a cargos. Alcindo Gonçalves aponta que, historicamente, candidatos que estão atrás em uma pesquisa a desclassificam. “A pesquisa de opinião é ciência, baseada em estatísticas. A Justiça Eleitoral exige que as pesquisas sejam registradas, com metodologia e uma série de informações. É uma fotografia do momento. Nenhuma pesquisa vai definir o resultado de uma eleição. O eleitorado vai mudando em função de vários fatores”. DenúnciasEm caso de se deparar com um conteúdo falso sobre as eleições, é possível denunciá-lo na ouvidoria do TRE.