Segurança é um dos maiores desafios para a próxima gestão de Mongaguá

Para a população, mais do que a estrada separa os bairros nas faixas Leste e Oeste

Com 326 quilômetros quadrados, Mongaguá – assim como os demais municípios que compõem o grupo Litoral Sul da Baixada Santista – tem uma geografia explicitamente delimitada. Desde a divisa com a vizinha Praia Grande, pelo bairro Vila São Paulo, até o início de Itanhaém, no Costa Azul, Mongaguá é cortada pela Rodovia Governador Mário Covas, separando os espaços em “Lado Morro” e “Lado Praia”, como chamam popularmente os moradores.

Clique aqui e assine A Tribuna por apenas R$ 1,90. Ganhe, na hora, acesso completo ao nosso Portal, dois meses de Globoplay grátis e, também, dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços!

Afastados da orla, os bairros do Lado Morro oferecem imóveis mais acessíveis, portanto concentram o maior número de habitantes. O acesso à estrada e pontos de ônibus também é facilitado, por isso, os relatos sobre segurança são, em geral, são positivos. “Tudo aqui é perto, então a gente faz as coisas rapidinho na rua para voltar logo para casa. Isso não quer dizer que não me preocupe, mas eu nunca fui abordada”, afirma a secretária Estela Ribeiro, 52 anos, da Vila Seabra.

Parte do conforto, explica, vem também da circulação de Polícia Militar e, eventualmente, Guarda Civil. “Dizem que só tem três viaturas na cidade. Mas é comum ver ao menos um carro por aqui”.

Mesmo assim, Estela insiste em buscar no ponto de ônibus a filha universitária, que chegava tarde de Santos, antes da pandemia. “A vizinhança até divide os custos de uma segurança particular, mas eu prefiro acompanha-las no retorno”.

Praia vazia

A realidade oposta vive quem mora na praia. Local de temporada, a orla é repleta de imóveis vazios, o que chama atenção de más intencionados, afirma uma moradora.

“Aqui no Jardim Praia Grande está terrível. Essas turmas aprontam mesmo. A gente sabe de grupos que invadem casas para fazer festinhas, usar drogas... Ou até mesmo no próprio calçadão, abrigados nos quiosques, tendo relação sexual no meio da rua”, conta a aposentada Neusa de Macedo.

Enquanto no Lado Morro, o relato é de presença das autoridades, quem vive na praia sente falta de qualquer atuação. “Você chama a Guarda Municipal, eles não comparecem. Vez ou outra tem uma gente querendo bagunçar e arrumar encrenca.

Não tem o que fazer. A gente atura a confusão até eles irem embora, porque não há qualquer defesa para o morador, ou mesmo o patrimônio público”.

Segundo Neusa, a iluminação pública instalada em 2019 pela Prefeitura já está depredada, o que também desestimula. “Em menos de um ano, estragaram tudo. Algumas, aparentemente, queimaram sozinhas. Imagina se podemos andar seguros sem policiais, guardas ou menos iluminação para enxergar ao redor”.

Rondas e câmeras

A Prefeitura de Mongaguá afirma que a Guarda Civil Municipal (GCM) está ativa e conta com 58 guardas no quadro, sendo nove parte da Ronda Ostensiva Municipal (ROMU), criada no início de 2020. Recentemente, a Central de Monitoramento Carlos Alberto Ferraz (Carlão Índio) contou com ampliação da sala de monitoramento e agora dispõe de mais de 30 câmeras distribuídas nos principais pontos da cidade.

Os profissionais da Segurança Pública iniciaram 2020 com cinco viaturas novas. Ao todo, são quatro Dusters e uma S10. Além da frota, houve ainda um investimento considerável no setor, incluindo o recebimento de armas taser e coletes balísticos e a aquisição de uma base móvel operacional. Além disso, a GCM passou a contar com os serviços do ‘INFOSEG’, um sistema que reúne informações de segurança pública dos órgãos de fiscalização do Brasil.

A GCM também passou por uma série de treinamentos com apoio da Força Tática da Polícia Militar em São Vicente, Canil Ambiental e o treinamento de ‘Retenção e contra retenção de arma de fogo’, ministrada pelo instrutor de combate corpo a corpo e lutador de muay thai, Luiz Charneski, que é reconhecido mundialmente por seu trabalho tático.

Todo trabalho realizado na cidade, em relação a segurança, é feito em conjunto com as Polícias Militar e Civil. Exemplo disso é a nova sede da Delegacia da Mulher, no centro, e da reabertura do 2º DP, no Flórida Mirim.

Tudo sobre: