[[legacy_image_27742]] O período eleitoral não é apenas uma ‘maratona’ política em busca de sensibilizar o eleitorado. É, também, ocasião para reforçar o orçamento doméstico. Com 3.100 nomes lançados à disputa na Baixada Santista, entre candidatos a prefeito e vereador, prestar serviços nas campanhas surge como uma alternativa de renda, mesmo que num curto intervalo. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços! A principal função é a de cabo eleitoral. Apesar de não existir números oficiais sobre essa atividade, quase todos os pleiteantes contam com o apoio de pessoas para realizar essa função, seja remunerado ou voluntariado. A atividade consiste em ser um intermediário entre a população e o candidato, disseminando ideias dos aspirantes aos cargos políticos. Apresentando o plano de governo e criando pontes entre os eleitores e o candidato para no fim culminar na conquista de votos. Rotina de trabalho O estudante de pedagogia Luiz Cláudio Brito, 40 anos, morador de São Vicente, realiza esse trabalho de forma voluntária. Ele trabalha cerca de seis horas por dia, de terça a domingo, sendo responsável por realizar a articulação entre candidato e eleitores. A convite de um amigo que já estava na campanha, foi convencido de que a proposta é boa para a cidade. “Não estou fazendo a campanha pensando em continuar na área depois. Estou porque realmente acredito no projeto e depois disso espero entrar na rede de ensino". Mesma situação do casal Clécio Tadeu (56 anos) e Joice Matero (45 anos), que moram em Santos. “Atuamos como voluntários do candidato por meio de bandeiras fixas em bicicletas e andamos por toda orla e nos bairros das proximidades”, explica Tadeu. Eles trabalham até 6 horas por dia em locais de grande fluxo. A rotina é simples: conversam com pessoas, esclarecem sobre o partido e colaboram para impulsionar a campanha sem receber um real por isso. Diferente deles, mas também acreditando na campanha, a pedagoga Geovana Pereira Santos, 51 anos, moradora da área continental de São Vicente, atualmente trabalha em escola. Mas, para reformar o orçamento, decidiu trabalhar na campanha. Ela ganha R\$ 20,00 por dia, em uma jornada de 5 horas. “Mas acabo trabalhando mais, porque minha prioridade não é o dinheiro. Acredito nas propostas de governo e por isso tenho a obrigação de contribuir na campanha para da nossa cidade”. Situação de emprego diferente da turismóloga Rosana Pereira, 47 anos. Desempregada, ela encontrou uma chance para trabalhar e complementar a renda. Por uma jornada de 5 horas, ela ganha R\$ 30. “Esse trabalho me ajudou e outras pessoas, já estava difícil conseguir emprego nesse momento, então foi muito importante para a cidade essa geração de emprego”, explica Rosana. Ela conta que teve um pouco de receio no começo, mas que seguem todas as medidas de proteção para garantir a segurança dos prestadores de serviço. Mesmo assim já passou por uma situação chata trabalhando na rua. “Passou um carro de outra candidata e ficou gritando, falando palavrão, fazendo gestos feios, achamos aquilo de mau tom.Todos têm o direito de disputar, mas não precisa partir para baixaria”. Situação parecida da autônoma Ingridy Gomes de Oliveira, 24 anos, moradora do bairro Vila Sônia conta que trabalha no mesmo período e ganhando o mesmo valor, no bandeiraço ou entregando jornais. “Esse trabalho caiu como uma luva, estamos todos sem uma renda e apareceu na hora certa”. Funções Alguns dos meios de execução do marketing são pelo bandeiraço, no qual o cabo fica em um local estratégico de grande movimento e através das bandeiras faz com que o candidato seja lembrando. Há também a panfletagem, em que a relação acaba sendo próxima dos eleitores, no qual os cabos eleitorais transmitem para as pessoas propostas e as informações necessárias para convencer em quem votar. Até a visita em casa de parentes, vizinho e amigos para uma conversa íntima direcionada e geralmente focada nos problemas centrais do bairro e o plano de governo do candidato. História dos cabos eleitorais O surgimento acontece na República Velha, o Brasil nessa época tinha um sistema político pautado nas práticas do coronelismo, onde os coronéis obrigavam os trabalhadores a votarem nele através do voto de cabresto. Com o fim desse sistema, as eleições ficaram frequentes e democráticas e por volta da década de 40 surgiram os cabos eleitorais. Geralmente pautados na militância política, faziam a aproximação com os eleitores pessoalmente ou pelo rádio. Hoje em dia as atuações são variadas e aliadas ao plano de marketing eleitoral da campanha. Os contratados podem ser remunerados ou voluntários e nem sempre tem ligação com a militância do partido ou candidato.