Marcelo Coelho é o 11º candidato a prefeito de Santos entrevistado por A Tribuna

Empresário do ramo esportivo é candidato ao Paço Municipal pelo PRTB

Marcelo Coelho (PRTB) é o 11o candidato a prefeito de Santos entrevistado por A Tribuna. Se eleito, o ex-atleta defende o corte de cargos comissionados e a utilização de critérios técnicos para o preenchimento dessas vagas no serviço público. Ele tem como uma de suas prioridades instalar no Município as escolas cívico-militares e ampliar a oferta de cursos profissionalizantes. O candidato quer incentivar parcerias com entidades de bairro para haver um serviço de zeladoria melhor e mais ágil.

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AT - Se o senhor for eleito, qual será a prioridade do mandato?

Marcelo Coelho - A prioridade número será conhecer a saúde financeira da Prefeitura de Santos para, posteriormente, colocar em prática tudo aquilo que planejamos para o Município. Uma das nossas primeiras ações será cortar gastos desnecessários que já conheço.

 

Quais seriam esses cortes?

Regalias e cargos comissionados. Não seria um corte geral, mas uma melhor integração do quadro de servidores públicos nos cargos de confiança para você não ter que pagar duas vezes. Além disso, essa é uma forma de motivar o funcionário público que está ali há anos aguardando uma chance.

 

O sr. pretende extinguir ou criar alguma nova secretaria?

A ideia é diminuir o número de secretarias. Eu eliminaria, por exemplo, a Fupes (Fundação Pró-Esporte) e gostaria de entender um pouco mais o funcionamento da Cohab Santista para, de repente, criar um departamento na Administração Municipal para substituí-la. Eu acho que a Fupes, assim como outros espaços da Prefeitura, servem simplesmente como cabide de emprego. Poderíamos ter um departamento de alto rendimento na própria Secretaria Municipal de Esportes. Para mim, a gente precisa estimular a política da “prata da casa”, ou seja, dar sustentação às escolinhas de modalidades voltadas aos munícipes e não contratar esportistas pelo simples ego do secretário para o Município vencer os Jogos Regionais ou Jogos Abertos do Interior. Além disso, toda a sustentação do esporte da Cidade precisa estar baseada em leis de incentivo federais e estaduais para tirar esse peso do orçamento municipal.

 

No seu plano de governo, o sr. defende a criação da Secretaria Municipal em Defesa das Pessoas com Deficiência. Como surgiu essa ideia?

Eu vejo que não existe nenhum tipo de tratamento para esse público no Município. As pessoas com deficiência não são apenas os cadeirantes, como muita gente imagina. Além disso, precisamos pensar em melhorar a acessibilidade de toda a Cidade. Temos muitos idosos com mobilidade reduzida. Atualmente, a Prefeitura possui uma coordenadoria relacionada a este tema, mas não vejo o trabalho dela. Existem postes que estão instalados no meio das calçadas e rampas de acesso nas calçadas em locais errados e na frente de bueiros. Essa situação afeta o cadeirante, mas também os idosos da nossa cidade. 

 

Quais são os seus planos para as empresas municipais, como CET-Santos, Cohab Santista e Prodesan?

A Prodesan é mais um cabide de emprego. Todos esses cabides de emprego serão extintos. Precisamos entender que é necessário e o que descartável na Prodesan, na CET-Santos e nos outros órgãos e autarquias. O que for desnecessário será cortado, independentemente da ligação política dessas pessoas.

 

O candidato pretende manter as Organizações Sociais (OSs) no gerenciamento de equipamentos públicos municipais?

Eu costumo chamá-las de OCs, de organizações criminosas. Na nossa gestão, elas não terão vez do jeito que estão, porque são mais um cabide de emprego. Precisamos entender o que é necessário e cortar o que for desnecessário. Essas OSs que estão aí são coniventes com a atual Administração Municipal. Por não terem a devida fiscalização da Secretaria de Saúde, elas trabalham como querem.

 

É possível avançar no setor de saúde?

Sim, se for dirigido com responsabilidade, honestidade e transparência. Dessa forma, conseguiremos atender a todo Município com qualidade e parar de justificar o mau atendimento com o fato de que moradores de outras cidades procuram atendimento aqui. Com um orçamento de quase R$ 700 milhões, é inadmissível que um paciente fique aguardando mais de seis meses para conseguir fazer um exame. Não podemos aceitar isso.

 

Na área da educação, uma de suas ideias seria a criação de um voucher. Qual é a sua proposta?

