[[legacy_image_74086]] Em meio à pandemia de Covid-19, moradores de Praia Grande se reinventam para conseguir pagar as contas ao final do mês. Com a diminuição no número de ofertas de emprego, a venda de máscaras tem sido uma das alternativas encontradas por desempregados e autônomos da cidade para faturar uma renda extra. Assine o Portal A Tribuna agora mesmo e ganhe Globoplay grátis e dezenas de descontos No mês de janeiro, o zelador Carmosino Gonçalves dos Santos, de 52 anos, foi demitido da empresa terceirizada onde trabalhava. Com o avanço da pandemia em março, ele decidiu vender máscaras na rua para complementar a renda da família. “Foi ideia da minha enteada. Eu disse para a minha esposa fazer que eu ia vender. No primeiro dia eu vendi R\$ 70”, conta. Morador do bairro Boqueirão, ele diz que pretende continuar vendendo máscaras até conseguir uma oportunidade de emprego. Todos os dias pela manhã, Carmosino sai de casa por volta das 9h e segue até a avenida Ministro Marcos Freire, no bairro Jardim Glória. As máscaras são vendidas na calçada, em frente a um supermercado. Os produtos ficam pendurados em uma estrutura de madeira e ele só sai dali para almoçar, mas retorna logo em seguida e permanece no local até o fim do dia. Folgas, só em dias de chuva. “Quando chove não dá pra vender porque não tem cobertura”, conta. Segundo ele, as vendas têm diminuído por conta da concorrência e, ultimamente, as pessoas que compram são aquelas que esqueceram a máscara em casa. Carmosino, porém, não desanima, e aposta em um bom atendimento para que os clientes retornem. “Tem que ter carisma, saber tratar bem, deixar o cliente à vontade”. R\$ 11 mil em cinco meses A venda de máscaras também foi a opção encontrada pela artesã Maria Creulia de Campos, de 65 anos, para não ficar no vermelho. Ela diz que não tinha muita experiência com costura, mas pesquisou vídeos na internet até que aprendeu a fazer máscaras. Segundo ela, tem dado tão certo que o faturamento agora é maior do que antes da pandemia, quando trabalhava apenas com a confecção de buquês e itens como fraldas de pano para bebês e panos de prato. “Fiz mais de R\$ 11 mil nos cinco meses. Foi surpreendente”, diz Maria Creulia, que mora no bairro Canto do Forte e chegou a receber pedidos de encomendas de até 50 máscaras, no início da pandemia, quando conseguia vender cada uma por R\$ 10. Ela também comenta que as vendas diminuíram, por isso, decidiu montar kits de máscara com touca para atrair pessoas que utilizam esse item para trabalhar. “As vendas despencaram porque a concorrência aumentou muito. Baixei o preço da máscara para R\$ 4 e vendo o kit com touca por R\$ 27”, conta a moradora, que apesar disso diz estar confiante. “Fiz do limão uma limonada. Coloquei minhas contas em dia por conta da pandemia, com o dinheiro das máscaras e toucas”, destaca. [[legacy_image_74087]] Admissões e desligamentos De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), de janeiro a julho deste ano ocorreram 3.170 admissões e 3.806 desligamentos em Praia Grande no setor de serviços. Até fevereiro, o número de admissões se manteve à frente das demissões, mas a situação mudou a partir de março, quando foram registradas 841 demissões e 586 admissões - esse foi o mês com o maior número de demissões no primeiro semestre do ano. Em relação às admissões, a maior queda do período foi registrada em abril, quando apenas 187 pessoas foram contratadas. Desde março, o número de demissões tem superado as contratações no setor de serviços em Praia Grande, com exceção do mês de junho, que teve 362 admissões e 352 desligamentos Recuperação gradual O economista Jorge Manuel de Souza Ferreira aponta que a tendência é que haja uma recuperação gradual da economia. “Já vínhamos de uma crise com o desemprego elevado, mas com a pandemia logicamente que agravou mais ainda”. Segundo o economista, a expectativa é que a situação melhore quando houver uma vacina para proteger a população da infecção por Covid-19. Enquanto isso, ele orienta autônomos e desempregados a buscar formas de se qualificar, como por exemplo por meio de cursos online. “Acho que seria fundamental a pessoa que quer empreender consultar o Sebrae, que oferece cursos gratuitos”, diz. Gestão financeira, como vender pela internet na crise do coronavírus e boas práticas nos serviços de alimentação são alguns dos cursos oferecidos no Portal do Sebrae para contribuir com a capacitação profissional da população.