A ideia é ter esse sistema para dar direito ao ensino de qualidade a famílias de baixa renda. Esse formato atual da educação não cria interesse da criança. A gente precisa mudar a forma e o sistema educacional. Embora a gente tenha que seguir as normas do Ministério da Educação, nós podemos tentar e fazer diferente. A gente precisa entender agora, após essa situação da pandemia de covid-19, o que é a educação àqueles que não têm tecnologia e àqueles que tem acesso à tecnologia. Temos uma desigualdade social muito grande. Muitas pessoas falam que a Educação é o principal pilar, mas se a gente não tiver emprego e comida para as famílias que estão à beira da miséria, como a gente vai falar em Educação? A gente precisa pensar na sustentabilidade para essas pessoas.

 

Como garantir formação continuada aos professores municipais e valorizá-los?

Eles precisam ser valorizados ao máximo. Volto a frisar a questão da honestidade e da responsabilidade. Se você tirar a gordura, o cabide de empregos e “o amigo do amigo” na máquina pública, conseguiremos dar as condições necessárias para os professores, que é a profissão mais importante para a sociedade. São os docentes que cuidam do seu filho por seis, oito ou mais horas por dia.

 

No seu plano de governo, o sr. cita a necessidade de ampliar a oferta de cursos profissionalizantes e disciplinas adicionais. Elas seriam oferecidas no contraturno?

Sim. Eu imagino que o Município deve oferecer cursos profissionalizantes que estão empregando hoje. Isso é muito sazonal, mas acho que a gente precisa cuidar da tecnologia e da parte da informática. Podemos ter disciplinas que são importantes no mundo de hoje, como design gráfico, economia doméstica, robótica, direito, inglês avançado, entre outras. Também pretendemos implantar o escotismo nas escolas. Além disso, pretendemos colocar o maior número possível de escolas cívico-militares no Município, mas sabemos que essa não é uma tarefa fácil.

 

Como avançar para diminuir o deficit habitacional?

Eu morei em um país onde existe um controle habitacional muito grande, que é a Holanda. Esse deficit de habitação nunca vai ser sanado se a gente não congelar as áreas de invasão e não der as condições necessárias para as famílias saírem daquelas condições para conseguir viver na nova moradia. Não adianta tirar essas pessoas da favela e colocá-las em um condomínio com valor alto. Se não estancar a ferida, vamos estar enxugando gelo. Com o apoio do Governo Federal, conseguiremos resolver esse problema de moradias em Santos.

 

Como o sr. pretende lidar com a questão dos moradores em situação de rua?

Esse é um trabalho de enxugar gelo e que precisa ser feito. A gente precisa ter uma coordenadoria e um departamento só para atender essa demanda. Minha sugestão seria criar uma clínica municipal de reabilitação para usuários de drogas, talvez em uma área na Área Continental. Existem vários motivos para essas pessoas estarem nas ruas. É preciso fazer uma triagem. É um trabalho que precisa ser feito dia a dia e de forma incansável. Cada situação precisa ser encaminhada de uma forma. Alguns podem voltar para a família, outros têm problemas com álcool e outras drogas. Alguns até podem ser encaminhados para cursos profissionalizantes.

 

Entre suas propostas para a área de transporte, o senhor cita a criação de um teleférico nos Morros e a instalação de escadas rolantes nessa região. Como viabilizar essas propostas?

Essas ideias são totalmente viáveis. Em 2011, eu participei da inauguração de uma escada rolante na Comuna 13, em Medelín (Colômbia) – um dos 16 distritos que compõem a cidade. A escada rolante não é no morro inteiro, mas em alguns trechos que irão facilitar a subida dos moradores. O teleférico é uma possibilidade por meio da exploração dessa atividade à iniciativa privada. A ideia é inspirada no Parque Unipraias, de Balneário Camboriú (SC). Ali foi construído um teleférico que será explorado pela iniciativa privada por 30, 40 anos. As bicicletas são muito importantes. Vamos dar uma atenção especial ao ciclistas. Hoje nós só temos as ciclovias, mas precisamos avançar muito na instalação de bicicletários. Não há locais seguros para guardar com a sua bicicleta com segurança.

 

Como atrair mais empregos ao Município?

Em 2019, a Prefeitura perdeu mais de R$ 100 milhões do Governo Federal por falta de projetos ou atraso na entrega de documentos ou por erros de projetos. Fora o orçamento municipal, nós temos condições de buscar recursos federais que estão disponíveis. Se esses projetos são aprovados, conseguiremos gerar mais empregos. A Cultura e o Esporte geram muitos empregos. Podemos movimentar a classe artística local e atrair eventos esportivos por meio de leis de incentivo.

 

Como melhorar a zeladoria do Município?

Pretendemos incentivar as parcerias com entidades de bairro para desburocratizar o atendimento local e melhorar a zeladoria dos bairros, assim como dar apoio em casos que a própria Ouvidoria não tem resolvido. Às vezes, temos casos simples que poderiam ser resolvidos por um intermediário do seu bairro, por exemplo. A ideia é ter uma ouvidoria direta e ativa nos bairros.

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